O fim de semana foi debaixo d’água para pacientes e servidores do Hospital Regional do Paranoá. Desde sexta-feira (8), a unidade sofreu com alagamentos vindos dos banheiros na parte dos leitos. Conforme os depoimentos colhidos pelo Jornal de Brasília, a água “brotava” dos ralos e tomava quartos e corredores. Em vídeos obtidos pela reportagem é possível ver pessoas enfermas em macas enquanto voluntários e alguns funcionários tentavam escoar a água para ralos ou cantos inclinados.
De acordo com relatos de pacientes, houve confusão com a chefia hospitalar. “Os pacientes ficaram nervosos”, comenta Néia Gomes, que acompanhava uma tia internada na unidade em função de um câncer. Segundo conta, a engenheira – chamada pela chefe da equipe – “simplesmente chamou a polícia” e alegou que havia sido agredida. “Isso não aconteceu”, garante Gomes. “[No] sábado aconteceu a mesma coisa, a água vazando”, conta, ainda que o pior não tivesse chegado.
O domingo, dia de equipes reduzidas e maior calmaria no hospital, foi marcado por pés molhados e indignação. “Foi demais. Nós estávamos lá depois do almoço, e aí aconteceu a mesma coisa, só que daí se estenderam para mais uns quatro, cinco quartos. Simplesmente ninguém fazia nada”, indigna-se a mulher. “E aí os próprios pacientes pegaram o rodo e foram tentar retirar a água”. “Eu até fico com dó da equipe de enfermagem que estava lá, que foi bem prestativa. Tinha um médico também muito bom que nos ajudou, nos orientou, nos acalmou. Mas assim, não era da alçada deles, não tinham muito o que fazer”, completa.
Problemas com a bomba
Questionada pelo JBr., a Secretaria de Saúde (SES-DF) garantiu que tomou “todas as medidas cabíveis” de forma a “garantir a segurança e o bem-estar de pacientes, acompanhantes e colaboradores”. A pasta ainda aponta que equipes de limpeza atuaram desde sábado (9) para atenuar os efeitos dos alagamentos, “mantendo o ambiente seco e em condições adequadas de uso”. Ainda assim, a própria secretaria reconhece que, no domingo (10), “houve agravamento do problema, com transbordamento de esgoto pelo ralo após a utilização do vaso sanitário”.
A pasta indica que acionou a Companhia de Águas e Esgotos do Distrito Federal (Caesb), que identificou “que a bomba responsável pelo direcionamento do esgoto do prédio para a rede externa encontrava-se desligada”. A Caesb, então, religou o aparelho. Nesta segunda estava previsto um teste operacional no local, mas o órgão não compartilhou os resultados com a reportagem – nem informou o horário do teste. A SES conclui a nota indicando que “não foi identificado qualquer risco iminente aos pacientes”.