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Brasília

Com pincel, tinta e telas, projeto ajuda jovens e adultos a largar as drogas

Arquivo Geral

28/05/2011 17h20

Pincel, tintas e tela. É com esses utensílios que algumas pessoas de São Sebastião estão traçando um novo caminho para a própria vida. Por meio do Projeto Metamorfose – Cidadão com Profissão, os jovens trocam a bebida, a droga ou até mesmo as ruas inseguras pela cultura. O letrista (pinta faixas) José Nilton da Silva, 43 anos, é um desses exemplos.

 

Mais conhecido como Deca, José veio da Bahia para Brasília em 2000 e se instalou em São Sebastião. Sem conhecer o local, ele foi trabalhar em uma agropecuária e passou momentos difíceis com a família, que chegou a dormir até mesmo no chão. Com tantos problemas, o  vício pelo álcool ficou ainda mais agravado. Deca conta que chegou a acordar na sarjeta e a trabalhar embriagado. “Minha família pediu para eu optar: ou a garrafa ou a família. Meus filhos tinham medo de mim”, diz.

 

Foram 18 anos de vício. Ele conta que chegou a tomar até mesmo álcool, pois achava que cerveja era coisa de pessoas fracas. Depois de ir ao fundo do poço, o letrista conheceu o projeto coordenado pelo arte educador Francisco Bastos da Costa, o Chico. Deca conta que já tinha um curso de desenho, mostrou para o professor Chico  e iniciou as aulas de pintura.  “Eu comecei a ver o colorido da vida”.

 

Com olhos cheios de água, Deca conta que há oito anos está sem beber e fumar. E, com orgulho, afirma que conseguiu outro rumo para a vida graças aos puxões de orelha do professor. “Eu vivia fora da sociedade, só na beira do balcão. Agora a vida ficou colorida e muito mais feliz”. Hoje, José Nilton é letrista em casa, um dos melhores de São Sebastião, afirma o professor.

 

Deca conta ainda que, além disso, tem prazer em ajudar os outros a saírem do buraco como ele. “O Chico foi uma luz para mim. Quero ajudar sempre”. Segundo ele, essa é uma forma de dar oportunidade às pessoas. 

 

Orgulho

Deca foi um dois três mil beneficiados com o programa, que existe desde 1997. O professor Chico conta ainda, com orgulho, que  Deca é um dos 800 que se tornaram profissionais em São Sebastião e já trabalham por conta própria. “É gratificante ver os meu alunos passando com um carro novo e saber que tudo foi pelo projeto”.

 

Mesmo com tanta satisfação, o professor afirma que nem tudo foi fácil. No ano passado ele perdeu a ajuda que recebia. E precisou largar às pressas o local onde tinha o ateliê e ajudava mais de 60 pessoas. No desespero, ele pegou as economias que tinha e construiu um local para abrigar as pinturas e continuar as aulas. Foi assim que nasceu o novo Ateliê Metamorfose e o Painel Apocalipse com mais de cem metros quadrados de pintura. Deixando de lado o sonho, inclusive, da mulher, que queria a reforma da casa.

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