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Brasília

Antes de morrer, mulher buscou atendimento em cinco hospitais

Arquivo Geral

02/08/2013 7h26

Uma mulher de 45 anos sofre infarto. Ela é levada, às pressas, ao Hospital Municipal Bom Jesus, em Águas Lindas (GO), Região Metropolitana do Distrito Federal. O médico tenta salvá-la, mas não tem equipamentos necessários. A única esperança é a transferência. Todos seguem na ambulância para Brazlândia, Ceilândia e Taguatinga, mas só conseguem interná-la, com muito custo, no Hospital de Base. 

 

A história parece enredo de filme, mas é realidade na saúde pública do Distrito Federal. A paciente é Edna Neres Santos. Ela permanece internada na unidade de saúde com morte encefálica. Antes disso, foram seis horas peregrinando à procura de vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). 

 

A Secretaria   de Saúde (SES), porém, diz que a paciente já chegou ao Hospital de Base com morte encefálica. Os familiares dizem que houve negligência no atendimento. A cunhada de Edna, Maria Francisca Cruz, 57 anos, afirma que o tempo era realmente crucial para salvar a vida da paciente. 

 

A família lembra que, primeiramente, Edna se queixou de dor de cabeça, pedindo a um sobrinho para comprar um remédio. “Ela tomou e ficou sentada no sofá. Meu irmão só percebeu quando ela o chamou e em seguida desmaiou”, conta a cunhada. A mulher foi levada rapidamente pelos familiares para o hospital público da região.  

 

Momentos difíceis


O sobrinho Rogério Cruz, 20 anos, foi quem levou a tia à unidade de saúde. Ele lembra do que presenciou. “Vi o quanto eles usaram aquele balão manual, que ajuda na respiração do paciente. Eles estavam suados de tanto repetir aquele movimento. É uma vergonha não termos equipamentos práticos na nossa saúde”, reclama. “Se tivesse uma unidade de atendimento complexo, nós não teríamos passado por esta humilhação de ficar implorando por atendimento no DF. Esta não é a primeira vez que perdemos um parente por negligência. Este hospital tem sido a nossa única  opção de socorro médico”, lamenta Rogério. Segundo os parentes, ontem ela passou por uma drenagem cerebral por conta de um inchaço no cérebro. 

 
 
Médico é considerado um herói
 
 
 
O médico que a atendeu a paciente por mais de seis horas,   dentro de uma ambulância e sem ajuda, tem sido considerado um herói. E não é para menos. Depois de     fazer ventilação manual por horas seguidas, no dia seguinte ele ainda estava emocionado com o fato. 
 
Wendel Moreira   relatou que a paciente deu entrada no Hospital Municipal Bom Jesus às 20h30 de quarta-feira com parada cardiorrespiratória. “Foram feitas manobras de reanimação e ela voltou à função cardíaca. Foi tentado contato com as chefias de equipe dos hospitais de Brazlândia, Ceilândia, Taguatinga e Base, todos se recusaram a recebê-la. Foi também solicitado um respirador portátil do Samu, no DF e Goiás, mas não conseguimos. Só depois de ameaças para levar o caso à polícia é que foi liberada uma viatura do DF”, explica.
 
 “Fiquei arrasado porque tudo que fizemos foi de improviso”, diz o profissional que exerce a medicina há um ano e relata ficar indignado com a falta de estrutura. 
 
No Hospital de Base, que também se recusou recebê-la, depois de ficar uma hora do lado de fora dentro da ambulância prestando socorro à paciente, o médico chamou a imprensa e a família registrou ocorrência. “Só assim a equipe nos recebeu”, diz o médico.
 
A diretora do hospital de Águas Lindas, Maria da Conceição Soares, informou que todas as manobras cabíveis foram feitas. “Ela foi medicada e entubada, porém, somos uma unidade de pequena complexidade. Não temos equipamentos para atender casos graves”, relata.  
 
 
Saiba mais
 
 
O Governo Federal vai investir, em princípio, o valor de R$ 13,5 milhões para a conclusão do Hospital de Águas Lindas. O Estado dará a contrapartida de R$ 1,5 milhão, e o município entra com a  doação da área.
 
A unidade terá capacidade de 152 leitos, sendo 40 de UTI. O hospital irá beneficiar não apenas a população de Águas Lindas, mas também de Cocalzinho, Girassol, Santo Antônio, todas na Região Metropolitana do Distrito Federal.

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