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Brasília

Brasília recolheu 558,59 toneladas de resíduos eletroeletrônicos em 2025

Brasil é o quinto País que mais gera lixo eletrônico no mundo; iniciativas no Distrito Federal incentivam o descarte correto e transformam resíduos em novas oportunidades

Débora Oliveira

23/07/2026 17h15

paloma gastal

Fotos: Cedidas ao jornal

O Distrito Federal recolheu aproximadamente 558,59 toneladas de resíduos eletroeletrônicos em 2025, segundo informações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema-DF). Em 2026, até o momento, os dados ainda não foram mensurados.

Atualmente, o DF mantém 120 pontos de entrega voluntária (PEVs) para o descarte de lixo eletrônico. O número permanece no mesmo patamar dos mais de 120 pontos divulgados em 2025. A rede está distribuída praticamente por todas as regiões administrativas, embora a quantidade de pontos varie entre elas.

Entre os locais com maior concentração estão o Sudoeste, com 11 pontos, e Águas Claras, com nove. Também há pontos na Asa Norte (4), Asa Sul (3), Ceilândia (4), Taguatinga (4), Guará (2), Gama (2), Planaltina (1), Samambaia (2), Recanto das Emas (1), Santa Maria (1), Lago Sul (1), Lago Norte (1) e Park Way (1).

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Segundo a Sema-DF, computadores e notebooks estão entre os equipamentos mais descartados pela população. Depois de entregues nos pontos de coleta, os resíduos seguem um fluxo de logística reversa. O caminho é, de forma simplificada, cidadão, ponto de entrega voluntária, operador logístico, triagem, reciclagem ou tratamento e retorno à indústria.

O Brasil é o quinto País que mais produz lixo eletrônico no mundo, com cerca de 2,4 milhões de toneladas geradas por ano. Celulares antigos, cabos, carregadores, pilhas, computadores e outros equipamentos esquecidos em gavetas e armários fazem parte de um problema que cresce a cada ano.

Especialistas apontam que o lixo eletrônico exige atenção especial por ser composto por diferentes materiais e conter substâncias potencialmente perigosas. Para Felipe Ferreira, CEO da Zero Impacto, o descarte irregular pode causar impactos ao meio ambiente e à saúde.

“O lixo eletrônico é um resíduo de dupla natureza: ao mesmo tempo em que contém materiais valiosos — cobre, alumínio, ouro, prata e plásticos de engenharia —, também carrega substâncias perigosas, como chumbo, mercúrio, cádmio e retardantes de chama”, explica.

Na visão de Felipe, o crescimento do consumo e a troca cada vez mais frequente de celulares, computadores e outros aparelhos têm agravado o problema do lixo eletrônico, uma vez que a vida útil dos equipamentos está cada vez mais curta. “As pessoas trocam de celular a cada dois ou três anos, muitas vezes com o aparelho anterior ainda funcionando”, afirma.

Além do aumento do consumo e da redução do tempo de uso dos aparelhos, alguns hábitos dos consumidores também contribuem para o avanço do problema. Segundo Felipe, guardar equipamentos antigos por anos, descartá-los no lixo comum e trocar de celular por impulso, motivado pelos lançamentos constantes, estão entre as práticas que dificultam o reaproveitamento desses materiais.

No Distrito Federal, a estrutura de descarte é ampla. A existência de 120 pontos de entrega voluntária garante uma rede distribuída por praticamente todas as regiões administrativas. Para Felipe, no entanto, o principal desafio ainda é a comunicação. Muitas pessoas não sabem que essa rede existe ou desconhecem a localização do ponto mais próximo.

“Quanto mais os pontos de descarte estiverem próximos das comunidades, dos locais onde as pessoas moram, trabalham ou estudam, mais simples será a logística para o cidadão. Ninguém deveria precisar percorrer longas distâncias para descartar um aparelho corretamente”, opina.

A destinação correta de resíduos eletroeletrônicos é um dos principais desafios ambientais da atualidade. Em Brasília, a Zero Impacto Logística Reversa atua para garantir que computadores, celulares, eletrodomésticos e outros equipamentos tenham uma destinação ambientalmente adequada, com rastreabilidade e segurança de dados.

Quando um aparelho chega à empresa, passa por um fluxo completo de triagem. “Na Zero Impacto, o aparelho passa por um fluxo completo de rastreabilidade. Ele é recebido e pesado e, em seguida, vai para a triagem, onde nossos técnicos classificam cada item em quatro categorias: reuso integral, reuso parcial, desmonte e rejeito”, explica Felipe Ferreira.

Durante o processo, metais como cobre, alumínio e aço são encaminhados para a indústria de reciclagem. As placas eletrônicas, que concentram metais preciosos, seguem para refino especializado, enquanto os plásticos são separados por tipo de resina.

Parte desse material retorna à cadeia produtiva como matéria-prima. Outra parcela pode ser transformada em combustível derivado de resíduos, utilizado para geração de energia. Baterias e outros componentes perigosos recebem tratamento específico em empresas licenciadas.

Antes de entregar um aparelho para descarte, o consumidor deve apagar os dados pessoais. A recomendação é fazer backup, sair das contas e restaurar celulares, tablets e computadores para a configuração de fábrica.

Nos computadores, também é possível formatar ou remover o disco rígido. “O passo mais importante é apagar os dados pessoais: fazer backup, sair das contas e restaurar o aparelho para a configuração de fábrica. Nos computadores, o ideal é formatar o disco ou remover o HD, se a pessoa preferir”, orienta Felipe.

Equipamentos podem virar ferramentas de inclusão digital

A atuação da Zero Impacto também se conecta a uma iniciativa do Instituto Gabriel Gastal (IGG) para arrecadar computadores e equipamentos eletrônicos. A campanha transforma aparelhos sem uso em ferramentas de capacitação para jovens do Distrito Federal. Até o momento, cerca de 1 tonelada de equipamentos já foi arrecadada e será destinada à triagem, avaliação técnica e recondicionamento.

Os equipamentos em condições de uso serão destinados prioritariamente a projetos de inclusão digital, instituições de ensino e ações de formação profissional. Também poderão apoiar cursos gratuitos de inteligência artificial e computação em nuvem oferecidos pelo Instituto Gabriel Gastal em parceria com a AWS.

Para a presidente do Instituto Gabriel Gastal, Paloma Gastal, a parceria une sustentabilidade e inclusão digital ao transformar um problema ambiental em oportunidade de desenvolvimento. “Não existe inclusão digital sem acesso à tecnologia. Ao mesmo tempo, não podemos falar em inovação sem responsabilidade ambiental”, afirma.

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