Raphaella Sconetto
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Na véspera do Dia de Finados, 50 mil brasilienses foram aos cemitérios e encontraram dificuldades de acesso. A situação deve piorar hoje, quando, segundo a Polícia Militar, até 800 mil pessoas são esperadas nas seis unidades em todo o DF. No Setor Policial Sul, por exemplo, a via que dá acesso ao Campo da Esperança, na 916 Sul, foi bloqueada, pois a polícia já havia iniciado a operação de trânsito especial para o feriado.
Saiba mais
- Em Brazlândia e Planaltina não será permitido entrar com os carros por falta de espaço. Nos outros quatro cemitérios, apenas motoristas que tenham autorização de vaga especial – idosos e pessoas com deficiência – poderão entrar nos cemitérios.
- A concessionária que administra todos os cemitérios, Campo da Esperança Serviços Ltda., afirmou em nota que disponibilizará vans gratuitamente para os visitantes.
Para fugir do tumulto, o motoboy Emerson Miranda, de 27 anos, preferiu visitar o túmulo da mãe e da sogra ontem. “No dia fica muito lotado, não dá para entrar com o carro e achar estacionamento do lado de fora é mais complicado”, explicou. Conforme a PMDF, outras 50 mil pessoas tentarão fugir da aglomeração durante o feriado e comparecerão aos cemitérios na quinta-feira.
Segundo o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), apesar do grande público, as linhas de ônibus que passam pelos seis cemitérios não serão reforçadas, a menos que haja demanda. A escala de feriados será mantida e, portanto, apenas 40% da frota está programada para rodar.
Para alguns frequentadores, a solução para desafogar o fluxo é a criação de mais espaços no Distrito Federal. “Precisa de mais lugares, pois em datas como essa ficam lotados. Mas não é só isso, os nossos cemitérios precisam de mais atenção também, está tudo largado”, reclama a aposentada Diná Lima, de 66 anos.
A Agência de Fiscalização do DF (Agefis) também vai trabalhar na área externa dos seis cemitérios, com equipes em postos fixos. O órgão vai coibir o comércio ambulante irregular.
Isolados e pouco visitados
A aparência não causa desconforto apenas nas áreas mais frequentadas. Escondidos sob uma árvore, isolados do restante, o campo dos desconhecidos revela até ossos de seus antigos ocupantes. Na área destinada aos enterros sociais do Campo da Esperança na Asa Sul, valas comuns e flores mortas são a única decoração.
Versão oficial
Na área externa dos cemitérios, o controle do trânsito será feito pela Polícia Militar do DF e pelo Detran-DF. Além disso, a empresa concessionária aumentará o número de vigilantes no feriado.
O Corpo de Bombeiros do DF distribuirá, nos seis locais, efetivo de aproximadamente 500 militares.
As ambulâncias farão rondas periódicas, segundo a corporação.
Conforme a Secretaria adjunta de Desenvolvimento Social, 182 pessoas foram enterradas nestas condições este ano, uma média de 18 ao mês. A pasta informa que 10% da área de todos os cemitérios é reservada aos chamados indigentes. Esse percentual foi estabelecido ainda em 2002, no acordo para a concessão dos terrenos à Campo da Esperança Ltda., que administra os espaços.
Manutenção
Sem visitantes frequentes para fazer a manutenção da lápides simples ou da grama ao redor, o chão revirado contrasta com as lápides bem lustradas ao redor. Só quem frequenta o local são os jardineiros que prestam serviço lá dentro e os funcionários do lugar.
Mesmo assim, é possível observar alguns jarros de flores próximas aos túmulos simples e sem qualquer adorno.
Serviço:
- Os cemitérios contarão com um horário exclusivo para o feriado de Finados.
- Os portões serão abertos às 7h, uma hora antes do convencional, e o acesso será permitido até as 19h, uma hora depois do normal.