Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br
Mesmo com a crise, o Brasil ainda ficou em segundo lugar no ranking mundial de países que mais fazem procedimentos cirúrgicos. Com 1,5 milhão de cirurgias plásticas, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o País só está atrás dos Estados Unidos. A capital federal figura entre as cinco cidades brasileiras com maior número de intervenções dessa natureza.
Para a cirurgiã plástica Ivanoska Filgueira, apesar da situação econômica, o Brasil sempre foi um país muito ligado ao corpo e as pessoas resolveram investir nelas como prioridade financeira. Como um complemento das atividades físicas, principalmente as mulheres procuram pelo bisturi.
“Com uma primeira cirurgia realizada com sucesso, as pessoas perdem o medo e costumam voltar para fazer retoques”, garante. Mas destaca: “O percentual dessa insatisfação é pequeno e, quando existem sinais de excesso, nós percebemos”. Ivanoska acrescenta que o os homens também têm procurado pelos consultórios.
Depois de passar por duas cirurgias do nariz e ter colocado próteses de silicone, a contadora Cecília Albergaria, 26 anos, ainda deseja um terceiro procedimento cirúrgico no rosto. “Escutei que a Claudia Raia já fez sete cirurgias no nariz, então três ainda está bom”, brinca.
O bullying sofrido na adolescência a influenciou a optar pelas mudanças estéticas. Cecília tinha problemas de autoestima, e a primeira cirurgia foi decidida após ela acompanhar uma amiga no consultório.
A jovem ainda não realizou uma nova mudança no nariz por falta de tempo e porque, nas palavras dela, os procedimentos “não saíram menos de R$ 10 mil cada”. “Sou doida com relação ao meu nariz, mas é coisa de mulher, não é?!”, reflete.
Expectativa é aumentar ainda mais
A contadora Cecília Albergaria não é a única a desejar mudanças por meio da cirurgia plástica. Ela conta que muita gente na família também quer mudar algo no nariz, e, onde a jovem trabalha, a prótese de mama virou febre.
A cirurgiã Ivanoska Filgueira lembra que o Brasil é um país tropical, onde as pessoas mostram muito o corpo. Além disso, a consciência sobre atividade física e qualidade de vida tem levado a população a procurar os procedimentos da cirurgia. “Esse número vai aumentar conforme a expectativa de vida da população”, prevê. Entre as cirurgias mais procuradas, ela enumera a lipoaspiração e o implante de silicone.
A psicóloga Lia Clerot aponta que faz parte da natureza do ser humano fazer algo para se sentir melhor consigo mesmo e de gostar do que vê no espelho. “Mas aqueles que sempre estão em busca de uma mudança e nunca estão satisfeitos devem prestar atenção em algo mais profundo”, adverte.
Lia destaca que as pessoas precisam se aceitar. Portanto, a procura pela mudança não deve partir da pressão da sociedade, mas, se algo o incomoda desde pequeno, vale a pena mudar. Ela considera que hoje em dia há uma possibilidade maior de as pessoas cuidarem de si, o que é bom quando não há exagero.