Ao som do Balão Mágico, Eliana, Patati-Patata e Xuxa, as 30 crianças que moram atualmente a Casa Abrigo tiveram um dia excepcional. Abrigadas em um ambiente que lhes garantem proteção contra a violência, nesta quarta-feira (14), elas foram presenteadas com uma festa do Dia da Criança, organizada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejus), por meio da Coordenação para Assuntos da Mulher.
O evento contou com uma série de brincadeiras, palhaços, brinquedos infláveis, pula-pula, piscina de bolinhas, além de um lanche farto de guloseimas e muitos presentes. Todos adquiridos por meio de uma campanha de doação de brinquedos, promovida pela Coordenação para Assuntos da Mulher. “Me surpreendi com a solidariedade da população. Arrecadamos mais de dois mil brinquedos”, informou a coordenadora, Valéria de Sousa.
Violência doméstica
As crianças da Casa Abrigo acompanham as 14 mães que carregam um histórico de violência doméstica. Agressões que atingiram inclusive duas grávidas que aguardam o nascimento de seus bebês sob a proteção do novo lar. Segundo o secretário de Justiça, Alírio Neto, essa festa foi uma forma de oferecer a essas crianças um momento diferente da realidade.
As histórias de violência surgem dos mais variados pontos da cidade. De Taguatinga veio Sandra, 34 anos, e seis filhos. De Ceilândia chegou Rosana, 35 anos, e seis filhos. Ambas atribuem à bebida e às drogas, as ameaças e a violência sofrida dentro de casa. Diana, 38 anos, e três filhos, saiu do Riacho Fundo e se afugentou no abrigo para se proteger da violência provocada por um ciúme exacerbado do marido. Na casa abrigo, o sentimento de segurança é comum entre todas elas. “Aqui a gente vive sem medo”, afirmou Sandra. As outras refugiadas concordaram fazendo um movimento positivo com a cabeça.
Por um longo momento, essas histórias perderam lugar para a alegria de viver com paz e em comunhão. As crianças brincaram exaustivamente, se misturaram entre os palhaços, pintaram borboletas na face, sentaram no chão para ouvir histórias e, atentamente, atenderam ao chamado para receber muitos presentes. Alexandra, 5 anos, precisou do auxilio das irmãs mais velhas para carregar. “Foi a melhor festa que tive”, confessou a pequena. O inquieto Rômulo, de 4 anos, não quis conversa. Estava encantado com a bola que ganhou.
As quase 50 pessoas que estão provisoriamente na Casa Abrigo convivem como uma família organizada. Com horários, tarefas, colaboração, solidariedade e respeito. O prazo de permanência das vítimas na casa é de três meses. Mas, dependendo da necessidade, esse prazo pode ser estendido, a exemplo de Marina. Com 19 anos e três filhos, ela está no abrigo há 16 meses.
Sob a responsabilidade da Secretaria de Justiça, a Casa Abrigo é um espaço criado pelo Governo do Distrito Federal para acolher mulheres vítimas de violência doméstica, maus tratos ou que se encontram em situação de risco. Elas são encaminhadas ao local pela Delegacia da Mulher ou por ordem judicial. Além da Casa Abrigo, a Sejus mantém, em parceria com o Ministério Público do Distrito Federal, nove núcleos de atendimento ao agressor e à família vítima de violência.