Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília
Com o fim do Carnaval, é hora de guardar a fantasia no armário, se recuperar dos excessos e retomar os projetos pessoais. Certo? Errado. Agora, os blocos de rua se concentram em ações sociais para promover causas e ajudar pessoas. Organizadores provam que a folia não é só festa e que é possível uni-la à responsabilidade social.
Muitas das agremiações possuem projetos de luta contra homofobia e violência contra a mulher, além de capacitação profissional e assistência social.
Saiba mais
- Esses e outros blocos de Brasília e do Rio de Janeiro estão participando de um concurso que premiará com
R$ 200 mil as melhores ações sociais.- A competição organizada pela cervejaria Ambev, por meio da Antarctica, será decidida por votação popular no site www.antarctica.com.br/
latacoisaboa. É possível votar até 7 de março.
Organizador do bloco Virgens da Asa Norte, o biólogo Wagner Lucena vê o Carnaval como uma ótima ocasião para que temas importantes sejam discutidos. A conscientização em relação a doenças sexualmente transmissíveis e uso de camisinha é alvo das campanhas do bloco.
“Entendemos que em qualquer evento onde milhares de pessoas se aglomeram é possível passar mensagens importantes. O Carnaval é produtivo do ponto de vista cultural, social e artístico. É durante ele que questões tabus são discutidas “, afirmou.
Para ir além da mensagem durante as festas, o Virgens de Asa Norte tem convênio com a Secretaria de Saúde e com ONGs que fazem testagem de DSTs e apoio aos pacientes que recebem resultados positivos.
Já o bloco Maria Vai Casoutras ajuda as vítimas de violência doméstica a se profissionalizar. Elas têm a possibilidade de participar de oficinas de confecção de bijuterias com materiais reciclados, além de aulas de percussão. Afinal de contas, trata-se de um grupo de percussionistas formado por mulheres.
“Os blocos são movimentos culturais e populares. Então as manifestações que também produzem mensagens importantes agregam ainda mais. Trazemos questões relacionadas aos direitos das mulheres nas nossas músicas”, contou Tatiane Valente, organizadora do Maria Vai Casoutras e servidora pública.
Luta contra preconceitos
Apesar de não se intitular um bloco LGBT, o Cafuçu do Cerrado tem a proposta de lutar contra o preconceito e a intolerância. As campanhas nas redes sociais investem em mensagens a favor da diversidade o ano todo.
“Falamos contra todo tipo de preconceito, não só de questões gênero, mas também contra a discriminação racial e social. O nosso bloco é feito para que todos que estão lá se sintam iguais e participem da festa do mesmo jeito”, contou o músico produtor cultural Leandro Formiga. Para este ano, a intenção é expandir as ações sociais e promover oficinas de instrumentos sociais.
O bloco Libre, por sua vez, tem foco na diversidade cultural e meio ambiente. Uma das principais bandeiras é o transporte público gratuito. Segundo o produtor cultural Márcio Apolinário, o Libre é democrático por proporcionar liberdade cultural e de expressão.
“Realizamos eventos todo mês, onde convidamos artistas independentes para se apresentar. Além disso, temos um momento no qual deixamos o microfone aberto para quem tenha algo para falar”, explicou o organizador.