Uma mulher de 45 anos sofre infarto. Ela é levada, às pressas, ao Hospital Municipal Bom Jesus, em Águas Lindas (GO), Região Metropolitana do Distrito Federal. O médico tenta salvá-la, mas não tem equipamentos necessários. A única esperança é a transferência. Todos seguem na ambulância para Brazlândia, Ceilândia e Taguatinga, mas só conseguem interná-la, com muito custo, no Hospital de Base.
A história parece enredo de filme, mas é realidade na saúde pública do Distrito Federal. A paciente é Edna Neres Santos. Ela permanece internada na unidade de saúde com morte encefálica. Antes disso, foram seis horas peregrinando à procura de vaga na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
A Secretaria de Saúde (SES), porém, diz que a paciente já chegou ao Hospital de Base com morte encefálica. Os familiares dizem que houve negligência no atendimento. A cunhada de Edna, Maria Francisca Cruz, 57 anos, afirma que o tempo era realmente crucial para salvar a vida da paciente.
A família lembra que, primeiramente, Edna se queixou de dor de cabeça, pedindo a um sobrinho para comprar um remédio. “Ela tomou e ficou sentada no sofá. Meu irmão só percebeu quando ela o chamou e em seguida desmaiou”, conta a cunhada. A mulher foi levada rapidamente pelos familiares para o hospital público da região.
Momentos difíceis
O sobrinho Rogério Cruz, 20 anos, foi quem levou a tia à unidade de saúde. Ele lembra do que presenciou. “Vi o quanto eles usaram aquele balão manual, que ajuda na respiração do paciente. Eles estavam suados de tanto repetir aquele movimento. É uma vergonha não termos equipamentos práticos na nossa saúde”, reclama. “Se tivesse uma unidade de atendimento complexo, nós não teríamos passado por esta humilhação de ficar implorando por atendimento no DF. Esta não é a primeira vez que perdemos um parente por negligência. Este hospital tem sido a nossa única opção de socorro médico”, lamenta Rogério. Segundo os parentes, ontem ela passou por uma drenagem cerebral por conta de um inchaço no cérebro.