No Distrito Federal, existem diversos cães e gatos que vivem nas ruas à espera de um novo lar. Apesar de muitos deles serem resgatados, a adoção é também demorada. Para ampliar a visibilidade desses animais, o Partido Verde (PV) lançou neste domingo (28) o aplicativo AdotaPet, uma ferramenta digital desenvolvida para aproximar protetores independentes, abrigos e pessoas interessadas em adotar um cão ou um gato.
De acordo com Eduardo Brandão, presidente do PV no DF, a ferramenta chega para facilitar a vida das pessoas que tanto se esforçam para resgatar animais e também daquelas que buscam mais praticidade na hora de adotar um novo pet. “Se você tem isso cadastrado em um aplicativo, a pessoa entra e escolhe. Se gostou, ‘deu match’, então vamos conseguir o novo lar para esse gatinho, para esse cachorrinho”, comentou Eduardo em entrevista ao Jornal de Brasília.
A ideia de criar uma plataforma passa pelo entendimento de que a tecnologia deve ser usada para o benefício dos animais também, explicou Eduardo. “A tecnologia pode ser uma grande aliada da causa animal, ampliando o alcance das adoções e ajudando a transformar a realidade de milhares de cães e gatos que esperam por uma família”. Para acessar, basta ter em mãos o celular e acessar, através do navegador, o endereço adotapet.eduardobrandaopv.com.br. Com isso, é possível escolher se você quer adotar ou se é um protetor dos animais que quer ajudar na causa. O aplicativo é totalmente gratuito.
O casal Rafaela Fonseca e Vitor de Mattos foram os primeiros a adotarem um gatinho através do AdotaPet. Presentes na feira de adoção do lançamento, os dois já planejavam há algum tempo adotar um novo companheiro. “Eu tive um cachorro que morreu de velhice há algum tempo e meu namorado tinha dois gatos, mas eles ficaram com os pais dele quando a gente se mudou. Agora nós adotamos esse gatinho para morar com a gente”, contou Rafaela.

Para ela, uma ferramenta como essa é muito útil para quem tem interesse pela adoção de animais. “Eu e o Vitor já tínhamos decidido há algum tempo que iríamos adotar um pet, mas nós víamos os gatinhos principalmente no Instagram. Acho que um aplicativo que mostre uma lista de animais que estavam abandonados e procuram o lar vai facilitar bastante a adoção”, disse Rafaela.

A ideia do PV é levar o aplicativo para todo o país, por meio de embaixadores estaduais do partido. A pauta é histórica para a sigla, e no DF, foi encabeçada por Eduardo na Secretaria de Meio Ambiente do GDF, quando foi concebido o primeiro Hospital Público Veterinário, implantado e iniciada as operações do Castramovel e feito o primeiro decreto que tratava de animais domésticos. “Nós pensamos em criar esse aplicativo para aproximar e facilitar a vida tanto de quem cuida como de quem adota. Surgiu aqui no DF, e a gente quer levar para todos os estados através do nosso partido”, completou Eduardo.
Além de apresentar a plataforma, o lançamento também teve o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da adoção responsável e valorizar o trabalho desenvolvido por protetores independentes, que diariamente acolhem e cuidam de animais em situação de vulnerabilidade.

Facilidade para os protetores
Ao JBr, a protetora independente de animais, Juliana Campos, falou entusiasmada da expectativa de que o aplicativo possa ajudar cada vez mais animais abandonados. Representante do Movimento Justiça pelos Tigrados – que remete ao caso do psicólogo acusado de maus-tratos a 17 gatos sob falsas promessas de cuidado – Juliana pontuou a importância da iniciativa. “Eu sou protetora independente há 6 anos e já vivi muitas dificuldades com a questão da adoção. Essa é uma ferramenta para que a gente possa fazer adoções responsáveis, para que a gente possa monitorar os adotantes. Tudo que vem para beneficiar a causa animal, a gente recebe de muito bom grado, porque nós, principalmente os protetores independentes, nós não temos muito apoio”, relatou.
De acordo com ela, muitos protetores precisam buscar por conta própria ferramentas para conseguir fazer eventos de adoção, divulgar resgates e ajudar animais abandonados. “Nesse caso, o aplicativo vai ajudar tanto quem quer adotar – porque a pessoa pode entrar para procurar um gatinho, um cachorrinho – quanto a gente que tem um animal para colocar em adoção e também para pessoas voluntárias que queiram ajudar algum projeto. A gente precisa de voluntários, e lá a pessoa também pode se cadastrar como voluntário da causa animal. É uma ferramenta de muita importância para a gente”, finalizou Juliana.
Segundo o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), a destinação de cães e gatos vítimas de abandono e maus-tratos é um problema que precisa ser encarado e tratado em rede: Estado e sociedade civil. Uma questão importante é encontrar um cuidador e um lar para esses animais. De acordo com o MPDFT, a adoção responsável pode ser uma saída para resolver parte do problema. Para isso, a população precisa ser orientada e sensibilizada.