João Paulo Mariano
Especial para o Jornal de Brasília
Os balanços oficiais ainda serão fechados hoje, mas o folião brasiliense já deu seu veredito: o Carnaval de Brasília tem potencial para crescer, porém precisa de mais segurança e de mais confiança do próprio morador do DF para participar dos eventos.
A previsão era de que mais de 500 mil pessoas participassem dos blocos no último dia de festa. Os eventos ocorreram em vários cantos do DF, como em Ceilândia com o Menino de Ceilândia, e o Vem que Cabe, no Recanto das Emas. No centro da capital, os blocos Raparigueiros e Baratona fizeram a animação dos foliões com música ao vivo e percussão pesada, no melhor estilo carnavalesco, ou no frevo comum de Pernambuco.
Teve gente que nem sentiu falta do Carnaval da cidade natal. A estudante Danielle Franco, 33, mora há 16 anos em Brasília e foi a todos os blocos que pôde. Ela é tão envolvida com o Carnaval que virou passista da Orquestra Popular Marafreboi, que também tocou ontem. Para ela, o brasiliense precisa perder o medo de participar. “Em Pernambuco, há uma outra dimensão, mas a alegria é a mesma”, diz.
Com uma trégua da chuva no último dia de festança, até famílias compareceram aos blocos mais povoados por adultos. Eliana de Fátima, 45, também fez questão de participar todos os dias e alega que “está cada vez melhor”. Ela se divertiu com a filha, a estudante Gabriela Pereira, 16, e diz que todo ano faz questão de ir, pelo menos, ao Raparigueiros. Para o ano que vem, a agenda delas já está separada.
O estudante universitário Breno Carvalho, 22, foi assíduo aos blocos neste ano e deu nota 8,5 para o Carnaval da capital. Para ele, é preciso melhorar muito a segurança com uma presença maior da polícia.
O também universitário Leonardo Porfírio, 20, concorda com o amigo: é preciso mais atenção das autoridades para evitar as brigas que ocorrem com frequência. Ele diz que a polícia até está no local, mas não anda em meio ao povo para proporcionar mais sensação de segurança aos presentes.
O estudante de Administração Vitor Antun, 22, reclama do horário em que as festas se iniciam. Ele entende que, se começassem mais cedo, seria possível aproveitar mais.
Brigas no meio da multidão
Brigas ofuscaram parte do brilho da festa dos Raparigueiros ontem. A polícia interveio com uso de spray de pimenta e cassetetes. Apesar dos problemas pontuais, um dos diretores da Baratona, Paulo Henrique Oliveira, diz que o grande diferencial deste ano foi a tentativa de fazer deste um Carnaval da paz e levar o brasiliense para a rua em segurança. A expectativa para o ano que vem é trazer mais conforto para o folião.
Para a Secretaria de Cultura, a avaliação é a melhor possível. A pasta aponta que o Carnaval foi diverso e distribuído por vários pontos do Distrito Federal, com um aumento no número de blocos e de foliões.
Apesar das brigas, ninguém foi preso, mas materiais foram apreendidos. A expectativa para os próximos anos é a implementação de uma nova política para o Carnaval, de modo a preservar o espírito democrático da festa, mas avançar para maior organização e maior financiamento por parte da iniciativa privada.
A servidora pública Adriana Moura, 57, pede que estendam o horário dos eventos. Assim, daria tempo de aproveitar mais. Ela estava acompanhada do “anjo” Milton Lemos, 57. Ele, aliás, foi diretor da escola de Samba Projeto Colibri, de São Sebastião. Como amante desse período, não ficaria sem aproveitar esse período. Ele também só quer que a festa fique ainda melhor.