Consciência ambiental, criatividade e diversão. Essa é a fórmula do Projeto Percussucata. Criado em 2003, a partir da apresentação de monografia do professor Marcelo Capucci, 32 anos, o trabalho saiu do papel quatro anos depois e hoje movimenta centenas de crianças e adolescentes do Ensino Infantil e Fundamental da rede pública de ensino do Distrito Federal e Entorno.
O Projeto foi idealizado para educar e convencer os alunos de que é possível improvisar e criar música a partir de resíduos sólidos que, a princípio, eram considerados apenas lixo. Para isso, garrafas pet entram em cena e se transformam em instrumentos de um show de percussão.
Na última sexta-feira, cerca de 830 estudantes da Escola Classe 08 do Guará, antigo Centro de Ensino Fundamental 07, receberam a visita do Percussucata. Elaine de Moura, vice-diretora da instituição, contou que conheceu o trabalho do grupo em uma Feira de Ciências realizada no segundo semestre deste ano. “A direção da escola adorou a iniciativa”, conta.
Importância
Elaine acredita que o Projeto contribui em grande parte para o rendimento escolar e que as lições sobre reciclagem, aquecimento global, coleta seletiva e responsabilidade social são transmitidas de maneira clara e eficiente. “Toda atividade extraclasse tem o rendimento 10% maior do que uma normal. Além de captarem a mensagem os alunos aprendem a ter respeito mútuo”.
Hadassa Ester, 6 anos, é aluna do Jardim II e ficou entusiasmada com o som extraído das batidas. A estudante mostrou que, além de fazer muito barulho, aprendeu uma lição. “Agora eu sei que não podemos jogar as garrafas junto com outros tipos de lixo”, lembra.
Marcelo Capucci conta que o início do projeto não foi nada fácil. “Apresentei para muitas empresas e não obtive êxito. Não conseguia patrocínio.”
Entretanto, o professor nunca desistiu de colocar o Percussucata em prática e hoje colhe ótimos frutos. “A Petrobrás, uma das maiores empresas do Brasil, apostou e deu certo. Até o final deste ano vamos atender 15 escolas e 20 mil alunos. No próximo ano, o objetivo é atingir a marca de 100 mil”, comemora.
Além do batuque formado pela batida nas garrafas pet, outros sons também fisgam a atenção das crianças e adolescentes. “Eu senti a necessidade de algum instrumento que pudesse dar harmonia ao conjunto. Como toco em uma banda, chamei alguns amigos para participar do projeto e eles tocam bateria e guitarra durante as apresentações”. Ao todo são 18 profissionais envolvidos no “Percussucata”.