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Brasília

Cada vez mais bebês atrás das grades

Arquivo Geral

14/08/2011 7h24

 

Ana Paula Andreolla

ana.fernandes@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Apesar de ser considerado um dos melhores presídios do País, a Penitenciária Feminina do Gama, conhecida como Colmeia, está longe de ser um exemplo. Quem acaba sofrendo com os problemas de superlotação e de falta de infraestrutura são pequenos inocentes: os bebês encarcerados, filhos das internas, que já nascem atrás das grades.

 

 

Na Colmeia, até mesmo a ala destinada à maternidade está com  quase o dobro de sua capacidade. Com apenas 12 quartos, o ideal seria que cada quarto fosse ocupado por, no máximo, duas gestantes ou mães com suas crianças, o que daria um total de 24 mães. Mas esse número já chega a 38, e a tendência é que ele cresça cada vez mais.

 

 

“O problema é que esses bebês já nascem encarcerados. O sistema prisional segue uma metodologia de executar sentenças judiciais, e isso acaba sendo aplicado também aos filhos das detentas”, opina Rosângela Peixoto, autora da tese de mestrado Bebês Encarcerados, pela Universidade de Brasília (UnB). “Eles ficam atrás das grades, têm horários para tudo e não são acompanhados pelas pessoas corretas. É necessário que haja uma política carcerária voltada exclusivamente para essa questão”.

 

 

De acordo com Rosângela, passar os primeiros meses da vida atrás das grades, convivendo apenas com presidiárias e policiais, pode acabar sendo prejudicial para a criança. Ela diz que, durante a pesquisa que realizava para o mestrado, presenciou vários casos de crianças que tinham crises nervosas quando colocadas em contato com homens. “Elas não estão acostumadas, uma vez que passam a maior parte do tempo entre detentas. Quando surge uma figura masculina, elas se assustam e choram mesmo”.

 

 

Leia mais na edição deste domingo (14) no Jornal de Brasília.

 

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