Menu
Brasília

Codeplan traça perfil do afroempreendedor no DF; mulheres têm menor participação

Arquivo Geral

30/11/2016 7h00

Atualizada 29/11/2016 22h27

Homens ganham até R$ 1,7 mil a mais que mulheres. Foto: Divulgação

Homens negros jovens têm maior índice de participação em empreendedorismo do que as mulheres da mesma faixa etária. No geral, a taxa de desocupação da população afro é alta. É o que mostra o estudo Perfil do Afroempreendedor no Distrito Federal, da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), que confirma a relação entre concentração de população negra nas periferias com rendimentos mais baixos.

Saiba mais

  • O levantamento cruzou dados das pesquisas Distrital por Amostra de Domicílios 2013 (Pdad), da Codeplan; Nacional por Amostra de Domicílios, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos (Dieese).
  • Jovens negros, que têm, nacionalmente, 2,5 vezes mais chances de serem mortos do que os brancos. No Distrito Federal, o índice sobe para 6,5 vezes.

A análise levou em consideração dois perfis de empreendedores: por oportunidade e por necessidade. O primeiro está relacionado aos que possuem maior renda e escolaridade. Essa característica se destaca para pessoas em atividades formalizadas, com personalidade jurídica constituída e contribuintes da previdência.

Já o empreendedor por necessidade aproxima-se das condições dos trabalhadores informais, submetidos a situações de vulnerabilidade social. No caso dos homens negros, a pesquisa encontrou maior taxa de participação de jovens, resultado de uma situação que os obriga a contribuir com a renda familiar.

Diferença na renda

Quanto às mulheres negras, a diferença de rendimento chega a R$ 1,7 mil a menos comparada aos homens.

A importância do estudo está em mostrar ausências de empreendedorismo em segmentos da população. “Os dados, muitas vezes, trazem pouca informação sobre o perfil do empreendedor hoje. Mas nós temos uma informação de quem está fora do mercado e onde nossas políticas podem focalizar”, explica a diretora de Estudos e Políticas Sociais, Ana Maria Nogales.

A pesquisa, portanto, a seu ver, é essencial para formulação e implementação das políticas afirmativas. “A gente pode fundamentar agora a interlocução com as redes sociais de empreendedores negros”, explicou o subsecretário de Igualdade Racial, Victor Nunes.

Ele destaca as dificuldades estruturais que o afroempreendedor encontra para seguir com a atividade. “A gente sabe que, mesmo não sendo por necessidade, o empreendedor negro enfrenta uma série de dificuldades. O racismo, muitas vezes, não permite o acesso dele aos espaços e, quando consegue, sente dificuldade em comercializar os produtos”, explica Nunes.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado