Manuela Rolim
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A manutenção das áreas de lazer do DF está comprometida. Entre os motivos está a prorrogação da análise do processo licitatório que visa a conservação dos equipamentos públicos no Tribunal de Justiça. Enquanto isso, praças, parques infantis, quadras poliesportivas e até Pontos de Encontro Comunitário (PECs) seguem se deteriorando a cada dia. No Deck Sul, localizado às margens do Lago Paranoá, por exemplo, a falta de cuidado do governo e dos frequentadores do local é evidente.
Recém-inaugurado, o espaço já está com os bancos de concreto e as cestas de basquete quebrados. O matagal também é motivo de reclamação dos moradores do Lago Sul. Além disso, parte das lixeiras está sem as tampas e o lixo, muitas vezes, vai para a água.
- Lixeiras novinhas estão com tampas danificadas Foto: Myke Sena
- Frequentadores esperam melhor conservação dos espaços – Foto: Myke Sena
Acompanhada de várias crianças, a técnica de enfermagem Priscilla Sckarlat, 31 anos, percebeu a falta de manutenção no endereço. Um dos seus filhos, inclusive, estava sentado em um banco com a ponta danificada. “É perigoso, ainda mais para o público infantil”, declarou.

Priscilla Sckarlat e família
Foto: Myke Sena
Pela primeira vez no local, Priscilla contou sua impressão inicial. “Falta limpeza. A grama está muito alta às margens do lago. A sensação é de que não tem ninguém cuidando”, detalhou. Ainda assim, ela garantiu que voltaria em outra oportunidade. “O lugar é muito legal e amplo, mas espero que o governo conserve isso”, completou.
Sem tabela
No mesmo horário, as amigas Sandra Cavalcante, 42 anos, funcionária pública, e Edna Santos, 51, aposentada, ambas moradoras do Lago Sul, também levaram os filhos para brincar na quadra poliesportiva. Segundo elas, os meninos saíram de casa na intenção de jogar basquete, mas tiveram que mudar os planos ao se depararem com a ausência das cestas. “O jeito foi apostar no futebol”, brincou Sandra.
Saiba mais
Segundo a Novacap, o levantamento das necessidades de manutenção dos equipamentos públicos é realizado pelas administrações regionais com base nas demandas da população, recebidas via ouvidoria das RAs ou por líderes comunitários. Depois disso, as administrações listam suas prioridades e as encaminham à Secretaria das Cidades, que atenderá as demandas. Procurado pelo JBr., o TJDFT ressaltou que o processo não está parado.
Licitação suspensa
Procurada pela reportagem, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) explicou que foi iniciado um processo licitatório para a manutenção dos equipamentos públicos. No entanto, uma das empresas desabilitadas na etapa administrativa do certame ajuizou uma ação judicial questionando sua exclusão do processo.
Ainda de acordo com a Novacap, no dia 8 de setembro de 2016, a licitação foi suspensa pelo juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública até que fosse proferida a decisão final para o caso. Porém, no dia 19 de julho deste ano, o processo foi redistribuído para o Primeiro Juizado Especial da Fazenda Pública, logo, deverá ser todo analisado novamente. “A Novacap aguarda um posicionamento do novo juiz no que diz respeito à continuidade ou não da suspensão da licitação”, ressaltou o órgão, por meio da assessoria.
Já a Secretaria das Cidades alegou que “a conservação dos espaços públicos é uma prioridade para o Governo de Brasília”. Segundo a pasta, as administrações regionais têm atuado para resolver os problemas emergenciais com mão de obra e recursos próprios ou por meio de parcerias estabelecidas com a comunidade e os comerciantes locais. “Temos incluído ações de revitalização de espaços no cronograma de ações do programa Cidades Limpas”, concluiu o órgão.

