Manuela Rolim
manuela.rolim@jornaldebrasilia.com.br
“Fiz isso porque a gente estava infeliz. Estou me tremendo. Não sei se vou terminar de escrever. Desculpa a dona Raimunda. Ela que pediu para a gente partir juntos. Estou tomando remédio para me matar”. A declaração teria sido feita por Cleonilson Sousa Nicodemos, 34 anos, em forma de bilhete, momentos antes de morrer e de, supostamente, assassinar a esposa Jordana Batalha Monroe, 30, segundo a Polícia Civil. Os corpos do casal foram encontrados dentro da casa onde eles moravam, na QNO 5 de Ceilândia, por volta das 9h de ontem.
Inicialmente, depois de analisar a cena do crime, a corporação trabalha com a hipótese de homicídio seguido de suicídio. A dona de casa estava caída ao lado da cama com um pano preso ao pescoço, possivelmente usado para asfixiá-la, enquanto o motorista foi encontrado enforcado. Agora, a polícia deve instaurar um inquérito para investigar o caso.
De acordo com a instituição, apesar de ter sido localizado ontem, o casal estaria morto há mais tempo. Isso porque, ao procurar a 24ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), o cunhado da vítima informou que seu irmão e a esposa estavam desaparecidos desde a última sexta-feira. A família contou ainda que tentou entrar em contato com ambos, via telefone, mas não conseguiu. Depois disso, decidiram ir até a residência deles.
Ao chegarem ao local, os parentes se depararam com o carro de Cleonilson estacionado no lado de fora da casa e não dentro da garagem, como era de costume. Foi então que decidiram pedir apoio aos agentes para verificar a situação.
Sem histórico violento
O fato surpreendeu a todos, em especial a mãe do motorista, que, segundo vizinhos, estava no momento em que a corporação deu a notícia.
“Os familiares relatam que nunca se teve notícias de violência doméstica envolvendo o casal”, reforça a comunicação da PCDF.
Maranhenses, os dois residiam no endereço há pouco tempo e estavam casados desde junho do ano passado. “Tinha uns cinco meses que eles moravam aqui, na parte de trás da minha casa. A parede do quarto e do banheiro dela era grudada na minha. Nunca ouvi nenhum briga, eles pareciam ser muito tranquilos”, conta uma vizinha e proprietária da quitinete onde o casal vivia de aluguel.
Surpresa na vizinhança
Segundo a dona da residência onde o casal vivia, era raro ver os dois na rua. “Meu contato era no dia do pagamento. Aliás, quitavam sempre em dia. Eles passavam aqui para pegar as contas de água e de energia sem atraso. Tudo certinho. Fiquei surpresa quando soube da morte. A moça era linda demais e muito simpática. Estou achando que isso tem a ver com ciúmes”, acrescenta a vizinha.
Ela ressalta que os inquilinos eram pais de uma menina de aproximadamente três anos. A garota está sob os cuidados dos avós.
Constatação
Ontem pela manhã, a mãe de Cleonilson tocou a campainha dela para pedir a chave reserva da quitinete. “Ela chegou dizendo que os dois estavam sumidos e que não atendiam o telefone. O cunhado também estava presente. A polícia já estava aí, esperando a chave para abrir a casa. Não deixaram a família entrar, mas deram a notícia em seguida. A mãe ficou desesperada”, completa a mulher.
Reservados
Outro vizinho destaca o mau cheiro depois que os agentes entraram na residência. “Estava muito forte. A sorte foi que a criança estava com a avó. Eles eram muito reservados. Chegavam e entravam rapidamente”, destaca.
Outra moradora da região também se mostrou surpresa com a notícia. “Uma vez, o namorado da minha irmã encostou o carro no dele. Ele nos desculpou e teve uma reação bastante tranquila. Fora isso, não sei dizer mais nada. Não tínhamos contato com o casal. O que eu posso dizer é que a beleza dela impressionava”, concluiu a vizinha.
Saiba mais
Na mesma residência onde o casal morava, outro inquilino morreu em novembro do ano passado, só que no andar de cima. Segundo a proprietária da quitinete, o casal que vivia no local viajou e deixou a filha e o genro na residência. O homem se envolveu em uma confusão e morreu. Os dois casos não têm relação.