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Brasília

Armando Raggio assume direção do HUB nesta segunda-feira

Arquivo Geral

16/05/2011 14h01

Armando Raggio assumirá nesta segunda-feira (16) a direção-geral do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e nomeará para a diretoria executiva José Luiz Gasparini, seu adjunto na Secretaria de Saúde de São José dos Pinhais, no Paraná. Em entrevista, ele afirma que suas primeiras providências vão ser estabilizar o abastecimento do hospital, ouvir as pessoas sobre as condições mínimas de trabalho para evitar novas interrupções de atendimento e recuperar serviços que possam ter sido desativados.

Por onde o senhor vai começar?


Armando Raggio –
Eu vou conhecer o principal do hospital, que são os trabalhadores, as equipes. Procurar, no menor prazo, visitar todos nas suas circunstâncias de trabalho. Em vez de fazer reuniões muito formais, visitar cada local no horário de trabalho das pessoas, perante as dificuldades com as quais elas se defrontam, num esforço de compreensão mais situacional. E, paralelamente, junto com os órgãos de administração da Reitoria, conhecer as dimensões estruturais do hospital. Tanto físicas – quanto temos de área construída, o que está em reforma, o que está prometido, por acabar, o que não tem condições imediatas de funcionamento – como também as relativas a compras de bens e serviços. Principalmente bens, porque as ofertas de serviços pelas instituições prestadoras é uma ação continua.

O que o senhor fará na área de pessoal?

Armando Raggio – Sei que existem trabalhadores terceirizados. Não pode haver descontinuidade disso, nem se perenizar esse tipo de relação, mas a curto prazo essa é a forma de provimento de força de trabalho que temos. Então temos que consolidar esses trabalhadores que tem essas relações menos estáveis, os servidores permanentes da instituição e o corpo técnico, profissional, os que ensinam, os professores. Outro ponto de interesse muito importante são os alunos, o ensino, a dimensão acadêmica da instituição.

O principal problema é o controle de estoque e compras?

Armando Raggio – De imediato temos que abastecer, ouvir as pessoas sobre as condições mínimas de trabalho para não haver interrupção de atendimento. O passo seguinte é recuperar serviços que possam ter sido desativados pelo mesmo tipo de falta: falta de abastecimento, falta de fornecimento de bens e serviços e por descuido organizacional. Na corrida para resolver um problema, às vezes você desativa uma atividade importante, deixa outra a contento, mas perde alguns graus em atividades que poderiam ter permanecido. Acho que a direção anterior tem uma experiência que merece respeito, tem um valor grande, porque a conjuntura dos hospitais é difícil para todos, governamentais ou não, e especialmente os hospitais de ensino ou melhor categorizados como é o HUB.

O senhor já conhecia o HUB?


Armando Raggio –
O HUB originalmente era um hospital da Previdência Social. Depois foi incorporado pela UnB e transformou-se num hospital reconhecido com programas de residência e programas especiais de intervenções altamente específicas. É preciso valorizar a potencialidade dele na constelação de serviços não só do Distrito Federal, mas de todo o Centro Oeste. Em alguns campos mais específicos ele é referência até para as regiões Norte e Nordeste.

Como o senhor trabalhará na área de pesquisas?


Armando Raggio –
Falei da integração num contexto geral e da integração propriamente dita, mas é preciso reavivar os propósitos de produção científica, de conhecimento e do desenvolvimento do Sistema Único de Saúde na região e no país, particularmente em Brasília, na UnB, que foi muito importante na formação dos conceitos e na aplicação deles, relevantes para a transformação institucional do que é hoje o Sistema Único de Saúde. A UnB, principalmente na área de saúde, tem um mérito muito importante na formulação do arcabouço jurídico institucional do SUS. Portanto, merece uma atenção especial do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, onde já estivemos com o professor João Batista. É preciso resgatar essa origem, que trouxe para cá a medicina consolidada na antiga capital federal, o Rio de Janeiro, onde havia pessoas com saber e uma cultura acumulada. Brasília tornou-se pólo de atração de outros territórios do Brasil. Para cá vieram profissionais encantados com a possibilidade da prática de uma política de saúde para todos, desde o Bandeirante, quando começou aqui a ação de saúde no acampamento provisório para a instalação da Nova Capital.

Quais são as principais dificuldades na área de compras?


Armando Raggio –
Não tenho todas as dimensões agora, tem um pessoal da área de administração da universidade fazendo o levantamento com a ajuda dos técnicos do hospital. O que eu tenho é uma impressão qualitativa. O que eu penso que aconteceu é igual uma pessoa que não tem dinheiro disponível e compra, mas não podendo pagar a compra anterior, não recebe a compra atual. O reitor e o vice-reitor tomaram a iniciativa de deslocar um milhão e meio de reais para o hospital e tem uma promessa do Ministério da Educação de aportar recursos para que se possa comprar e pagar. E obviamente é preciso renegociar as dívidas da melhor forma, com uma agenda capaz de se cumprir com aporte de recursos do próprio Sistema Único de Saúde, do MEC e da universidade, sem comprometer outros setores e a prioridade da UnB como um todo.

Quando o pronto-socorro volta a funcionar?


Armando Raggio –
Tem uma agenda negociada pela universidade que deve se cumprir nesta gestão para a recuperação e instalação do pronto-socorro. Agora, pronto-socorro não pode abrir provisoriamente. Precisa abrir com consistência. Esperamos fazer um cronograma objetivo com apoio das outras áreas, principalmente da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, do doutor Rafael (Barbosa). Essa meta é indiscutível. Está estabelecida, tem que ser feita. O HUB é uma unidade importante no ordenamento do sistema de saúde do Distrito Federal e devemos, com o acompanhamento do vice-reitor, doutor João Batista, buscar uma conexão firme com a Secretaria de Estado.

Quem será o novo diretor executivo?


Armando Raggio –
Eu costumo vir para as instituições trabalhar com as pessoas das instituições. Nós temos uma agenda muito apertada, no limite da atual gestão da universidade, com um acúmulo de responsabilidades para serem levadas a termo. Tive a concordância do reitor (e espero ter o apoio das faculdades para a composição da nossa equipe, aproveitando os quadros da universidade) para trazer para a Diretoria Executiva um profissional que trabalhou comigo no último ano e meio em que fui secretário de Saúde de São José dos Pinhais, onde encontramos um sistema totalmente necessitado de organização e abastecimento e logramos um êxito razoável. Claro que o sistema de saúde sempre tem falta, mas não pode ter faltas essenciais, não pode parar por falta. A gente não quer alongar as dificuldades. Vamos trazer uma pessoa com quem eu tenho 500 dias trabalhando como diretor-geral (secretário adjunto), o José Luiz Gasparini. Uma pessoa qualificada, com formação na área de compras, presidente de comissão de licitação, conhecedor da legislação por sua formação em direito, que foi diretor de Recursos Humanos, secretário de Administração municipal no interior de São Paulo e tem uma grande expectativa de participar comigo dessa empreitada na UnB, aproveitando a cultura do HUB, os técnicos, trabalhar com as pessoas da instituição.

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