João Paulo Mariano
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São dois anos com bons resultados, mas com o mínimo de estrutura. O Centro Interescolar de Línguas (CIL) de Planaltina funciona desde 2015 com estrutura improvisada e, segundo a Secretaria de Educação, ainda deve continuar assim por um tempo. Enquanto isso, os 672 alunos só podem ter aulas no período noturno por dividirem o espaço com uma escola de ensino regular.
O CIL era uma demanda antiga da cidade já que, antigamente, o centro mais próximo ficava a 23km, em Sobradinho. A chegada do espaço em Planaltina foi a oportunidade de estudantes como Thayane Gonçalves, 18, conseguirem tornar-se bilíngues sem os custos de um curso particular, em média R$ 300,00 ao mês. Ela está no quinto semestre de espanhol e também faz inglês.
Mesmo gostando muito de estudar línguas estrangeiras, Thayane se incomoda com a estrutura do local. “Só pode ter um turno porque a escola é utilizada em outros. Tudo tem que ser removível”.
O CIL está em um ambiente provisório, desde 2015, no Centro de Ensino Fundamental 08, localizado na entrequadra 3 e 4 da Vila Bu ritis. Durante o dia, há aulas do 1º ao 9º ano na escola, assim sobra apenas o horário noturno para quem vai estudar línguas.
A diretora do CIL, Flávia Rodrigues, explica que a Secretaria de Educação escolheu o espaço por ser centralizado, ter fácil acesso e não ter aula no período da noite. A promessa era que fosse provisório, mas até hoje todas as tentativas de mudança de espaço não tiveram sucesso. Em setembro de 2015, a direção pediu a administração um terreno onde uma estrutura fosse construída. A resposta foi positiva. A Administração de Planaltina cedeu um terreno de 3.600m², mas o projeto não foi para a frente.
“A secretaria disse que não tem dinheiro. Deputados federais e distritais já visitaram a escola e disseram que fariam emendas parlamentares. Mas, tem que ter um projeto arquitetônico para continuar”, afirma o vice-diretor da escola, Antônio dos Santos.
A segunda tentativa foi no início deste ano. A diretora Flávia pediu à Secretaria que a nova sede fosse em algum prédio melhor preparado, mesmo que fosse alugado. Não houve resposta. A última possibilidade é que, após a reforma do prédio onde ficava a Prefeitura Velha, o CIL ocupe algumas salas do espaço. Porém, a revitalização do espaço, que é tombado como Patrimônio Histórico da cidade, ainda nem começou.
Livros e máquinas encaixotados
Apesar da dificuldade estrutural, a direção da escola tenta, de todas as maneiras, oferecer o necessário para que os alunos tenham sucesso com o aprendizado, até mesmo aumentando o número de estudantes. Em 2015, eram 480 pessoas, neste ano, foram 672. Leonardo Alcântara, 18, entrou na primeira leva de alunos e passou por todas as complicações por falta de espaço.
O jovem curtiu tanto o estudo de idiomas que escolheu cursar Relações Internacionais na faculdade. Ele afirma que se sente mais livre para falar e ter contato com estrangeiros depois do estudo do inglês.
A reclamação de Leonardo é que a falta de estrutura dificulta o sucesso com o aprendizado. Ele lembra que não é possível utilizar computadores ou livros. A área administrativa do CIL de Planaltina funciona no pátio, por meio de divisórias, com cinco pessoas, mesas e várias caixas. Os computadores, que poderiam estar em uma sala de informática, estão encaixotados em estantes. Os livros doados estão parados em caixas de papelão.
De acordo com levantamento da direção da escola, cerca de 3 mil pessoas moram em Planaltina e estudam em outra unidade do CIL. Só o gasto do GDF seria de R$ 192 mil com passes estudantis, assim a abertura de mais vagas para a cidade traria economia para os cofres públicos.
Versão oficial
De acordo com o subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação, Fábio Pereira de Sousa, ainda não há previsão para a construção de uma sede fixa para o CIL, apesar de ter ocorrido a cessão de um terreno.
Fábio lembra que, de 2015 para cá, houve um grande avanço em relação a quantidade de CILs: de oito pulou para 15 unidades.
O subsecretário diz que houve um acordo com a comunidade dessas cidades e foi decidido que os centros começariam sem estrutura fixa, mas que até 2018, iriam ser conseguidas modificações nesses espaços. Ele comenta que o Instituto Federal de Brasília (IFB) cedeu parte da estrutura para o CIL, mas que a comunidade não aceitou devido a distância do centro. Fábio garante que até 2019 haverá uma nova estrutura para o CIL. Hoje, são cerca de 45 mil estudantes em 15 centros.