João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília
A partir de hoje, se o reservatório do Descoberto não atingir 45,8% de volume útil, produtores rurais da região terão que diminuir a captação pela metade, e só poderão fazê-la entre 6h e 9h. A intenção é se preparar para a seca do segundo semestre. Para quem terá menos água, a medida é mais uma dor de cabeça para administrar. Para o consumidor, o problema pode ser o aumento do custo dos alimentos.
A medida parte de resolução conjunta entre a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Ambiental do DF (Adasa), Agência Nacional de Águas (Ana) e a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos de Goiás (Secima).
“Não acredito que a situação vai melhorar e que vai liberar para mais uso na agricultura. A cidade cresce, a população também. O produtor vai ter que sumir de Brasília. Eu já tenho planos de mudar”, afirma o produtor José Luiz Yamagata, 55, que está em Brazlândia há 25 anos plantando goiabas.
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- Outro pedido da norma é a suspensão da emissão de outorgas prévias, preventivas e de direito de uso dos recursos hídricos na área do reservatório. Os dirigentes das três instituições que assinaram o documento decidiram que poderão, a qualquer tempo, alterar o volume meta de 45,8% a fim de garantir a segurança hídrica da população.
Ele começou colhendo hortaliças, depois plantou morango e, por fim, descobriu as goiabas. Atualmente, são sete hectares do fruto na fazenda do homem que pisou no Planalto Central aos 12 anos.
José reclama que, agora, com a redução da captação pela metade, não há como produzir um alimento com tanta qualidade, porque a água é essencial nesse processo. Além disso, em algum momento terá de passar o prejuízo ao consumidor – o que só não ocorreu até o momento porque ele diminuiu o espaço de plantação.
O diretor da Associação Rural e Cultural Alexandre Gusmão (Arcag), Fábio Arada, alerta que quem vai plantar o símbolo de Brazlândia, o morango, vai ter mais prejuízo, pois a fruta precisa de muita água, em especial nos primeiros 45 dias, quando cria raízes.
Problema teve quem plantou também hortaliças, que precisam mais de irrigação. “O grande medo é que o problema se perpetue mesmo buscando outras fontes, como o Bananal e o Paranoá”, teme Arada. Ele diz que os produtores vão cumprir as leis, mas espera que algo seja feito, pois não será possível aguentar muito tempo assim.