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Brasília

Comunidade de prevenção ao aborto registra aumento no acolhimento de gestantes

Arquivo Geral

15/03/2017 7h00

Foto: Ariadne Marçal

Lucas Campelo
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Uma associação filantrópica, localizada em Samambaia Norte, oferece atendimento a mulheres que pensam em praticar o aborto. O trabalho na Comunidade Santos Inocentes é realizado há seis anos e conta com a ajuda voluntária de assistentes sociais, psicólogos, advogados e equipe médica. Ainda no local, mães que enfrentam situações críticas podem ser abrigadas. E, após acompanhamento gestacional, quando necessário, recebem ajuda para ingressar ao mercado de trabalho e auxílio no cuidado com o filho, já que a instituição também disponibiliza creche.

Despesas mensais giram em torno de R$ 30 mil, e instituição não conta com auxílio do governo. Foto: Ariadne Marçal

Despesas mensais giram em torno de R$ 30 mil, e instituição não conta com auxílio do governo. Foto: Ariadne Marçal

De acordo com o administrador do espaço, Areolino Dias, em 2015 foram registrados 77 acolhimentos, e em 2016 o número saltou para 122. “Com base na ficha de acompanhamento de cada mulher, podemos dizer que pelo menos 87% desses casos foram bem-sucedidos”, aponta.

“O nosso trabalho é justamente para tentar salvar a vida da mãe em todos os aspectos, incluindo a autoestima”, comenta. “Prestamos o acolhimento institucional, humano e também oferecemos ajuda material ”, afirma.

Atualmente, o abrigo possui vagas: dos 16 lugares disponíveis, apenas quatro estão ocupados. A situação não é mesma para a creche, que está lotada – são ofertadas 50 vagas para crianças entre cinco meses e três anos de idade. Existe até uma lista de espera.

Bazar vai arrecadar fundos para a instituição

  • No próximo sábado (18), das 8h às 17h, está previsto para ocorrer um grande bazar comunitário na Santos Inocentes.
  • Para quem se interessar em comprar para ajudar, basta comparecer ao endereço QR 425, conjunto 5, casa 15, Samambaia Norte.
  • Já para quem preferir fazer doações, é preciso agendar a ida ao local. Os telefones para mais informações são (61) 3359-3652 ou (61) 3359-2867. A instituição também se disponibiliza para ir até o local indicado buscar os materiais.

Grávida de oito meses de uma menina, uma das acolhidas avalia o atendimento recebido na associação. “É importante e faz diferença por causa do apoio psicológico e financeiro”, reconhece a mulher, que prefere não ser identificada.

Ela também diz que se sentiu atraída por causa do acolhimento diferenciado. “Aqui somos recebidas com amor e atenção. A sensação é de sermos uma família”, expõe.

“Eles me acolheram porque eu estava precisando muito, e faz diferença para mim”, assume outra mãe, que também prefere não se identificar. “Já passei por outras casas e posso dizer que, se for comparar, dá para ver que o atendimento não é o mesmo”, observa.

Diferentes situações

A associação é procurada por mulheres de diferentes condições financeiras e faixas etárias, e até mesmo moradoras de outros estados, como São Paulo. “Não obrigamos mulher nenhuma a não abortar. Nós apenas prestamos o serviço de ajuda”, destaca o administrador Areolino Dias. Ele também comenta que existem critérios para entrar no abrigo. “Damos preferência para quem passou por situações críticas, como abandono, ameaças de companheiro, estupro ou quando a família mora longe e a mulher não tem lugar para ficar”, destaca o administrador.

Dias relata que a rede de segurança é importante para a saúde da mãe, mesmo nos casos em que a opção pelo aborto é concretizada. “A mulher que aborta tem uma carga emocional muito grande, e ela pode carregar isso pelo resto da vida”, alerta. “Nós nos preocupamos muito com essa questão, porque não é só a criança que é retirada do útero. A mulher também se condena, sofre, e elas precisam de acompanhamento”, frisa.

A associação não possui vínculos governamentais, e, de acordo com Dias, as despesas mensais são estimadas em R$ 30 mil. Nesse valor são incluídos gastos com água, luz, alimentação, aluguel, brinquedos, materiais de limpeza, higiene pessoal e pagamento de funcionários.

Para ajudar a equilibrar as contas, a associação promove um bazar comunitário. Eles recebem doações de roupas e objetos da comunidade e alguns deles são colocados à venda no local. “Toda ajuda é bem-vinda”, destaca Iraci Ribeiro, responsável pelo bazar.

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