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Brasília

Aumentos na conta de luz já refletem na vida de brasilienses

Tarifa passa para R$14,20 para cada 100KW/h, e chega em momento em que a luz já pesava no bolso do consumidor

Lucas Neiva

01/09/2021 18h37

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

A tarifa sobre as contas de luz no Distrito Federal vai subir, passando agora à taxa de R$14,20 para cada 100KW/h consumidos. A nova taxa, que ultrapassa o aumento de 49% em relação à anterior, não é uma nova bandeira, e sim um novo valor para a bandeira vermelha, estabelecida em função da crise de produção energética que atinge todos os estados brasileiros.

O aumento na tarifa não veio por acaso, conforme explica o professor de economia Frederico Gomes, do Ibmec Brasília. “O que tem provocado o aumento da conta de luz tem a haver com questões climáticas. Estamos passando por um período de chuvas muito ruim, com muita pouca chuva historicamente falando em regiões que têm importantes reservatórios de hidrelétricas. Isso obriga o acionamento das usinas termelétricas, que têm um custo de produção de energia muito mais alto”.

O economista alerta que, se por um lado o aumento no preço possa ajudar na economia de energia, por outro lado a tarifa compromete a vida de toda a população “Isso tem pressionado a inflação e tem nos afetado de maneira geral. Agora, a conta de energia muitas vezes pesa mais para as famílias de mais baixa renda, afetando mais o orçamento dessas famílias. No fim, torna a situação dessas pessoas ainda pior, pois a tarifa penaliza mais os mais pobres”.

Uma dessas famílias é a da farmacêutica Thaíssa Costa, de 27 anos, que precisou mudar os hábitos de consumo para se adequar às tarifas que já vinham subindo. “Precisamos até cortar naquilo que não deveríamos, como por exemplo no supermercado, onde só compramos o básico do básico. Com os últimos aumentos na energia, estamos racionando tudo”, relata.

Para se adequar ao preço, Thaíssa e sua família criaram o hábito de manter todos os aparelhos domésticos fora da tomada sempre que possível, com exceção da geladeira. O mesmo está sendo feito pelo advogado de 33 anos Christian Thomas Oncken, que além de evitar o uso de tomadas, passou a tomar banhos de no máximo três minutos, evitar o uso do ventilador em horários mais amenos e somente utiliza seus aparelhos eletrônicos como computador e televisão quando necessário.

Graças ao aumento na tarifa, algumas pessoas passaram a prestar mais atenção ao valor de suas contas de luz, como conta o designer gráfico Jorge Luis de Amorim Júnior, de 28 anos. “A conta de luz era uma das poucas que até então mantinha valores regulares, diferentemente de gastos com gasolina ou, nos últimos dias, com comida. Apesar de sim, ter sido um aumento rápido e repentino, o que assusta mais é a porcentagem”, afirma. 

Frederico Gomes alerta que o aumento nas contas de luz possa ainda afetar o setor comercial, ao proporcionar menor margem de retorno para os estabelecimentos. Jorge Luiz lamenta que a crise energética tenha chegado a esse ponto. “A cada dia fica mais difícil o acesso a recursos básicos no país devido à crise e ao governo atual”.

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