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Brasília

Campanha pela liberdade de impostos gera longas filas em postos de combustíveis do DF

Arquivo Geral

01/06/2017 14h47

Antônio Cruz/ Agência Brasil

A 9ª edição da campanha do Dia da Liberdade de Impostos (DLI) no Distrito Federal provocou longas filas de carros em postos de combustíveis participantes. Com o objetivo de conscientizar a população sobre a alta carga tributária do Brasil, os consumidores puderam comprar a gasolina a R$ 2,14 o litro, livre de impostos. Entretanto, tiveram que enfrentar uma longa espera. Ao todo, três postos de uma mesma rede participaram da campanha, sendo um na Asa Norte, um na Asa Sul e um em Taguatinga. Foram disponibilizados 45 mil litros de gasolina aos consumidores. Já no final da manhã, cerca de mil condutores tinham sito atendidos, totalizando 23 mil litros de combustível vendido.

O coordenador da campanha, Raphael Paganini, afirma que os altos impostos são prejudiciais tanto para os empresários quanto para os consumidores. Ainda segundo ele, os impostos que os motoristas deixaram de pagar durante a campanha serão arcados pelos próprios donos dos postos. “A população está percebendo que o tributos pagos não se transformam em serviços públicos de qualidade. Com o passar dos anos, temos percebido que as pessoas estão utilizando a campanha não somente para economizar, mas para protestar”, ponderou.

O advogado Paulo Almeida conheceu a campanha por meio das redes sociais e resolveu aproveitar a oportunidade. Ele chegou ao posto às 6 h e, até as 11h, ainda não tinha conseguido abastecer. Mesmo assim, ele disse que a espera valeu como uma forma de protesto. “Se toda a arrecadação do nosso país fosse bem distribuída, até seria justo pagar impostos altos. No entanto, isso não acontece na prática. A espera valeu mais pelo protesto do que pela economia”, confessou Paulo.

Já a funcionária pública Miriam Silva estava com a manhã livre e decidiu enfrentar a fila. Ela não conhecia a campanha e reconheceu que foi até o posto visando a economia. Mesmo assim, a servidora defende a iniciativa. “Pagamos um absurdo de impostos e não temos uma saúde, transporte e educação de qualidade. Isso é bom pra ver que existem muitas pessoas insatisfeitas com essa situação”, declarou.

O guia Tiago Minuzzi passou por fortes emoções para conseguir abastecer. Apesar de ter chegado cedo, às 6h, Tiago acabou perdendo o lugar na fila após ter diarreia e precisar sair correndo para o banheiro. Apesar do contratempo, o guia voltou para o final da fila. Tudo pelo protesto. “Acho que vale o esforço, vemos os outros países arrecadando bem menos impostos e oferecendo uma qualidade de vida bem melhor que a daqui. Isso revolta”, desabafou.

Assim que a gasolina acabar, a rede de combustíveis irá colocar à venda um carro no valor de R$ 37 mil, também livre de impostos. O preço original do veículo é de R$ 52 mil. Os participantes deverão acompanhar o painel do impostômetro, um medidor estatístico que mede todos os impostos arrecadados no Brasil em tempo real. A pessoa que der o palpite mais próximo ao valor registrado pelo
impostômetro no momento em que os estoques de combustível acabar, terá a chance de comprar o carro. Os painéis estão localizados nos três postos participantes.

Saiba mais

Dados da CDL Jovem, com base em pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), revelam que os brasileiros trabalharam 153 dias a cada ano para pagar impostos. “Nós queremos conscientizar a população sobre o excesso de impostos a pagar em comparação com os serviços disponíveis, que são ruins”, conta o coordenador da campanha DLI nacional e presidente da CDL Jovem DF, Raphael Paganini.

Ainda segundo o estudo da IBPT, 40.85% do valor cobrado em ingressos de eventos culturais são reservados ao pagamento de impostos. Desta forma, um ingresso que custa R$ 50, tem R$ 20 referente a tributos. “Além do excesso de tributação, são muitos impostos que acabam atrapalhando as empresas no Brasil”, destaca Paganini. “Isso prejudica também, o poder de compra dos consumidores”, completa.

Em relação à diferença de preços entre produtos vendidos no Brasil e no exterior, ele lembra que este encarecimento vem da tributação. “A empresa e o consumidor sofrem com os impostos cobrados, porque para importar, o produto vem para o país com um valor mais caro. Quem compra aqui, pensa: porque aqui é alto e lá fora é mais barato?”, acrescenta.

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