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Brasília

Chefes de ‘departamentos’ e atuação em 14 setores da economia: veja quem manda no PCC

Redação Jornal de Brasília

12/05/2026 6h06

Foto: Sérgio Lima / AFP

Fazia 20 anos que o Primeiro Comando da Capital (PCC) existia quando, em 2013, o promotor Lincoln Gakiya entregou à Justiça o resultado da maior investigação criminal até então realizada pelo Ministério Público de São Paulo contra a facção. Com 876 páginas, a denúncia acusava de formação de quadrilha 175 integrantes da facção — o crime de organização criminosa só passaria a existir mais tarde, naquele mesmo ano de 2013. Centenas de horas de escutas telefônicas e milhares de documentos mostravam um grupo que se nacionalizava por meio de contatos com outras facções e aplicava o discurso de que “o crime ajudava o crime”.

Na época, os paulistas dirigiam um grupo com 7,6 mil integrantes, que faturava R$ 120 milhões por ano e estava presente em 22 Estados e três países. Era o começo da internacionalização da facção, desde que entrara, em 2007, no tráfico internacional de drogas.

Passados mais de dez anos, o PCC fatura R$ 10 bilhões por ano, alcançou todas as Unidades da Federação e está em 28 países, reunindo um exército de 40 mil homens e mulheres. Seu modelo de gestão do crime e proteção dos criminosos permanece organizado em torno de um colegiado liderado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, preso desde 1999 e que atualmente cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília. Trata-se da chamada Sintonia Final Geral e de seu principal órgão de apoio, a Sintonia Final, conforme as informações reunidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A reportagem não localizou as defesas dos acusados.

Marco Willians Herbas Camacho

  • Marcola
  • Assumiu o comando do PCC após expulsar os fundadores do grupo; está condenado a mais de 300 anos de prisão. Sua defesa nega os crimes

Julio César Guedes de Morais

  • Julinho Carambola
  • Um dos mais longevos integrantes da cúpula do PCC, Carambola foi apontado como o nº 2 do grupo e teria ligações com o tráfico de drogas

Cláudio Barbará da Silva

  • Barbará
  • Ladrão de banco e de joias, foi responsável por vários planos de fuga da cúpula da facção, um deles usaria um helicóptero blindado

Reinaldo Teixeira dos Santos

  • Funchal
  • Autor dos tiros que mataram o juiz-corregedor Antônio Machado Dias, em março de 2003, executado pela facção

Antônio José Müller

  • Granada
  • Alvo da Operação Ethos, que investigou a Sintonia dos Gravatas, o setor jurídico do PCC, é acusado de chefiar cooperativa de perueiros

Eric Oliveira Farias

  • Eric Gordão
  • Alvo da Operação Ethos, que investigou a Sintonia dos Gravatas, o setor jurídico do PCC, foi condenado a 30 anos de prisão

Márcio Luciano Neves Soares

  • Pezão
  • Estava envolvido no plano de fuga da cúpula da facção que levou à transferência de Marcola e outros 17 para presídios federais

Marcos Roberto de Almeida

  • Tuta
  • Preso na Bolívia e extraditado para o Brasil, era o chefe da Sintonia das Ruas; pagou R$ 5 milhões em propinas a policiais da Rota

Patrick Velinton Salomão

  • Forjado
  • Deixou o presídio federal de Brasília em 2023 com a missão de executar o senador Sérgio Moro e o promotor Lincoln Gakiya

Francisco Antonio Cesário da Silva

  • Piauí
  • Primeiro preso paulista a ser enviado a um presídio federal, em 2012, Piauí era o chefe do tráfico na favela de Paraisópolis

Pedro Luís da Silva Soares

  • Chacal
  • Acusado pela polícia de ter dado a ordem para que o ex-delegado-geral de São Paulo Ruy Ferraz Fontes fosse assassinado, em 2025

Décio Gouveia Luiz

  • Décio Português
  • Investigado na Operação Fim da Linha, ele teria lavado dinheiro da facção na empresa de ônibus UPBus; é homem de confiança de Marcola

Sérgio Luiz de Freitas Filho

  • Mijão
  • Arquiteto do plano para matar um promotor do Gaeco, em Campinas, vive na Bolívia e é um dos principais traficantes de droga da facção

Genivaldo Ferreira dos Santos

  • Fazendinha
  • Um dos principais responsáveis pela logística do transporte de cocaína da Bolívia para São Paulo, foi preso em 2025

Antonio Alves de Oliveira

  • Dudu
  • Apareceu pela primeira entre os integrantes da Sintonia Final em 2025 depois de compor a Sintonia das Ruas

Neste 12 de maio, completam 20 anos dos ataques do PCC contra as forças de segurança em São Paulo. Como o Estadão mostrou, o Estado reagiu e a onda de mortes violentas se estendeu até o dia 21 daquele mês. Conforme o Ministério Público de São Paulo (MPSP), 564 pessoas morreram e quatro desapareceram. Das vítimas fatais, 59 eram agentes de segurança, entre policiais militares, civis, agentes carcerários e guardas municipais, e 505 eram civis. Houve ainda quatro civis desaparecidos e 110 pessoas ficaram feridas por armas de fogo.

Desde aquele maio de 2006, o PCC só cresce e o Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) identificou 12 sintonias do crime e um setor mantido pela facção. Dois deles mostram a evolução do PCC: a Sintonia da Internet e Redes Sociais e o Setor do Raio X, espécie de corregedoria ou “compliance” dos bandidos. Ao mesmo tempo, a facção atuaria em 14 setores da economia: postos de gasolina, agências de automóveis, construção civil, casas de câmbio, bancos digitais (fintechs), criptoativos, empresas de ônibus, igrejas, mineração ilegal, ONGs da saúde, coleta de lixo, bets, agrotóxicos e empresas ligadas ao futebol.

Os números envolvendo movimentações financeiras investigadas pelo Gaeco e pelas Polícias Civil e Federal tratam de evasão, ocultação de bens e lavagem de dinheiro repetidamente, de valores acima da cifra de R$ 100 milhões, e não raro ultrapassam a casa do bilhão, como no caso de operações como a Carbono Oculto (R$ 46 bilhões), Colossus (R$ 61 bilhões), Tai Pan (R$ 119 bilhões) e Alcaçaria (R$ 25 bilhões), quando o dinheiro do crime organizado se mistura com o de outras atividades ilícitas, como a corrupção, a sonegação de impostos e fraudes financeiras.

Estadão Conteúdo

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