MANUELA ROLIM
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Campo de batalhas políticas nos últimos meses, a Esplanada dos Ministérios, ontem, foi palco de demonstrações de fé e harmonia durante a festa de Corpus Christi. Cerca de dez mil cristãos, segundo a Polícia Militar, acompanharam a Santa Missa, celebrada pontualmente às 17h.
Bem cedo, por volta das 6h30, aproximadamente 600 jovens de pastorais e movimentos da Arquidiocese de Brasília ajudaram a confeccionar o tradicional tapete de imagens religiosas. No total, os organizadores do evento esperavam receber 60 mil pessoas, mas passaram 14 mil ao longo do dia, de acordo com a PM. O governador Rodrigo Rollemberg marcou presença.
No início da noite, os fiéis seguiram em procissão em torno do primeiro quadrilátero da Esplanada, formando um mar de velas acesas. Durante o percurso, foram concedidas três bênçãos especiais aos doentes, ao Brasil e seus governantes, e às famílias. Uma grande fila também se formou no local destinado às confissões dos cristãos.
Ao subir ao palco, o Cardeal Arcebispo de Brasília, Dom Sergio da Rocha, iniciou a missa fazendo referência ao momento atual do País. “Atravessamos um período muito difícil, de crise política, econômica, que tem trazido sofrimento para as nossas famílias. Necessitamos muito da fé em Deus. Quem se alimenta do pão da vida não desiste de caminhar, não se acomoda em esquemas de corrupção e injustiça”, disse.
O Cardeal lembra ainda a importância de alguns valores. “Jesus nos ensinou sobre a honestidade, que deve ser seguida na vida pessoal, profissional e política. Vivemos em uma época marcada pela violência, essa Esplanada mesmo já dividiu muita gente. Por isso, hoje (ontem), essa celebração torna-se ainda mais significativa”, completa.
Uma vida sustentada pela fé
Entre os fiéis estava o aposentado Valdir Alves Feitosa. Aos 74 anos, ele conta que não foi seminarista por pouco, assim como o pai. “Desde pequeno, sempre fui muito religioso”, confirmou.
Depois de viver uma grande desilusão amorosa, em 1984, o cristão garante que foi sustentado pela fé. “Depois de sete anos de casados, minha mulher me rejeitou. Com isso, ela também afastou os nossos três filhos de mim. Hoje, mantenho contato somente com um deles. Se não fosse minha devoção, não teria suportado a dor. Depois de um tempo, aprendi que Deus é tudo e não minha ex-esposa”, completou. Agora, Valdir espera formar uma nova família. “Desde que Ele a coloque em minha vida”.
Saiba mais
Tradicionais na celebração de Corpus Christi, os tapetes são verdadeiras obras de arte ao ar livre, confeccionadas com areia, sal, serragem, palha de arroz, borra de café, tinta líquida e outros materiais.
Por cima dos tapetes, passa o cortejo com o Corpo e Sangue de Cristo no início da Santa Missa. Este ano, foram utilizados dois caminhões de areia e cerca de 900 tubos de tinta.