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Brasília

Amamentar é um gesto de amor

Mês debate a importância do leite materno para os bebês e a necessidade da solidariedade

Redação Jornal de Brasília

11/08/2021 8h26

Atualizada 14/09/2021 15h50

Elisa Costa
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Agosto Dourado é o mês de conscientização sobre a amamentação, iniciativa que surgiu em 1991 através da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). A data também trata dos problemas da maternidade e o espaço das mães na sociedade.

Aqui no DF, o governo lançou, no dia 2 de agosto, a campanha que acontece durante todo o mês para falar sobre a importância da amamentação para a saúde e desenvolvimento da criança. Na abertura da campanha, foram debatidos temas como licença maternidade, licença paternidade, amamentação de mães com covid-19 e o direito de amamentar em público.

De acordo com a Secretaria de Atenção à Saúde do ministério, o aleitamento materno aumenta o vínculo afetivo entre mãe e filho, protege a criança contra infecções que podem levar à morte, evita a diarréia, diminui o risco de alergias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e reduz a chance de obesidade. Algumas pesquisas indicam um melhor desenvolvimento cognitivo em crianças amamentadas, mas os mecanismos envolvidos nessa associação ainda estão sendo analisados.

Estudos também apontam vantagens da amamentação para as mães, como proteção contra o câncer de mama, câncer de ovário, câncer de útero, osteoporose, hipertensão, doença metabólica, artrite reumatoide, entre outras.

Quadro preocupante

Em janeiro e fevereiro de 2021, os estoques de leite do Banco de Leite Humano do DF registraram uma queda preocupante em relação ao ano anterior, acredita-se que devido ao receio das mães em sair de casa para doar durante a pandemia.

Ajuda bem importante

Por este motivo, o banco realizou uma campanha para incentivar as doações, em março deste ano, já que o leite materno é alimento diário de cerca de 250 bebês internados.

Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e do Banco de Leite Humano do DF explicou: “O estoque de leite está um pouco melhor que no ano passado, entretanto essa diferença vem caindo a cada mês. Então, a melhor forma de balancear isso é incentivando as doações e divulgando informações sobre como as mães podem fazer isso”.

Para doar, basta fazer o cadastro prévio no Disque Saúde 160 – opção 4 -, no site do Amamenta Brasília ou pelo aplicativo disponível em IOS e Android. Depois, a equipe do Banco de Leite vai entrar em contato com a mãe para marcar o procedimento em casa, com uma equipe de bombeiros.

Para debater temas relacionados, o Agosto Dourado no DF vai realizar diversos eventos virtuais e gratuitos no canal “Amamenta Brasília”, no YouTube, a partir do dia 23. Alguns dos assuntos a serem abordados incluem a alimentação complementar de bebês, direitos da mulher no parto e nascimento, uso seguro de medicamentos, o papel da enfermagem na proteção do aleitamento materno.

“Fui salva pelo banco de leite”

“Eu nasci prematura, de 27 semanas e fui salva pelo Banco de Leite. A minha mãe só tinha 16 anos na época e eu não conseguia mamar nela. Agora que sou uma mulher e também sou mãe, doar leite foi uma forma que eu vi de retribuir com o amor e agradecer pelo leite que eu recebi quando era bebê”, relatou Amanda Kelly, que foi doadora do Banco de Leite por 4 meses.

A pedagoga de 24 anos e moradora da Região administrativa de Planaltina deu à luz ao Kauan no ano passado, durante a pandemia da covid-19. Ela explicou que ficou feliz em doar uma boa quantidade de leite ao banco pois sofreu de hiperlactação, que acontece quando a mulher tem produção excessiva de leite materno.

Ela contou que sentiu muita sensibilidade nos seios no início da amamentação, chegando a ter sangramentos, mas fez questão de não desistir do processo. Atualmente o Kauan tem 1 ano e 2 meses e ainda mama no peito da mãe. “Tive alguns rachamentos nos seios e foi muito difícil, sabe? Porque a mulher já fica fragilizada com o parto, e a hora de amamentar traz muita ansiedade”, contou Amanda.

Luana Lyra, jovem brasiliense de 22 anos, também deu à luz durante a pandemia. A mãe de Murilo – um bebê de 10 meses – viveu uma experiência diferente na fase de amamentação: “Ele não pegou meu peito, pois tenho o mamilo invertido. Uma enfermeira que me atendeu no hospital foi quem me ajudou a fazer o Murilo mamar com o leite da translactação que realizamos. Só podíamos receber alta depois que ele estivesse se alimentando corretamente e com segurança”.

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