Da redação
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A união de um blogueiro, da então vice-presidente da Câmara Legislativa e herdeira política do clã Roriz e de um dos nomes fortes do GDF permitiu que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) passasse a ter trânsito privilegiado na Câmara Legislativa, driblando a forte oposição, comandada pela presidente da Casa, Celina Leão (PPS). A revelação de que José Flávio de Oliveira foi nomeado por interferência de Edson Sombra, Liliane Roriz e Joe Valle consta do áudio entregue pela filha de Roriz aos promotores que desencadearam a Operação Drácon. Curiosamente, até agora, nada foi investigado a respeito desta combinação.
O Jornal de Brasília teve acesso a dois trechos destas conversas entre Celina Leão e Liliane Roriz, onde a então vice-presidente revela que a ida do antigo homem forte de Joaquim Roriz, que sempre negociou com a Câmara Legislativa nos tempos do antigo governador, foi obra sua e gestada na casa do blogueiro. “Isso foi o (Edson) Sombra, eu e o Joe, na casa do Sombra. ‘Vamos, vamos, gente, o governador tá tendo tanta dificuldade, o Sombra, com essa coisa de comunicação com os deputados'”, afirma Liliane Roriz.
Nas duas gravações, Liliane Roriz reclama com Celina Leão que a nomeação de José Flávio acabou sendo creditada à presidente afastada da Câmara, e não a ela. “Outro arranhão é por causa do Zé Flávio… O zé Flávio, eu e o Joe (Valle) estávamos fazendo a ida dele para lá já há muito tempo, justamente por esta falta de comunicação que estava no governo. O governador, sentado ali, falou: ‘Liliane, o que você acha do Zé Flávio?’ Eu acho excelente. O senhor vai ter uma pessoa que tem contato com todos eles (deputados distritais), que tem uma boa relação com os deputados. ‘É mesmo? e você me libera ele?’ Nossa, claro que libero”, diz Liliane, no começo de uma das gravações.
Embora Celina Leão negue ter qualquer responsabilidade na indicação, Liliane Roriz se queixa que os louros da nomeação do articulador político caíram no colo da rival. “Eu nunca passei isso para a imprensa”, nega Celina. “Você negava, mas vinha alguém da sua assessoria falar ao contrário”, acusa Liliane. “Eu neguei. Falei assim: ‘Apesar de achar que é uma escolha acertada, e falo isso porque eu acho que o Zé Flávio é um craque nesta relação, não indiquei e não indicaria, porque sou chefe de um poder e não acho correto ficar dando nome para o governador ter uma relação com a gente'”, rebate Celina.
Nomeado para o cargo em 31 de dezembro do ano passado, José Flávio Oliveira deixou o cargo de secretário-executivo da vice-presidente da Câmara Legislativa, ocupada então por Liliane Roriz, para assumir o lugar de Igor Tokarski. Foi nomeado em 20 de abril deste ano. Sua tarefa era dar “andamento” nos projetos de interesse do Buriti, que estavam empacados na Casa.
Ouça os áudios e leia as transcrições
https://soundcloud.com/user-401183895/jornal-de-brasilia-tem-acesso-a-audios-de-liliane-roriz-2
Liliane – Outro arranhão é por causa do Zé Flávio… O zé Flávio, eu e o Joe (Valle) estávamos fazendo a ida dele para lá já há muito tempo, justamente por esta falta de comunicação que estava no governo. O governador, sentado ali, falou: ‘Liliane, o que você acha do Zé Flávio’? Eu acho excelente. O senhor vai ter uma pessoa que tem contato com todos eles (deputados distritais), que tem uma boa relação com os deputados. ‘É mesmo? e você me libera ele’? Nossa, claro que libero. Nisso eu chamo o Zé Flávio aqui em casa, entendeu? Zé Flávio, está acontecendo isso. E ele, ‘olha, eu vou para a fazenda, vou conversar com minha família e na segunda-feira eu te falo’. E eu, beleza, então tá. (inaudível). Aí eu liguei para o governador. ‘Governador, tá tudo certo’. E depois ele não falou mais deste assunto. Quando eu encontrava com eles…. ‘Não, tô ajeitando lá, porque eu preciso tirar um, não sei o quê… E aí passou para a imprensa como se você tivesse indicado o Zé Flávio…
Celina – Posso te falar… Eu nunca passei isso para a imprensa.
Liliane – Mas não aconteceu na imprensa, de dizer que você tinha mérito na nomeação do cara?
Celina – Você viu as minhas aspas?
Liliane – Não, não cheguei a ver.
Celina – É por isso, Liliane, que a gente tem que, pelo menos, conversar. Eu neguei, eu neguei, até porque sou muito correta.
Liliane – Você negava, mas vinha alguém da sua assessoria falar ao contrário.
Celina – Eu neguei. Falei assim: ‘Apesar de achar que é uma escolha acertada, e falo isso porque eu acho que o Zé Flávio é um craque nesta relação, não indiquei e não indicaria, porque sou chefe de um poder e não acho correto ficar dando nome para o governador ter uma relação com a gente.
https://soundcloud.com/user-401183895/jornal-de-brasilia-tem-acesso-a-audios-de-liliane-roriz-3
Liliane – Isso foi o (Edson) Sombra, eu e o Joe, na casa do Sombra. ‘Vamos, vamos, gente, o governador tá tendo tanta dificuldade, o Sombra, com essa coisa de comunicação com os deputados… Eu acho que o Zé Flávio…’
Celina – Liliane, sabe quando eu quero ter uma participação num trem desse? Nunca. Por que como é que eu fico com essa responsabilidade?
Liliane – Se dá certo ou não dá…
Celina – Se não der certo, a culpa é minha, eu que indiquei o homem….
Liliane – Tá vendo.
Celina – E quando eu fui entrevistada… É muita fofoca. É por isso que eu estou falando. Você cai na pilha das fofocas, acredita e não vem conversar comigo…
Liliane – Eu não vou levar, eu não vou…
Celina – Eu não tô falando que você vai levar…
Liliane – Eu fico na minha, calada.
Celina – Mas tá errado. Sabe por que? Porque tem coisa que você tem razão, mas tem coisa que eu levo a culpa sem razão e sem eu ter culpa. Esse negócio do Zé Flávio, eu nunca….
Liliane – Foi o Sombra. Tudo começou na casa do Sombra. Eu, Sombra e Joe. Vamos colocar uma pessoa lá que o governador tenha…
Celina – Eu neguei. Inclusive foram falar com ele (…) que ia ser secretário (…)