Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br
Como previsto desde dezembro, o passageiro que optar por despachar bagagem poderá pagar mais caro pela viagem a partir da próxima semana. Aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o aumento da tarifa teve repercussão imediata entre os clientes. Não por acaso, tem empresa aérea que já se posicionou contra o reajuste e garantiu que não cobrará a mais pela passagem, divergindo das demais empresas.
É o caso da Azul. Em nota, informou que permanecerá com a franquia de 23kg de bagagem em voos domésticos e manterá os preços praticados atualmente. No entanto, a companhia terá uma nova opção com valores reduzidos para quem não irá despachar. Ainda assim, caso o cliente mude de ideia, poderá incluir o serviço de bagagem a qualquer momento por R$ 30.
“Continuaremos com os mesmos serviços, a mesma franquia de 23kg de bagagem e as mesmas facilidades que temos hoje. Nosso diferencial é que, em alguns voos, nossos clientes poderão optar por uma tarifa mais barata ao não despachar suas bagagens” diz o presidente da Azul, Antonoaldo Neves.
Em contrapartida, companhias como Latam e Gol assumiram que vão aderir às mudanças tarifárias. Todas as empresas seguirão a nova regra para as bagagens de mão, que passam de 5 kg para o dobro do peso, o que deverá estimular o público a escolher, quando possível, apenas essa opção. Nestes casos, as empresas prometem oferecer alternativas mais baratas.
De acordo com a Latam, durante os próximos meses, o despacho da primeira mala de 23kg ainda será gratuito e a cobrança acontecerá apenas sobre o excesso. “Queremos dar tempo ao cliente para que se acostume com nossos novos procedimentos antes de iniciar a cobrança da primeira mala em voos domésticos”, explica a diretora de marketing da empresa no Brasil, Adriana Gomes.
Em um futuro próximo, a empresa passará a cobrar R$ 50 pela primeira bagagem e R$ 80 pela segunda nos voos domésticos. Já nas viagens para a América do Sul, a Latam vai cobrar US$ 90 pela segunda mala.
A GOL também anunciou uma classe tarifária mais barata para os passageiros que não despacharem, mas acena com a opção de adquirir a franquia de bagagens, que será calculada por volume despachado, caso seja necessário. Segundo a companhia, os valores da unidade, que ainda serão definidos, crescerão de acordo com a quantidade de malas. A primeira será mais barata que a segunda, que será mais em conta do que a terceira e assim por diante.
“Quando a medida que permite a franquia de bagagens entrar em vigor, ela intensificará a concorrência entre as companhias aéreas brasileiras, beneficiando os consumidores. A exemplo do que aconteceu após a liberdade tarifária das passagens aéreas, em 2001, permitindo a queda no preço das tarifas e, consequentemente, a democratização do setor aéreo no país”, opina o presidente da Gol, Paulo Kakinoff.
O JBr. procurou a Avianca, mas não recebeu resposta até esta publicação.
Saiba mais
- O Ministério Público Federal (MPF), em São Paulo, entrou com uma ação civil pública na Justiça pedindo que sejam anuladas liminarmente as novas regras da Anac que autorizam as companhias aéreas a cobrar taxas para o despacho de bagagens, previstas para entrar em vigor a partir da próxima terça-feira. No pedido, a Procuradoria da República afirma que a cobrança fere os direitos do consumidor e “levará à piora dos serviços mais baratos prestados pelas empresas”. Atualmente, os passageiros têm o direito de despachar itens com até 23 kg e dois volumes de 32 kg cada em viagens internacionais sem pagar taxas extras. Na cabine, os consumidores podem levar bagagens até 5 kg.
Viajantes se revoltam
O aumento das passagens que incluem o despacho de bagagem foi duramente criticado pelos clientes. Ontem, no Aeroporto Internacional de Brasília, muitos passageiros afirmaram que vão mudar hábitos para tentar economizar. “Sou do Amapá, mas venho trabalhar em Brasília toda semana. Apesar da minha mala ser pequena costumo despachar para ter conforto maior ao me deslocar no aeroporto. Agora, terei de levar na mão e baixar o peso até 10kg. Me recuso a pagar mais caro do que já pago. É absurdo. Viajar está cada vez mais cansativo”, relata a funcionária pública Aurea Brito, 53 anos.
Colega de trabalho de Aurea, o funcionário público Cleber Romeo Monteiro, 52, compartilha da mesma indignação. “Claramente, o consumidor está pagando pelo rombo das companhias aéreas. O problema é que isso não volta em benefício para o passageiro, volta em forma de custos adicionais”, acrescenta.
Pai do Lucca, de seis anos, o especialista em banco de dados Alexander Borges, 36, também criticou o reajuste. “Apesar de morar aqui, trabalho em São Paulo e sempre levo meu filho comigo. É impossível viajar com criança apenas com bagagem de mão. Infelizmente, terei que gastar mais. Normalmente, levo duas malas”, conclui.