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Após 22 meses, UnB recebe estudantes em aulas presenciais

Foi iniciado nesta segunda-feira (17) o primeiro semestre híbrido da Universidade. Algumas disciplinas, que seriam realizadas presencialmente, foram temporariamente interrompidas devido ao avanço da covid-19 no DF

Foto: Gabriel de Sousa

Gabriel de Sousa
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Após 676 dias distantes das salas de aula, uma parcela de estudantes da Universidade de Brasília (UnB) retornou para as aulas presenciais nesta segunda-feira (17), com o início do primeiro semestre realizado em modelo híbrido. Apenas 15% das turmas dos cursos de graduação e pós-graduação terão atividades realizadas dentro dos campis da instituição de ensino superior. Por lá, são obrigatórias máscaras e é incentivada a vacinação dos frequentadores.

Devido ao crescente número de casos confirmados do coronavírus, e o avanço da variante ômicron, algumas unidades da Universidade de Brasília (UnB) que iriam iniciar o retorno presencial nestes próximos dias decidiram suspender temporariamente a volta às salas de aula.

Porém, estudantes da Faculdade de Tecnologia (FT/UnB) e do Instituto de Física (IF/UnB), tiveram a sua primeira aula presencial, após quase dois anos de ensino remoto, nesta segunda-feira (17). A última vez que foram realizadas atividades dentro do campus da instituição foi no dia 12 de março de 2021

A UnB explica que as turmas capacitadas para as aulas nos prédios da instituição não irão retornar necessariamente neste primeiro momento, e sim ao decorrer do novo semestre acadêmico, que se encerrará no início do mês de maio. As salas de aula serão limpas uma vez ao dia, e os banheiros, em quatro ocasiões diárias. Alguns espaços de atividades dos cursos, que antes comportavam cerca de 70 pessoas, agora irão atender a um número inferior à metade deste número, visando a segurança epidemiológica.

De acordo com o vice-reitor da Universidade de Brasília, Enrique Huelva, o projeto de retorno presencial da UnB, preparado ao longo da pandemia de covid-19, pretende obter o bem-estar de todos os funcionários e estudantes que irão frequentar os espaços acadêmicos. “Nos preparamos para o retorno gradual e seguro. Há dois anos estamos trabalhando para resguardar e salvar vidas. Seguiremos nesta direção”, afirma.

Enfim, o fim da saudade

Uma das poucas estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que puderam retornar para as salas de aula foi Isabelle Santos, estudante do oitavo semestre de física. Após dois anos distante do Campus Darcy Ribeiro, localizado na Asa Norte, Isabelle teve a oportunidade de estudar dentro dos prédios da instituição novamente.

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Segundo ela, o primeiro dia foi diferente dos tempos anteriores à pandemia, já que a rotina das aulas remotas já ficou consolidada. “Eu estava muito desacostumada, já que com as aulas on-line você tem mais um pouco de tempo, e tem a praticidade de estar dentro de casa”, afirma.

Isabelle explica que o seu foco fica mais eficiente com as aulas presenciais, e explica que os principais benefícios das aulas dentro das salas de aula é a extinção de problemas técnicos relacionados à conexão via internet. Animada, a estudante de física explica a emoção do retorno para o campus Darcy Ribeiro: “Foi muito emocionante. Eu estava com muita saudade de UnB”.

Apesar do avanço da variante ômicron e o crescente número de casos diários de coronavírus no DF, Isabelle explica que se sentiu bastante segura no primeiro dia de aulas presenciais na Universidade de Brasília (UnB). Por lá, está sendo recomendado o uso de máscaras cirúrgicas ou PFF2. Segundo a estudante, para entrar no Restaurante Universitário (RU), foi exigido o comprovante de vacinação. “Esse retorno está bem seguro. Eu sinto receio porque eu tenho asma, mas indo para lá, eu me tranquilizei, porque estava bem vazio e as cadeiras estavam bem afastadas”, explica a universitária.

Estudantes tiveram o retorno presencial adiado

Enquanto alguns estudantes tiveram a oportunidade de ter aulas ministradas de forma presencial na Universidade de Brasília (UnB), outros terão que aguardar ainda mais para ter a mesma oportunidade. Dias antes do início do novo semestre acadêmico da instituição, iniciado nesta segunda-feira (17), uma parcela de departamentos optou pelo adiamento do início das movimentações dentro dos prédios universitários.

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A Faculdade de Medicina (FM/UnB), o Instituto de Ciências Humanas (ICH/UnB) e a Faculdade de Comunicação (FAC/UnB) foram alguns que optaram pelo adiamento, tendo em vista o crescente número de casos de infecções pela covid-19 no DF e o surgimento da variante ômicron.

Segundo a administração central da UnB, desde o início do planejamento, foi definido que os departamentos não irão necessariamente adotar o sistema híbrido de ensino durante os primeiros dias do novo semestre, tendo até o mês de fevereiro para começar a adotar as novas medidas.

A decisão afetou universitários como Gabriella Castro, estudante de jornalismo de 20 anos, que iria começar a estudar presencialmente na Faculdade de Comunicação (FAC/UnB) nos próximos dias, mas teve o planejamento interrompido devido a situação epidemiológica do Distrito Federal.

Na última sexta-feira (14), três dias antes do início das aulas presenciais, a Faculdade de Comunicação (FAC/UnB) decidiu suspender o retorno presencial para até o dia 11 de fevereiro de 2021. Gabriella, que é nascida no Piauí, e que passou os últimos dois anos residindo no estado nordestino, retornou para o Distrito Federal somente para acompanhar as aulas dentro dos prédios da Universidade. “Eu até pensei em voltar para casa [no Piauí], para poder economizar um pouco no aluguel, mas essa situação gera muitas incertezas”, afirma.

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Gabriella chegou no Distrito Federal na quarta-feira (12), e diz que esperava que a decisão tivesse sido feita há semanas atrás, já que com o avanço do contágio e da taxa de transmissão no Distrito Federal, uma reviravolta no retorno presencial era provável. Porém, suas aulas foram suspensas dois dias após o seu desembarque. “Desde o começo de janeiro eu estava muito tensa. Só que passou dias e mais dias, e não soltaram nenhuma informação. Então eu decidi vir para Brasília, e quando eu cheguei, a FAC soltou uma nota. Aí, o meu chão caiu”, observa.

Apesar do ocorrido, a estudante diz que continuará residindo em Brasília, e assistirá às aulas remotas em um apartamento dividido com uma amiga, na Asa Norte. “Resolvi ficar por aqui mesmo, sem ter aula presencial. Eu fiquei muito abalada, sem ter o que fazer. Fiquei pensando se eu saía do DF ou não, porque eu já estava contando em ir para a UnB”, explica a futura jornalista.

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