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Alunos dos cursos noturnos da UnB sofrem com a falta de estrutura

Por Arquivo Geral 03/02/2011 2h56

 

Quarta-feira, 26 de janeiro, 22h. Os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC) da Universidade de Brasília estão cheios. A movimentação vem dos cerca de mil alunos distribuídos nos 26 cursos noturnos oferecidos pela instituição. Apesar da intensa atividade acadêmica, a rotina desses estudantes não é fácil. Falta de iluminação, banheiros sujos, dificuldade de se comunicar com os coordenadores dos cursos e até de comprar uma caneta estão entre os problemas do terceiro turno. 

 

As aulas noturnas nos campi Darcy Ribeiro – com 24 cursos de graduação – e de Planaltina – com dois cursos noturnos – ocorrem das 19h às 22h30. Às 19h50, no entanto, parte do comércio no Minhocão começa a fechar as portas. “A papelaria costuma ficar aberta, no máximo, até 20h30. Se quiser comprar uma caneta para fazer uma prova ou um envelope para entregar um trabalho depois desse horário não dá”, conta a estudante do 4º semestre de Química, Sabrina Guedes, 19 anos.

 

Quem precisa de uma cópia depois das 21h30 só tem uma opção: um quiosque da Ala Sul. “Às vezes ficamos abertos até umas 22h para não prejudicar os alunos, mas não temos um horário certo para fechar”, alerta o comerciante Henrique José dos Santos. Se a fome bater, a solução é caminhar até a Ala Sul, onde um dos comércios mantém as portas abertas até às 23h. O jantar no Restaurante Universitário é servido até às 19h. Quem sai do trabalho para a UnB não consegue comer no Bandejão.

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“O RU não atende os cursos da noite. A maioria das pessoas que estuda à noite trabalha durante o dia todo e vem direto para a UnB”, critica a estudante do quarto semestre de Letras, Lígia Azevedo, 19 anos. A decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes, ressalta que para atender a demanda noturna do Restaurante Universitário seria preciso contratar um novo turno de servidores. “É preciso um estudo para ve

r a relação custo benefício e a real demanda pelo serviço. Estamos abertos ao diálogo”, pondera a professora.

 

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ESCURIDÃO 

 

 

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A maior preocupação dos alunos do turno da noite na UnB, no entanto, parece ser a falta de iluminação. Durante a noite em que a equipe da UnB Agência circulou pelo campus, praticamente toda a Ala Sul do Minhocão estava sem luz. A situação se repetiu no estacionamento da Ala Sul e em boa parte da área entre a Reitoria e da Ala Norte. “Essa escuridão gera uma insegurança que é ruim para a comunidade”, avalia o calouro de Direito, Bruno Soares, 18 anos.

 

Não bastassem as luminárias quebradas, quem caminha pelo ICC ao cair do sol ainda encontra a maioria dos banheiros sujos e sem papel. “Esse é um problema geral da UnB, mas que piora bastante durante à noite pois não tem pessoal para fazer a reposição e a limpeza”, aponta o aluno João Lucas Dutra, 21 anos, do 5º semestre de Letras. Além da falta de papel e do mau cheiro, principalmente nos banheiros masculinos, a reportagem flagrou portas-papel quebrados no ICC.

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O prefeito dos Campi, professor Paulo César Marques, explica que o atual modelo de contratação de terceirizados para os serviços de iluminação e limpeza é um dos obstáculos para melhorar o atendimento à comunidade. “Estamos desenvolvendo um novo edital de contratação que vai permitir mais controle sobre esses serviços”, disse. “Estamos cientes dos problemas e vamos buscar resolve-los, mas é difícil se comprometer com prazos pelo número limitado de funcionários”, completa Paulo. 

 

 

AGENDAMENTO


O horário de funcionamento das secretarias das unidades acadêmicas é outro impasse. Não há um horário determinado para o funcionamento. A maioria fecha antes de 21h30. “No Instituto de Letras tudo fecha antes das 20h”, comenta o formando João Lucas Dutra, que teve dificuldades para retirar um Histórico de Pendências na secretaria do curso. “Ou você sai mais cedo do trabalho ou fica sem o que precisa”, completa o estudante.

 

Na maioria dos departamentos é preciso agendar um horário para o dia seguinte, durante a tarde ou a manhã, para conseguir uma conversa com o coordenador de curso ou um professor. Mesmo no curso de Ciências Ambientais, que é apenas noturno, só é possível falar com a coordenação durante o dia ou por e-mail. “Nós fazemos o atendimento de secretaria, mas anotamos os recados para encaixar o aluno em um horário na agenda dos coordenadores”, conta a secretária da unidade, Elaine Souto.

 

A decana de Ensino de Graduação em exercício, Denise Imbroisi, acredita que o agendamento é a melhor solução para o impasse. “A maioria dos coordenadores são professores e trabalham dois turnos nas unidades. Não têm condições de ficar à noite também”, observa. “A flexibilidade, tanto por parte dos alunos como dos docentes, é o melhor caminho”, completa a professora, que aconselha as unidades a manterem suas secretarias abertas até às 21h30 para não prejudicarem os estudantes.  

 








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