Raphaella Sconetto
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Três dias após a laje desabar em cima de 23 veículos, no Bloco C, da 210 Norte, aos poucos os moradores começam a retomar a rotina. Os escombros e a terra começaram a ser retirados na terça-feira (6) por uma empresa privada. A energia voltou hoje e a expectativa é de que os canos de água e esgoto sejam ligados amanhã.
Segundo o engenheiro civil responsável pelos reparos, Ronaldo Evangelista, as obras têm ocorrido com tranquilidade e sem ocorrências. “A gente está removendo o solo, a terra. A rede de água, esgoto e a parte hidráulica de águas pluviais estamos finalizando, a previsão é que vamos liberar amanhã”, explica o engenheiro, que também é morador do bloco.

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Ainda de acordo com Evangelista, a decisão de quem será o engenheiro responsável por elaborar o laudo técnico, que vai apontar as causas e os efeitos do desabamento da laje, foi feita hoje em uma reunião com os condôminos. “Vários profissionais apresentaram os serviços. Então, a decisão depende de uma reunião”, alega.
No entanto, ainda não há data para que o laudo fique pronto. “Depois de todos os reparos emergenciais, o próximo passo é a investigação. É um trabalho feito por etapas, minucioso. Infelizmente, não temos data para que ela finalize e não temos previsão de data para retirar os carros”, conclui.
Todas as ações foram recomendadas pela Defesa Civil para segurança dos moradores. “A terra cedeu um pouco por conta da chuva e a tendência é de que continue cedendo. Então, é preciso retirar os escombros e a terra, de modo que evite a sensação de insegurança das pessoas”, esclareceu o subsecretário, coronel Sérgio Bezerra. Porém, ele pondera que não há risco de a edificação desabar. “As pessoas podem ficar tranquilas, porque vamos fazer monitoramentos diários, nos dois turnos”, afirmou.
Ponto de vista
A queda da laje, na 210 Norte, e do viaduto, no Eixão Sul, acendem debates sobre a falta de manutenção, tanto de propriedades privadas como públicas. Brasília é conhecida por seus grandes monumentos de concreto, mas segundo o professor de Engenharia Civil do Centro Universitário Estácio, Sérgio dos Santos, independentemente do material em que é utilizado, toda construção precisa passar por manutenções.
“O concreto tem características únicas e limitadas em relação a outros materiais. Por si só o concreto é mais pesado, é mais frágil e apresenta mais porosidade, então é preciso ficar atento quanto a infiltração de água. Por isso, ele exige que tenha manutenções mais constantes”, afirma.
Ainda de acordo com o especialista, para garantir a segurança do imóvel é necessário contratar um profissional habilitado. “As construções têm uma vida útil. Então, é preciso que os proprietários ou síndicos tenha a responsabilidade de manter o imóvel. Como fazem isso? Contratando engenheiros ou arquitetos com o devido registro para fazer análises”, conclui.