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Autor de feminicídio alega legítima defesa

O ex-companheiro da vítima alegou que ela sacou a faca para o agredi-lo e então ele tomou a faca e desferiu as 59 facadas

Foto: Reprodução

Tereza Neuberger
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Juvenilton Aquino da Costa, de 36 anos, ex-companheiro da vítima Drielle Ribeiro da Silva, de 34 anos, justificou o crime alegando legítima defesa. Ele foi preso nesta quarta-feira (08), após longa negociação com a advogada do autor, foi realizada sua prisão.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Carbone, da 26ª delegacia de Polícia Civil do Distrito Federal, Juvenilton demonstrou estar abalado. O autor do feminicídio alegou que a ex-companheira era obcecada por ele e muito ciumenta, e justificou que na noite do crime ela teria sacado a faca para ele, mas ele teria conseguido tomar a faca e a matou.

Drielle foi assassinada com pelo menos 59 golpes de faca, na noite do último domingo (06) pelo ex-companheiro com quem ela teve um relacionamento por três anos e um filho de 6 anos.

O corpo de Drielle foi encontrado pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), já sem vida e com diversos ferimentos por arma branca na quadra 206 da Samambaia Norte, próximo ao metrô, por volta das 8h da última segunda-feira (6).

A quantidade de cortes chamou a atenção da polícia, a vítima foi golpeada nos braços, no pescoço e nas costas. “Eu percebi que havia muitas lesões de defesa”, afirmou o delegado Rodrigo Carbone, que acrescentou que ela provavelmente tentou se defender durante os golpes. Ele também destacou a presença de lesões agrupadas nas costas da vítima, o que poderia ser um indício de que ela ainda foi esfaqueada após estar desacordada.

De acordo com informações da polícia civil, no dia do crime o casal teria protagonizado duas brigas. Após cometer o crime, Juvenilton Aquino, jogou a camisa suja de sangue em um bueiro, e fugiu de moto com o irmão, chegou em casa pegou uma muda de roupa e desapareceu. Ele teria dito à família que cometeu “uma grande besteira”. A arma do crime não foi encontrada.

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Há uma suspeita apontada pela perícia de que a vítima estaria grávida de aproximadamente quatro meses, porém a suspeita ainda não foi confirmada.

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 26ª delegacia de polícia, deflagrou a operação Nêmesis, e deram início às investigações, conseguindo rastrear o celular da vítima e refazer todo trajeto percorrido por ela. A PCDF também conseguiu coletar inúmeras provas da autoria do crime.

O inquérito policial foi instaurado em menos de 24 horas, e foi feita a representação pela prisão preventiva do autor. Foi concedida a prisão neste mesmo dia (08), após longa negociação com a advogada do autor, a prisão foi efetuada. O ex-companheiro da vítima, Juvenilton Aquino da Costa, irá responder pelo crime de feminicídio e pode pegar até 30 anos de prisão.

Histórico de agressões

O casal tinha um histórico de relacionamento conturbado e o suspeito já teria agredido a vítima diversas vezes. A vítima já teria registrado pelo menos cinco ocorrências contra o ex-companheiro. Em abril do ano passado, quando o casal já estava separado, Juvenilton chegou a dizer para a vítima que iria matá-la e beber o sangue dela.

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De acordo com a polícia, o fato aconteceu quando Drielle avistou o ex-companheiro na rua, e no mesmo momento passou uma viatura de polícia no local, ele teria se irritado por achar que Drielle havia chamado uma viatura para ele. “Você chamou essa viatura para mim? Você fica ligeira. Vou te matar e beber seu sangue, sua piranha”, disse Juvenilton, em tom de ameaça para a vítima, e em seguida tentou agredi-la, mas foi impedido pelo pai da vítima. Juvenilton então entrou no carro e tentou atropelar a ex-mulher, mas não conseguiu atingi-la.

Outra tentativa de feminicídio teria ocorrido em 2018 quando o ex-companheiro, Juvenilton, também teria ameaçado Drielle e tentado matá-la a facadas, o que terminou com a moto da vítima sendo queimada. Após o incidente Drielle, teria requerido medida protetiva contra o ex-companheiro.

O caso aconteceu na feira de Samambaia, quando Juvenilton Aquino, bastante alcoolizado, avistou Drielle no local e começou a xingá-la. Ela então arremessou cerveja na direção do ex-companheiro e atingiu o rosto dele. Em seguida, Juvenilton correu atrás da ex-companheira com duas garrafas na mão e tentou atingi-la, mas não obteve êxito.
Drielle foi levada para uma banca de roupas para se proteger amparada pelas pessoas que presenciaram as agressões. Juvenilton continuou atrás da ex-companheira e disse “Vou te matar, desgraçada”. Logo após a ameaça, Juvenilton pegou duas facas e tentou golpear Drielle, porém não conseguiu pois acabou contido.
Ainda com raiva Juvenilton localizou a moto da ex-companheira, e arrastou pelo estacionamento da feira até que ateou fogo no veículo.

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