Ainda que seja um dos locais mais seguros do Distrito Federal, o Sudoeste também tem problemas. No Setor de Oficinas, os comerciantes reclamam da insegurança e da falta de policiamento e apontam a presença dos moradores de rua como a principal causa dos transtornos trazidos a empresários, funcionários de lojas e moradores da região.
Há cerca de um ano, os funcionários de uma oficina foram rendidos e o estabelecimento sofreu uma baixa nas finanças. Segundo o dono, Edilson Pardal, por volta das 18h, quatro homens armados renderam os funcionários e levaram computadores, celulares, diversas ferramentas e até um carro, que mais tarde foi encontrado queimado.
Após o assalto ele registrou a ocorrência na polícia e os objetos roubados foram encontrados sendo vendidos em uma feira na Região Administrativa de Ceilândia. “Entraram e roubaram muita coisa. Hoje, adoto algumas medidas para evitar que isso volte a acontecer. Aqui, por exemplo, é muito arriscado deixar a loja funcionando após as 18h, quando anoitece. O sol começa a ir embora, todos já fecham as portas. É bom não arriscar” afirma Pardal.
Assim como ele, um empresário do ramo de autopeças também tem problemas em manter a loja longe dos marginais. Mesmo que ainda não tenha sofrido nenhum assalto, ele conta que, por inúmeras vezes, tentaram arrombar sua loja. “Nunca fui assaltado, mas já sofri algumas tentativas. Mas, como moro aqui, consigo evitar. Quando ouço algum barulho, acendo a luz ou saio para ver o que é, e acabo afastando os bandidos. Já peguei gente tentando arrombar minha porta, roubando gasolina e até peças dos carros”, conta.
Em uma área próxima ao Setor de Oficinas, um grupo de mendigos levanta acampamento. E é a presença deles a principal reclamação dos comerciantes. Donos de lojas dizem que, marginais se misturam a eles para cometer crimes pela região.
Problemas maiores à noite
A major Ana Paula, comandante do 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM), confirma que a presença dos moradores de rua é a principal causa da insegurança no local. “Colocamos o nosso serviço de inteligência para investigar a área e constatamos que a principal razão é a presença dos moradores de rua e das drogas que são passadas por eles. Entretanto, fazemos um trabalho conjunto com os órgãos competentes para a retirada dessas pessoas, e estamos conseguindo”, assegura.
Ela explica que o Setor de Oficinas é uma área que cresceu muito e isso também contribuiu para que aumentasse a sensação de insegurança das pessoas. “Com o crescimento, as pessoas tendem a ficar com uma maior sensação de insegurança. E isso acontece nessa área. Mas, trabalhamos com o patrulhamento 24 horas na região para evitar as ocorrências”, explica.
Segundo o administrador do Sudoeste, Marcelo Siciliano, a segurança é uma preocupação primordial no Sudoeste. “Temos problemas com moradores de rua porque junto deles se infiltram traficantes e assaltantes. Mas, nós temos o apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil, e isso vem sendo essencial para mantermos o Sudoeste como um local seguro”, afirma Siciliano.
patrulhamento
Com o patrulhamento feito no local, ainda assim muitos comerciantes reclamam da ausência das viaturas. “Eu nunca tive problema aqui na minha loja mas, se tiver, irá acontecer porque policiais não passam aqui. Principalmente à noite.
Mesmo com as reclamações insistentes de alguns moradores. Há aqueles que não se sentem ameaçados no local. É o caso de Luciana Braga, funcionária de uma loja de autopeças. Ela considera o local seguro e diz que nunca sofreu tentativa de assalto. “Não sinto toda essa insegurança. Claro que tomo alguns cuidados. Mas acho que existem locais piores”, opina.