O ex-presidiário Fernando de Figueiredo resolveu fazer a diferença e se dedicar a causas sociais na Cidade Estrutural. Assim, aproveitou os conhecimentos que ganhou no tempo em que cumpriu pena na Papuda – ele foi preso e condenado a 19 anos de prisão por assalto à mão armada – para montar uma cooperativa em casa. Lá, jovens aprendem a montar bolas de futebol. No local funciona um centro de reciclagem de madeira onde os adultos podem trabalhar e garantir o sustento da família.
A cooperativa Sonho de Liberdade é onde mais de 40 pessoas entre 16 e 18 anos se reúnem para aprender o ofício e faturar com as vendas. Adolescentes tirados das ruas têm a oportunidade de trabalhar e ganhar um salário. O objetivo do projeto é passar lições de vida e mostrar alternativas longe da violência aos moradores. “Abrimos a porta para quem quiser participar. Mais ainda produzimos mais do conseguimos vender”, conta Fernando.
Nas mais diversas estampas, os pedaços de borracha são unidos com agulha e linha. O grupo consegue confeccionar mais de 50 bolas por semana. Elas são vendidas aos consumidores por R$ 35. O dinheiro que sobra após o pagamento dos garotos é utilizado para comprar mais matéria-prima, em melhorias no galpão e em alimentos, pois todos que participam podem ter as três refeições na cooperativa.
Apontado por Fernando como um dos mais talentosos, João Lino de Oliveira foi um dos primeiros a ingressar no projeto. O rapaz de 18 anos mora perto do galpão e conta que, apesar de viver cercado de crimes e drogas, os jovens costureiros ficam menos expostos à violência.
Na parte de trás da casa, pilhas de madeira que iriam para o Lixão são alocadas. O material descartado representa fonte de renda para 20 trabalhadores que freqüentam o local. Eles são, em maioria, outros ex-presidiários ou pessoas que tiveram problemas com drogas.
Após a limpeza da madeira, o que eram mesas e escadas velhas viraram placas de propaganda, pisos e estacas. A venda do material reciclado significa a melhoria de vida e auto-estima dos trabalhadores. Ex-alcoólatra, Dionísio dos Santos tira o sustento no projeto. “Antes, eu vivia que nem bicho”, lembra o homem de 48 anos que fez amigos após conhecer a cooperativa. Ajudar a comunidade foi a saída que Fernando encontrou paradar chance a pessoas com histórias parecidas com a sua. Para isso, conta com a ajuda do professor e também ex-preso Izolino Pereira, que hoje é seu sócio.
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O galpão onde a cooperativa funciona fica no Setor de Chácaras Santa Luzia número 25, na Quadra 17, na Cidade Estrutura l. |