Manuela Rolim
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As perspectivas climatológicas são desanimadoras no Dia Mundial da Água. O alerta é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A cada ano, tem chovido menos, e assim deve permanecer o cenário no futuro. Portanto, mais que do que nunca, o consumo consciente deve ser pauta obrigatória entre os brasilienses.
De acordo com a meteorologista Odete Marlene Chiesa, a partir da primeira quinzena de maio, a previsão é de que o volume de chuva diminua gradativamente a cada mês. “Terminar o período chuvoso com racionamento é uma situação que nunca vivenciamos. É preocupante. A tendência é chover menos e abaixo da média, sendo que temos uma demanda maior”, diz.
Dados preocupam
Ainda de acordo com ela, até no período mais chuvoso do ano, entre dezembro e janeiro, as médias têm sido menores que as anteriores. “Para se ter uma ideia do problema, no primeiro mês deste ano o índice foi 41,11% menor que a média. Já em dezembro de 2016, choveu 37,3% menos que o de costume”, detalha.
Quando comparado o volume anual, Odete ressalta que os números também assustam. Segundo a meteorologista, no ano passado, choveu 25% abaixo da média. Já em 2015, o índice foi 18,6% menor. “Lembro que fiquei doente em 2015 e fui me tratar no Sul. Na época, eu dizia para os meus familiares que iria me aposentar em dez anos e depois voltaria a morar em Brasília. Eu comentava com eles minha previsão de que até lá uma crise hídrica já estaria afetando a capital, mas fui pega de surpresa. Não acreditava que isso aconteceria em apenas dois anos. Nossa realidade hoje é preocupante”, conclui.
Ainda falta consciência
Apesar da rotina de racionamento, a meteorologista Odete Marlene Chiesa acredita que a população do DF ainda não “acordou” para o problema. “Me canso de ver as pessoas lavando os carros toda semana ou passando horas embaixo do chuveiro. Elas não entendem que a água usada para isso hoje pode faltar para os bombeiros no momento de apagar uma queimada em setembro, quando os incêndios tomam conta do cerrado e a chuva é escassa. O brasiliense precisa entender que essa é uma batalha em conjunto. O que eu reservo aqui pode salvar uma vida mais adiante”, alerta.
Odete ressalta ainda que é possível economizar com medidas simples e de baixo custo. “Eu mesma passei a captar a água da chuva no telhado e utilizá-la nos vasos sanitários da minha casa. O mesmo faço com a água que sobra do banho. Parece algo muito distante da nossa realidade, mas é bom as pessoas começarem a colocar em prática porque será a nossa salvação. Antes, deixava a torneira aberta vazando pouca água e acreditava estar fazendo o certo. Hoje, fecho sempre que possível”, relata.
A meteorologista aponta ainda para a responsabilidade das escolas públicas e particulares na questão da crise hídrica. “Esse tema precisa estar dentro das salas de aula. A conscientização começa desde criança, nas pequenas atitudes e exemplos dos pais e professores”, alerta Odete.