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AgroBrasília conta a com a presença de líderes indígenas pela 1ª vez

Participam agricultores das etnias Haliti-Paresi (MT), Xavante (MT) Cinta Larga (RO), Suruí (RO), Guajajara (MA) e Kaingang (SC)

Créditos: Mário Vilela / Funai

Por: Elisa Costa
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Pela primeira vez, a maior feira agropecuária do Planalto Central, AgroBrasília, recebeu mais de 30 líderes indígenas que promoveram exposições e debates sobre a importância da agricultura para as comunidades. Em um estande organizado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), as lideranças debateram sobre o desenvolvimento da produção sustentável nas aldeias.

A iniciativa contou com a participação de agricultores das etnias Haliti-Paresi (MT), Xavante (MT) Cinta Larga (RO), Suruí (RO), Guajajara (MA) e Kaingang (SC),que também expuseram seus produtos. “O evento traz novas oportunidades para os indígenas. Expor nossos produtos aqui abre portas em um mercado específico, que vai fortalecer a nossa economia”, comemorou o líder da etnia Paiter Suruí, Celso Suruí.

Para muitos dos indígenas que estiveram no AgroBrasília, o intuito era, principalmente, desenvolver o cenário econômico, a fim de gerar emprego e renda. “Hoje trouxemos um pouco do resultado do nosso trabalho para que a população conheça nossa realidade”, explicou Eliane Zoizocaeroce, presidente da Coopihanama.

Além disso, o grupo de mais de 30 indígenas declarou que o evento pode ajudar na descoberta de novas tecnologias e experiências agrícolas. Além de apresentações de dança, foram expostos artesanatos, acessórios, cacau, castanha, farinha de mandioca e até mesmo café produzidos pelas comunidades. O presidente da Funai, Marcelo Xavier compareceu ao parque tecnológico na terça-feira (17) e nessa sexta-feira (20), onde prestigiou os itens apresentados. 

Para Marcelo, a feira incentiva a autonomia das populações indígenas. “Queremos seguir contribuindo para que eles conquistem novos mercados e alcancem independência econômica, sempre com respeito aos usos, costumes e tradições de cada etnia”, pontuou. “Essa conquista representa uma enorme quebra de paradigmas, pois mostra que os indígenas querem e podem produzir, sendo possível aliar desenvolvimento econômico com a manutenção da cultura”.

A presença dos indígenas na edição do AgroBrasília 2022 aconteceu por meio da Diretoria de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS) da Funai. Segundo a fundação, foram investidos aproximadamente R$30 milhões em projetos voltados à geração de renda nas aldeias. Os recursos foram destinados para ações que promovem a autossuficiência, apoio ao escoamento da produção e realização de cursos de capacitação. 

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De acordo com os dados da fundação, cerca de 20 mil hectares no Mato Grosso são ocupados por lavouras cultivadas pelos Haliti-Paresi, Nambikwara e Manoki. A produção de grãos como soja, milho e feijão movimentam em torno de R$140 milhões por ano. “Temos acompanhado o surgimento e a consolidação de inúmeras atividades exitosas, cujo retorno para as comunidades é extremamente relevante”, ressaltou Xavier.








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