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Brasília

Boas estreias

Arquivo Geral

03/09/2016 6h55

Atualizada 02/09/2016 13h57

Não, não dá para falar apenas de Tite no comando da seleção brasileira pela primeira vez. Aliás, não alterei a coluna de ontem justamente por isso: precisava ver o que aconteceria com Argentina x Uruguai e Paraguai x Chile para ter uma noção mais precisa do que efetivamente representara a vitória do Brasil sobre o Equador, em Quito. Como o jogo dos argentinos, em Mendoza, só terminaria por volta das 22h30 e a batalha do Defensores Del Chaco só lá pelas 23h, acabou ficando tudo para hoje (e com apenas uma partida do Brasileiro, adiada, fica mais fácil).

Três treinadores estrearam, bem, nos comandos de suas seleções nacionais nesta sétima rodada das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Guillermo Hoyos, na Bolívia, bateu o Peru (2 a 0), e começou a cumprir o que prometeu: aproveitar-se da altitude, ganhar todos os jogos que a seleção boliviana realizará em casa e… Bem, aí vai ver o que consegue quando for visitante. Neste momento, seu time ocupa um modestíssimo oitavo lugar, com apenas seis pontos ganhos – mas se projetarmos as tais desejadas vitórias em casa… Mesmo assim, não dá, ainda, para assustar ninguém.

Outra estreia vencedora foi de Edgardo Bauza na Argentina. Até outro dia comandando o São Paulo, Bauza viu sua seleção encantar, ou, sendo menos otimista, agradar, os torcedores de Mendoza na boa vitória sobre o Uruguai. Contou, felizmente para ele, com outra “estreia”: Messi, que após a Copa América Centenário anunciara que nunca mais jogaria pela seleção de seu país, não só “estreou” como fez o gol da vitória – no fim do jogo, involuntariamente, foi responsável por algumas invasões de campo por parte de torcedores que foram festejá-lo, reatando de vez as relações dele, Messi, com a galera.

A vitória levou a Argentina para o primeiro lugar das eliminatórias, deixando o Uruguai na segunda colocação – os uruguaios acabaram favorecidos pela combinação (ruim) de resultados de equatorianos e chilenos para se firmarem na vice-liderança. Aliás, se olharmos a classificação das eliminatórias do continente veremos um pouco de Campeonato Brasileiro: entre a líder Argentina e o Chile, sétimo colocado (a derrota para o Paraguai fez muito mal aos representantes da América do Sul na Copa das Confederações) é de apenas quatro pontos. Isso mesmo: quatro pontos separam a liderança do sétimo lugar. E a distância para o G-4 do Mundial é de apenas três pontos, ou seja, pode sumir no próximo jogo.

E é pensando assim que Tite e seus jogadores devem encarar não apenas a boa vitória sobre o Equador como, principalmente, a classificação do Brasil neste momento. Se iniciamos a rodada num incômodo sexto lugar, longe até da “meia vaga” da Conmebol, bater os equatorianos, na altitude de Quito, significou, praticamente, subir apenas um degrau na classificação. Parece pouco. Não é. Mais do que sair do sexto para o quinto lugar, a seleção brasileira “entrou” na tal luta pela “meia vaga”, reduziu a distância para os ponteiros (se o Chile está quatro pontos atrás da líder Argentina o Brasil está apenas dois) e, mais importante, muito mais, recuperou-se a confiança.

Confiança que será fundamental para a partida contra a Colômbia, dia 6, em Manaus. Isso porque, há tempos, os colombianos se tornaram um adversário difícil para o futebol brasileiro. Exercem uma marcação dura, na maioria das vezes violenta, o que irrita nossos jogadores. Cabeça fria será fundamental. Mesmo porque, hoje, a Colômbia ocupa a terceira colocação e, se perder para o Brasil, pode até deixar o G-4 sul-americano, ou seja, transferiríamos a agonia que estava no nosso colo para eles. Já imaginaram a tensão? Tensão que aparentemente já se dissipou para Tite e para o novato Gabriel Jesus, que jogou simples, como se estivesse na várzea, como há três anos. Boas estreias. Dos outros e dos nossos.

Complicou

Com exceção do futebol, sempre disse que o brasileiro não gosta de esporte. Gosta de vencer. O basquete já foi o segundo esporte nacional quando faturava títulos mundiais, tinha Oscar, Marcelo, Carioquinha… Perdeu a posição para o vôlei porque Bernard, Marcelo Negrão, Giovane, Giba, Gustavo e Escadinha (perdoe, Serginho, força do hábito) começaram a ganhar tudo. Isso aconteceu, claro, com a Fórmula 1. Fomos mal acostumados com Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Ayrton Senna… Nas pistas, o Brasil dava certo, era o tal, campeão. Sem Senna desde 1994, vivemos um período difícil. Rubens Barrichello virou, maldosamente, símbolo de lentidão. Injustiça. Felipe Massa, que por segundos chegou a ser campeão do mundo (e em Interlagos), sofreu grave acidente e nunca mais foi o mesmo. Agora, em Monza, anuncia sua despedida da categoria. Despedidas são sempre tristes. Amigos e adversários agora falarão de como ele é competente, bom piloto e patati, patatá. Mas ele sairá de cena. Sem um brasileiro numa equipe minimamente com chances de vencer, talvez nos vejamos privados da F-1 na tevê aberta (este ano já perdemos vários treinos). Outra despedida com tristeza.

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