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Brasilienses apontam falta de antibiótico nas farmácias

A reportagem recebeu depoimentos que destacam a falta de amoxicilina e azitromicina nas prateleiras do DF

Por: Elisa Costa
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O período de estiagem junto à recente frente fria que passa pelo Distrito Federal, implica no aumento dos casos de doenças respiratórias. Com isso, o Jornal de Brasília recebeu depoimentos de brasilienses que apontam a falta de antibióticos nas farmácias, principalmente de uso infantil. Em Brasília, foi identificada a falta de antibióticos como amoxicilina e azitromicina, que ajudam no tratamento dessas síndromes.

Apesar do ocorrido, o Jornal de Brasília constatou, nessa segunda-feira (23), que algumas farmácias já possuem os dois antibióticos disponíveis para compra, em regiões como Lago Norte, Sobradinho, Plano Piloto e Vila Planalto. Segundo um farmacêutico que trabalha na Área Central de Brasília e que não quis se identificar, a substância ficou em falta no local onde ele trabalha por, pelo menos, cinco dias. “Na última semana que estava muito frio, muitas pessoas vieram atrás da azitromicina e da amoxicilina. A maioria procurava os remédios para tratar sintomas gripais ou crônicos, de sinusite, por exemplo”, contou o farmacêutico.

Na rede pública de saúde, ainda há estoque de antibióticos. Existem mais de 340 mil caixas de amoxicilina em cápsula ou comprimidos de 500mg e apenas 239 unidades da amoxicilina infantil, para suspensão oral de 250mg, com frasco dosador. Existem mais de 300 mil unidades de azitromicina em comprimidos de 500mg, mas apenas 6.063 frascos da suspensão oral de 40mg. Ambas as substâncias estão na lista que aguarda por abastecimento.

A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) informou que possui processo de aquisição em andamento para todos os medicamentos usados pela pasta, contudo, alguns processos realmente foram interrompidos: “Alguns sofreram cancelamento da nota de empenho, em função do atraso, ou até mesmo da falta de entrega do medicamento por parte do fornecedor”, destacou.

De acordo com o portal InfoSaúde, é previsto o abastecimento de medicamentos importantes como: ibuprofeno (600mg e 50mg), para dor, febre e inflamações; nitrofurantoína (100mg), que trata principalmente infecções urinárias; celecoxibe (200mg) que trata dores e inchaços; paracetamol (500mg), também para dor e febre; eritromicina (50mg), para infecções do trato respiratório. Para as crianças que enfrentam crises anafiláticas e alérgicas nessa época do ano, também está na lista de abastecimento o cloridrato de prometazina de 25mg, que tem ação rápida sob os sintomas.

Entenda

Diversos locais do país também enfrentam a falta de medicamentos, como Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins e Sergipe. Especialistas da área farmacêutica acreditam que a guerra na Ucrânia também tenha afetado a distribuição.

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Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) destacou que a nova onda de covid-19 identificada na China também causou um atraso nas exportações da matéria-prima que vem para o nosso país. Além disso, o foco na produção de medicações voltadas principalmente ao combate do coronavírus, também afeta a produção das demais, que acabam sendo deixadas de lado. “O insumo que vem de fora está difícil de comprar”, contou Mena Barreto, presidente da associação.

Só em São Paulo, cerca de 40 substâncias foram dadas como ausentes em lojas e unidades de saúde, entre elas, a dipirona e o soro fisiológico. De acordo com os dados da Abrafarma, em torno de 95% dos medicamentos no Brasil dependem da matéria-prima do exterior. A queda nas importações já era esperada, contudo, não demonstra grandes preocupações para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em resposta recente à BBC News Brasil, a Anvisa explicou que não trata das relações comerciais do setor. Em casos como estes, a recomendação é que o consumidor entre em contato com o laboratório que fabrica o remédio para identificar se há estoque restante. A Lei nº 11.903/2009, por exemplo, estabeleceu o controle da produção, distribuição e comercialização de medicamentos.

Quando o produto não se encontra disponível no mercado, a empresa fabricante deve notificar a Anvisa e avisar a agência em caso de interrupção da produção definitiva ou temporária, com, no mínimo, seis meses de antecedência. Para amenizar as descontinuidades e promover transparência de informações, uma publicação no Diário Oficial da União (DOU) de 2020 determinou a coleta de informações sobre o risco de desabastecimento de produtos relacionados à vigilância sanitária.

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