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Brasília

Avisos para recolher fezes de cães e sacos nas placas ajudam a limpar calçadas

Arquivo Geral

30/06/2009 0h00

Com um saco de lixo na mão, case a aposentada Gelcira Penido, recipe 63 anos, desce quatro vezes por dia com Miúxa, uma Poodle de 13 anos. A prática de levar um saquinho para recolher as fezes da cadela começou há três anos, quando surgiram placas alertando os donos de cães sobre a necessidade de se deixar a quadra limpa. As placas, distribuídas por toda a Quadra 103 do Sudoeste, possuem sacos presos para os donos esquecidos, aqueles que costumam passear com seus cachorros sem carregar o acessório.


A iniciativa incentivou Gelcira a mudar de hábitos. “Depois que colocaram as placas, passei a usar os saquinhos. Quando não tem nenhum pendurado, trago de casa mesmo”, afirma. Recolher as fezes do animal não é problema nenhum para a aposentada. “Tem gente que fica com nojo, mas é muito mais nojento ficar com as fezes espalhadas no chão”, ensina a aposentada.


O exemplo de Gelcira é seguido por outros moradores da quadra. O economista Ubaldo Campello, 54, também recolhe as fezes de Mexerica, uma engraçada Shi-Tzu. “É importante, evita o mau cheiro que fica na quadra. Se todos os cachorros fizessem e ninguém recolhesse, chegaria um momento em que ficaria insuportável”, observa.


A funcionária pública Valéria Campos, 46, dona de Mel, diz que o aspecto da quadra melhorou muito desde que as placas com os saquinhos foram colocados. “As calçadas estão bem mais limpas, principalmente os espaços com bancos”, afirma. Valéria conta ainda que não são todos que adotaram a boa prática. “Ainda tem muita gente que deixa os cachorros fazer suas necessidades na grama e não recolhe depois. Às vezes até evito andar na grama para não pisar nas fezes”.


Problemas de Saúde
A exposição das fezes de cães pode causar problemas na saúde no ser humano, alerta a diretora do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB), Christine Martins. Além de acumularem moscas, que são vetores de várias doenças, elas também podem causar problemas para quem entra em contato com os dejetos do cachorro.


A doença mais comum transmitida pelas fezes dos cachorros é ancilostomose. Trata-se de uma dermatite causada pelo contato da pele com a larva, que causa o chamado “bicho geográfico”. As larvas se instalam na parte mais superficial da pele e vão perfurando o tecido, causando uma espécie de lesão.


Outro problema seria o contato de crianças com as fezes do animal. Como muitas vezes é comum as crianças colocarem terra na boca, elas poderão ingerir resíduos e contrair uma verminose.


O melhor meio de prevenção contra as doenças adquiridas pelas fezes de cachorro ainda é o recolhimento dos dejetos. “Além de deixar a cidade limpa, ajuda a previnir as doenças”, reforça a diretora do Hospital Veterinário.


Desrespeito
Donos de cachorros aprovam a limpeza e acham que deveria haver uma maior conscientização das pessoas para recolher as fezes de seus animais. “No geral, as pessoas respeitam, mas ainda tem gente que desce com o cachorro e não recolhe as fezes do animal”, lembra Gelcira.


Mas, apesar de ser algo melhor para a saúde do animal e do dono, ainda tem gente que não recolhe. “É uma determinação que todos deveriam respeitar. Pena que nem todo mundo faz”, lamenta o economista Ubaldo Campello.


Lei Distrital prevê multas
Para evitar os inconvenientes de se pisar em verdadeiros campos minados de fezes de cães, foi criada uma Lei Distrital para multar os donos de bichos que não recolherem os dejetos dos animais.


Segundo o artigo 3º da Lei 2.095/98, “os proprietários são responsáveis pela manutenção dos animais em boas condições de alojamento, alimentação, saúde e bem-estar, pela remoção de dejetos por eles deixados nas vias públicas, bem como pelos danos que causem a terceiros”.


Fisacalização
A multa para quem for pego sem recolher as fezes é de R$ 50 e, em caso de reincidência, o valor é cobrado em dobro. No entanto, ainda há dificuldade em se fiscalizar e multar os donos infratores. Segundo a Secretaria de Saúde do DF, a Zoonoses pode fiscalizar, mas não tem o poder de multar quem não cumpre a lei.


A aplicação de multas seria função da Agência de Fiscalização do DF. A Agefis informou que não era de sua competência realizar esse tipo de fiscalização, mas sim da Secretaria de Saúde.


Enquanto um órgão joga a responsabilidade para o outro, os donos que não recolhem as fezes dos animais continuam sem pagar multas.








  SAIBA+

Em São Paulo, o Shopping Cidade Jardim, da Zona Sul, inovou e permitiu a entrada de cachorros no centro de compras


Para evitar que os animais de estimação façam suas necessidades no local, uma fralda com uma abertura para o rabo é colocada no cachorro


A urina é mantida na fralda e as fezes são recolhidas com uma pá. A iniciativa é a alegria dos donos que não desgrudam do cãozinho para nada


 


 


 


 


 


 


 


 


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