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Brasília

Crianças e jovens ajudam a manter viva tradição centenária durante confecção dos tapetes de Corpus Christi em Brasília

Isabele Mendes

04/06/2026 15h55

esplanada dos ministérios corpus christi

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (4), a Esplanada dos Ministérios se transformou em uma grande tela artística feita com fé e trabalho coletivo. Crianças, adolescentes, jovens e adultos se reuniram para confeccionar os tradicionais tapetes de Corpus Christi, por onde passará o Santíssimo Sacramento após a missa celebrada pelo arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa. A expectativa da Arquidiocese é reunir cerca de 50 mil fiéis ao longo do dia. Os tapetes somam 125 metros de extensão e são formados por 25 quadros que retratam passagens bíblicas e símbolos da fé católica.

Sentadas no chão, com as mãos tingidas pelos pigmentos e os olhos atentos às orientações dos coordenadores, crianças da Infância e Adolescência Missionária ajudavam a preparar os materiais que se transformariam nos tradicionais tapetes de Corpus Christi na Esplanada dos Ministérios. Entre os voluntários, estavam Catarina Almeida, Miguel de Souza e Maria Vitória, todos com 12 anos. Integrantes do movimento, eles participam pela segunda vez da tradição e enxergam na atividade uma forma concreta de viver a fé.

“Quando o padre passar mais tarde, eu vou saber que aquele tapete foi feito por mim também”, conta Catarina. Para Miguel, a participação ajuda a fortalecer a espiritualidade. “É importante para a gente crescer na fé e saber que o Corpo de Cristo vai passar por um tapete que nós mesmos fizemos”, afirma. 

Tradição passada de geração em geração

A participação das crianças na confecção dos tapetes não acontece por acaso. Há cerca de 20 anos, a Infância e Adolescência Missionária da Arquidiocese de Brasília marca presença na celebração, envolvendo novas gerações em uma tradição que atravessa séculos.

Segundo a assessora do movimento na paróquia São João Batista, no Gama-DF, Lúcia de Fátima Cardoso, o objetivo é fazer com que os mais jovens compreendam o significado da Eucaristia e assumam, desde cedo, um compromisso com a vida cristã.

“Quando trazemos nossas crianças e adolescentes para esse momento histórico da nossa fé, elas crescem no compromisso com Cristo e com a Igreja. É uma forma de garantir a continuidade dessa missão”, explica.

A organização reúne representantes de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. Embora centenas de crianças participem dos grupos missionários ao longo do ano, apenas uma parte delas consegue estar presente na Esplanada. Quem não participa presencialmente contribui com doações, orações e apoio à estrutura do evento.

Uma festa que nasceu na Idade Média

A tradição celebrada nesta quinta-feira tem origem no século XIII. A festa de Corpus Christi foi instituída oficialmente em 1264 pelo Papa Urbano IV, após relatos das visões de Santa Juliana de Cornillon, religiosa belga que defendia uma celebração dedicada exclusivamente à adoração da Eucaristia.

O reconhecimento definitivo veio após o chamado Milagre Eucarístico de Bolsena, na Itália, quando um sacerdote que duvidava da presença real de Cristo na hóstia consagrada testemunhou o surgimento de sangue durante a celebração da missa. O episódio reforçou a devoção e contribuiu para que a festa fosse estendida a toda a Igreja Católica.

Desde então, procissões e tapetes passaram a integrar a celebração em diversos países, inclusive no Brasil, onde a tradição chegou com influência portuguesa e se tornou uma das manifestações religiosas mais populares do calendário católico.

Juventude que mantém a fé viva

Entre os grupos responsáveis pelos desenhos dos tapetes também estavam jovens da Renovação Carismática Católica. Para Yasmin Dourado Dantas, de 21 anos, da Paróquia Santa Maria dos Pobres, no Paranoá, participar da montagem é um sinal de esperança para o futuro da Igreja “É uma alegria muito grande estar aqui. Quando vejo tantos jovens reunidos para celebrar Corpus Christi, percebo que existe um futuro bonito para a nossa Igreja”, afirma.

A estudante Kate Gabriele, de 19 anos, da Paróquia São João Batista, no Gama, compartilha o mesmo sentimento. “A gente está aqui trabalhando para a obra de Deus. É gratificante colocar a mão na massa e fazer parte de algo tão importante para a nossa fé”, diz.

Enquanto os desenhos ganhavam forma sobre a Esplanada, grupos entoavam cânticos e ajudavam na preparação da celebração. Entre sacos de sal colorido, serragem e bandeiras, a tradição continuava sendo construída pelas mãos de quem a recebeu das gerações anteriores e agora se prepara para transmiti-la às próximas.

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