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Após idas e vindas, União Brasil confirma Reguffe

Depois de tudo isso, fez-se um acordo e a indicação saiu. Os demais cargos majoritários serão definidos em reunião nesta sexta-feira (05)

Foto: Agência Senado

Eduardo Brito, Do Alto da Torre
Amanda Karolyne
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Após muitas idas e vindas, o União Brasil confirmou nesta quinta-feira, 4, a indicação do senador José Antônio Reguffe como candidato a governador do Distrito Federal nas eleições de outubro. A decisão foi tomada após Reguffe divulgar um vídeo, no final da manhã, em que deu sinais de que abandonará a corrida eleitoral. Na mensagem, postada em seu canal do YouTube, ele endureceu o jogo. Avisou que seria candidato a governador ou a nada, passando então quatro anos fora da política.

Depois de tudo isso, fez-se um acordo e a indicação saiu. Os demais cargos majoritários serão definidos em reunião nesta sexta-feira (05). Reguffe em seu discurso de pré-candidatura destacou que não teve uma trajetória fácil. “Levei três eleições para conseguir ter um mandato como deputado distrital. Justamente para entrar na política de uma forma honesta”, afirma. Em todos os mandatos, ele salienta que honrou tudo o que disse em suas campanhas. “Não é fácil ser político hoje. Mas eu acredito que as coisas vão mudar, quando cada um fizer a sua parte”.

Ele acredita que é preciso gerar emprego nas cidades, que não sejam somente o Plano Piloto. “É preciso também universalizar o acesso à creche, a educação infantil”. Para ele, o mais importante na política é a honestidade para com o povo. “O governo existe para a sociedade. Nós precisamos que o DF seja um exemplo para o Brasil. Isso aqui é a capital da República”.

Ele cumprimentou os partidos presentes, como seu antigo partido, o Podemos. O Partido Novo, o Avante, o PTB, o Cidadania e o Republicanos, que estiveram presentes na convenção. “Eu e o Manoel, as vezes a gente se desentende. Mas isso acontece nas melhores famílias”, afirmou, referindo-se ao presidente nacional do União Brasil, Manoel Arruda, com quem trocou ataques e afagos nas últimas 48 horas. O partido vai deixar a ata em aberto para a candidatura do seu vice.

O presidente do União Brasil DF, Manoel Arruda, tentou apagar os incêndios dando o anúncio da noite. Para ele, o nome do partido é porque de fato eles acreditam na união do povo. “Aqui é uma família, e família é o bem mais precioso, mas temos diferenças e desentendimentos. Isso é normal”, avisou. Ele, em nome do partido, prioriza a organização da casa. “Às vezes agimos por impulso e somos humanos, mas nosso objetivo é o mesmo: fazer o DF um estado melhor para se viver. É o que nós queremos, e unidos iremos fazer”.

Sandra Faraj, presidente do União Brasil Mulheres, comemora que a União Brasil tem a composição de homens e mulheres lutando pela democracia é uma cidade melhor. “Quero cumprimentar nosso pré-candidato Reguffe ao governo, e dizer que todos são bem vindos. Essa noite e muito especial porque vamos definir o que vai ser de Brasília nos próximos quatros anos”, afirma.

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Maria Paula Fidalgo, candidata a deputada federal, esteve presente no evento, acredita que hoje está sendo plantada uma semente que vai gerar frutos, seja no dia 3 de outubro, ou seja daqui quatro anos. Eliana Pedrosa, filiada candidata a deputada federal do partido, acredita que hoje seja uma festa de esperança. “Não vai ficar uma cidade de fora. Todas serão atendidas”, reforça. “É Reguffe agora, e cadeia para bandido. Ou o governo é para todos, ou ele não é para ninguém”, disse o candidato a deputado distrital, Flávio Werneck.

O acordo que permitiu o lançamento da campanha, porém, só surgiu à última hora. Até às 17h, Reguffe cobrava do União Brasil a autonomia que lhe fora prometida. Reguffe deixou o Podemos em março e se filiou ao União Brasil, com a promessa de que seria o candidato do partido a governador. Isso significava escolher o cargo que quisesse e poder definir por sua conta os demais cargos majoritários e o plano de campanha.

No final da manhã desta quinta, Reguffe chegou a renunciar à candidatura, pois o União Brasil lhe negava a autonomia que prometera. Em vídeo, o senador rompeu. “Eu me filiei para oferecer ao Distrito Federal uma alternativa real e viável, um governo que fosse honesto de verdade”, afirmou. Segundo o senador, o compromisso de que poderia ser candidato e de que teria autonomia na escolha da chapa e de alianças não foi cumprido.

Ainda no vídeo, Reguffe acusou o governador Ibaneis Rocha de interferir no processo. “Me chegou a informação de que, há alguns dias, o governador do Distrito Federal (Ibaneis Rocha) estaria tentando cooptar o meu partido, com a exigência apenas de que eu não disputasse o governo do Distrito Federal”, revelou. “Não sei se é verdade ou não. Eu sei é que o meu partido e sua direção não me querem como candidato. E isso trai o compromisso estabelecido na minha filiação. Com isso eu não posso concordar”, disse.

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Eventual desistência seria consequência de um recuo do partido, não dele. “O que leva um partido a não querer como candidato alguém que, na pior das hipóteses, tem mais de 20% nas pesquisas, alguém decente?”. Era uma alfinetada não apenas no União Brasil, mas também em Ibaneis. Afinal, Pesquisas de intenção de voto citadas pelo governador apontaram Reguffe com pontuações entre 20% e 25%, logo atrás de Ibaneis e com chances reais de um possível segundo turno. “Serei candidato a governador ou a nada. Pelo visto, será a nada”, concluiu o senador.

A repercussão do vídeo fez o União Brasil convocar uma reunião às pressas, que ocorreu no escritório do presidente nacional em exercício do partido, Antônio Rueda, no Lago Sul. Reguffe não apareceu por lá, mas estavam várias figuras locais do partido, como Rodrigo Totti, Maria Paula, Júlia Lucy e Rebeca Gusmão. O encontro foi conduzido pelo presidente regional do União Brasil, Manoel Arruda.

Ao final da reunião, Manoel Arruda confirmou que o União Brasil bancaria a candidatura de Reguffe para disputar a cadeira de governador. Todos na sala aplaudiram. Isso não significava um acordo, porém. O senador insistia em ter autonomia. Haveria aí um problema adicional. O próprio Manoel Arruda foi ao Palácio do Planalto onde o presidente Jair Bolsonaro o recebeu. Lá, Arruda garantiu ao presidente que a seção brasiliense o apoiaria para a reeleição. Estava implícita a possibilidade de endossar também a candidatura de Ibaneis Rocha. Reguffe sempre insistiu em que não apoiaria, em hipótese alguma, tanto Bolsonaro quanto Lula.

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