Amanda Karolyne
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São 61 milhões de brasileiros com o nome sujo na praça segundo a Serasa Experian. Desse número, 1,6% estão no Distrito Federal. São quase 8 mil os brasilienses que, enfrentando o desemprego e o descontrole financeiro, estão hoje na lista de inadimplentes. Com base em dados comparativos da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal, de abril para maio o número de endividados inadimplentes cresceu 2%.
Os dados são referentes a pessoas que contraíram dívidas, já deveriam ter pago, mas permaneceram endividados. E de acordo com a Serasa, os números mostram um recorde de crescimento desde 2012. Com mais de 900 mil pessoas com o pagamento das contas atrasado. Os endividados entram em uma lista de consumidores que não pagam as dívidas pessoais.
O economista Luiz Rabi argumenta que o aumento dos devedores tem muito a ver com a crise em que o país se encontra. “E ainda com a questão do desemprego que bate recorde no País”, cita.
Altas sazonais
Ele aponta que os consumidores que estão em caso de inadimplência, não conseguiram quitar as dívidas mesmo com a queda dos juros e da inflação. “Nós enfrentamos uma época sazonal com o mês de maio e o dia das mães, em que muitos presenteiam e depois não conseguem pagar”, completa.
Para ele, isso se segue a março, quando as pessoas têm material escolar para adquirir, despesas com as férias e muitas contas como IPTU e IPVA. “Março e maio são meses com um pico de inadimplência, maio seria como o Natal, mas não podendo contar com o décimo terceiro pagamento”.
Luiz acredita que as pessoas inadimplentes têm em média quatro dívidas que não conseguem quitar. “Quatro credores diferentes”, afirma. Com isso, ele indica para quem está endividado para renegociar esses pagamentos. De acordo com o economista, bancos e lojas têm interesse em negociar as parcelas e as dívidas que estão paradas, para ajudar o consumidor. “Dada a crise atual, conversar com os credores para rever as dívidas. As de cartão de crédito, bancárias, contas telefônicas e outras”, cita.
A crise atual levou muitos brasileiros a encarar o desemprego, e por consequência, as dívidas acumuladas.
Saiba mais
- Entram para a lista de inadimplentes da Serasa Experien, pessoas que estão com empréstimos pessoais e dívidas em atraso. Dívidas como contas de água e luz, fatura do cartão de crédito entre outras.
- Os cálculos da Serasa apontam que as dívidas em atraso somaram em maio R$ 274,6 bilhões.
O Banco Central revela que se- esperava um alívio com a liberação do dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, mas no mês de maio ocorreu um aumento na inadimplência das operações de crédito.
- O cartão de crédito e cheques especiais estão entre os meios em que as pessoas mais se endividam, segundo o economista Luiz Rabi.
Problema piora quando dívidas se acumulam
Empréstimos a pagar devido a uma viagem, e ajudando em casa devido ao desemprego do marido, a funcionária pública Jucineide Simião Costa Bicho, 55 anos, está negociando três dívidas atualmente.
“Estava precisando de dinheiro porque em casa quem está trabalhando sou eu”, diz. Ela está com uma parcela de R$ 860, e outras duas de R$ 650 que vêm descontadas no contracheque. “Tem a viagem que fiz, e essa de uma cirurgia que eu ia fazer mas não deu certo e eu usei o dinheiro”, conta.
“Agora estou negociando: ainda faltam dois anos para quitar todas as dívidas”, conta. Para ela está sendo uma questão de aprendizado. “Mas querendo ou não, a gente precisa usar o cartão de crédito. A diferença é que agora sei o meu limite”, destaca.
Com o limite definido, ela paga o total da fatura e está sempre anotando o que gasta e o que falta pagar. “Agora sei que posso pagar usando o cartão mas para o que necessito”.
Ela solicitou redução no limite de crédito, mas ainda assim o considera alto. “Eu estou montando um sistema, em que uso os cartões e quebro quando acabam as parcelas”, comenta. Jucineide chegou a cortar os cartões e arrancar o chip de um para evitar gastos. “Só assim para me livrar de adquirir mais dívidas”.
A estudante de publicidade, Lohanna de Paula Severo, 22 anos, não sabe quando voltará a pagar as parcelas das dívidas do cartão de crédito. “Comecei a pagar ano passado, mas não pude continuar a pagar”, explica. Lohanna conta que foram surgindo outras contas para ela e a mãe pagarem. “Acho que chegamos a dividir em dez vezes, mas não terminamos de pagar”, pondera.