Manuela Rolim
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Primeiros a colorir as ruas de Brasília, os ipês roxos, seguidos pelos amarelos e brancos nos próximos meses, começam a dar vida à capital. Não por acaso, avistar moradores e turistas tirando selfies ao lado das tradicionais árvores virou cena comum nas ruas da cidade. O cenário a céu aberto atrai todos os holofotes e flashes de câmaras profissionais e também amadoras.
Na 705/706 Sul, por exemplo, a paisagem parece pintura. Do início ao fim da rua, os ipês impõem uma beleza ímpar. Moradora da quadra, a fisioterapeuta Sandra Bustamante, 50 anos, não se cansa de registrar o que considera o quintal de casa. “Essa é a segunda vez que paro aqui para tirar foto. Sempre tem gente fazendo o mesmo. Fico encantada com o cenário. Todos os ipês são lindos, mas o roxo se destaca ao contrastar com o azul do céu e o aspecto da seca”, afirma.
Paulista, ela conta como reagiu ao se mudar para Brasília, há 12 anos. “Morei em Santos, logo tinha contato com praia, mas a exuberância da área verde da capital é realmente única. Me apaixonei de imediato. Parece que fica mais fácil sair de casa com esse jardim do lado de fora, o dia fica mais feliz”, completa.
No fim da tarde, o endereço reuniu fotógrafos profissionais, turistas e outros moradores, todos em busca do melhor clique. As árvores também atraem olhares na Asa Norte e ao longo do Eixo Monumental. Longe do Plano Piloto, os ipês colorem igualmente cidades como Guará, Sobradinho, Águas Claras, entre outras.
Uma praça entre a QI 12 e a QI 14 do Guará 1, por exemplo, recebe espectadores empolgados com o visual quase que diariamente. Entre eles está o cobrador Gilmar Monteiro dos Santos, 30 anos. Atrás do enquadramento perfeito, ele foi flagrado pela reportagem com o celular virado para os ipês. “Tenho vontade de passar o dia inteiro observando essa maravilha”, afirma.

Gilmar Monteiro dos Santos
Foto: Myke Sena
Essa é a época do ano preferida de Gilmar. Ele lamenta, porém, não ter a oportunidade de admirar a beleza dos ipês em Ceilândia, onde mora. “Deveria ser melhor distribuído. A maioria das árvores está no Plano Piloto. É uma pena porque se deparar com um cenário desses muda o astral de qualquer pessoa. Eu vim resolver uns problemas no Guará, parei para fotografar e já estou saindo mais feliz. Vou mandar a foto para a minha mulher, que adora plantas”, conclui.

Foto: Breno Esaki
Paisagem deixa os dias mais leves
No Cruzeiro, moradores também se sentem mais motivados a sair de casa diante da paisagem. “Eu e todas as minhas filhas já paramos para registrar esse colorido. Não tem ninguém que não tenha uma foto postada nas redes sociais. Brasília é privilegiada com esses ipês”, afirma a funcionária pública Mara Marino Perez, 58. Ela, inclusive, incentiva a plantação de mudas em todo o DF.
“A população merece isso. Minha família, por exemplo, morre de vontade de conhecer a capital nessa época do ano”, completa. Os parentes de Mara são de São Paulo e Rio Grande do Sul. A funcionária pública, que passeava com o cãozinho Gruguer, lamenta somente o período de seca: “É uma pena que a grama não esteja tão verde. Já imaginou a beleza que seria ter essa mistura de cores? Apesar disso, não há como negar que a cidade está charmosa”.