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Brasília

Após ter acervo destruído em crime, fotógrafo pede auxílio para refazer coleção

Arquivo Geral

23/03/2017 7h00

Atualizada 22/03/2017 22h05

Foto: Ariadne Marçal

Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Uma vida toda dedicada a fotografar perdida pelas mãos de quem não pensou duas vezes em vandalizar um patrimônio tão importante. O fotógrafo Vador Goularte, 78 anos, construiu sua história profissional em revistas nacionais como Manchete, Amiga e Fatos e Fotos. Mas todo o seu trabalho, colecionado ao longo de décadas, se perdeu após um crime, anos atrás. Agora, ele e a mulher tentam localizar exemplares antigos para remontar seu precioso acervo.

Cidadão honorário de Brasília desde 2014, Vador passou mais de 20 anos cobrindo pautas aqui, percorrendo o Congresso Nacional com a câmera no pescoço. Antes da mudança para Águas Claras, ele, a esposa, Norma Amoras Goularte, 63, e os filhos moravam em Valparaíso (GO), onde ocorreu o furto, ainda em 2001.

Na casa de esquina, eles tinham uma lojinha desativada, que acabou usada como depósito. E então, nas palavras de dona Norma, “o amigo do alheio foi fazer uma visita” e levou vários pertences. O que não tinha utilidade para o ladrão, como revistas e fotos, foi queimado. O criminoso ainda defecou em cima da bagunça que restou.

Crachás são parte dos poucos itens que restaram. Foto: Ariadne Marçal

Crachás são parte dos poucos itens que restaram. Foto: Ariadne Marçal

E a mulher, que já vinha há anos fazendo pesquisas para localizar as revistas, tem buscado em grupos do Facebook alguém tem ou sabe onde encontrar essas coleções. Ela deseja remontar um acervo para Vador, porque tudo que ele tem são lembranças de um tempo que se foi. “Quando passa o Carnaval, por exemplo, ele fica muito nostálgico”, diz a esposa.

O começo dessa história cheia de lembranças é lá em Pelotas (RS), quando Vador aprendeu a fotografar sozinho. Fez fotos de festas agropecuárias e trilhou uma carreira longa. Com um sonho de trabalhar na Manchete, mudou-se para o Rio de Janeiro. Depois de muita insistência, foi chamado como colaborador, até que foi contratado.

Ele brinca que era “furão”: tirava a foto e só perguntava se podia depois, e por esse costume até passou por apuros com autoridades. Orgulhoso, já cobriu o lançamento de foguetes e fotografou o cantor Roberto Carlos e várias outros artistas, além de presidentes como Ernesto Geisel, Juscelino Kubitschek e João Figueiredo. “É tanta coisa que até me perco. Eu lembrava mais quando tinha as fotos. Tantas pessoas interessantes…”, emociona-se.

Quando chegou a Brasília, não quis voltar mais. “Por que?”, brinca a mulher dele: “Porque me conheceu”. Aqui, fez fotos dos pioneiros, cobriu as campanhas de Fernando Collor de Mello e de Leonel Brizola. Foi ele também quem registrou a primeira foto de um beijo gay na frente do Congresso, destaca. “Uma oportunidade que gostei muito”, diz.

Eterno

Encantado com a profissão, ele afirma que a fotografia é algo que resiste ao tempo. “Eu acho um negócio lindo, uma coisa que fica na história. Ninguém desiste da fotografia. Ela é infalível”, resume Vador.

A carreira foi interrompida em junho de 2014, quando sofreu um infarto e ficou por quatro dias em coma. Vador saiu dessa situação sem sequelas. Mas fica a saudade de imortalizar histórias.

Tantos registros perdidos para o fogo cintilam na memória de Vador. Algumas fotos avulsas se salvaram, e ele ainda tem crachás dos lugares onde trabalhou, dos quais se orgulha muito e mostra para as visitas. “Essas coisas são guardadas com muito carinho, pois foram as únicas que restaram”, conclui Norma.

Serviço

Quem tiver informações sobre essas revistas pode entrar em contato com Norma pelo número 61 9994-40410.

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