Manuela Rolim
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“É mais do que dar leite, é doar amor”, declara a auxiliar administrativa Maria Eduarda Batista Buzanello enquanto amamentava Lorenzo. Aos 23 anos, ela sentiu na pele a importância da prática. Após o nascimento do primeiro filho, o bebê precisou ficar internado e a mãe só conseguiu alimentar o recém-nascido dias após dar à luz. Na Semana Mundial do Aleitamento Materno, portanto, Maria Eduarda faz questão de levantar a bandeira da amamentação e alertar para a campanha Agosto Dourado.
Até a próxima segunda-feira, a semana segue com o tema “Trabalhar juntos para o bem comum” e dá força ao mês todo dedicado ao incentivo à amamentação, instituído pela Lei Federal 13.435, de 12 abril deste ano. Nesse período, alguns dos principais prédios públicos da capital serão iluminados com a cor da campanha. Além disso, a população contará com uma programação repleta de atividades voltadas para a conscientização.
Tempo certo
Pediatra e coordenadora do banco de leite da Maternidade Brasília, Sandi Sato alerta para a necessidade do aleitamento materno até os dois anos, sendo os seis primeiros meses de amamentação exclusiva. “O leite é produzido especificamente para o bebê de forma equilibrada, até a quantidade de água é suficiente. Toda a proteção e composição nutricional que a criança precisa está presente”, afirma.
Segundo a médica, vale ressaltar que o bebê não é o único beneficiado com a prática. “Ao amamentar, a mãe diminui os riscos de hemorragias pós-parto e doenças psicológicas desenvolvidas após o nascimento. Também consegue voltar ao peso com maior facilidade”, acrescenta.
Ainda assim, Sandi lamenta o fato de que, no Brasil, menos de 40% das mulheres seguem amamentando os filhos até os dois anos. “É um número muito baixo, precisamos mudar essa realidade. Isso faz parte de uma cultura de preconceitos, mitos e incentivo ao leite artificial, o que aumenta muito a despesa da família”, lamenta.
Entre os mitos ressaltados por ela está o de que toda mulher sente dor ao amamentar. Na verdade, essa é uma exceção, garante a pediatra. “A regra é não sentir dor. Se isso acontece é porque tem algo errado e a mãe precisa procurar um médico para ser corrigido, por exemplo, o posicionamento da criança”, diz.
Sandi aconselha as mães a amamentar seus filhos imediatamente após o nascimento, seja o parto normal ou cesáreo. “Isso diminui em 80% o risco de ela ter problema ou dor depois”, acrescenta a profissional.
Saiba mais
Hoje, a partir das 8h, haverá uma ação na Estação Galeria do metrô, onde serão prestadas orientações. A partir das 10h, haverá um “mamaço”.
No sábado, das 15h30 às 18h, será promovida a Hora do Mamaço , evento organizado pelo grupo Livre Maternagem, no Pátio Brasil Shopping. No mesmo dia, haverá outro “mamaço” no gramado da Maternidade Brasília (Sudoeste). De 21 a 25 deste mês, ocorrerá o Seminário de Aleitamento Materno de Brasília.
Doação a quem precisa
O momento da amamentação é único, acrescenta a pediatra Sandi Sato. “Imagina que o bebê acabou de sair do útero, onde não sentia fome, frio, medo, nada. A amamentação o ajuda na adaptação ao mundo externo. Ele precisa desse aconchego, essa ligação com a mãe”, afirma.
A médica destaca ainda a importância da doação de leite, em especial para crianças prematura e doentes. “Toda mãe que tem excesso de leite saudável está convidada a ser doadora. Essa atitude é muito bem-vinda e salva vidas”, declara.
Ajuda
A auxiliar administrativa Maria Eduarda Batista Buzanello, citada no início da reportagem, ficou com o filho seis dias internado por causa de um problema respiratório e uma alteração cardíaca. Enquanto esperava Lorenzo receber alta, ela se preparou para doar leite e conta como foi a experiência. “Ainda estou fazendo a ordenha para chegar a uma quantidade que possa ser doada. Eu tenho muito leite e vi a necessidade das crianças da UTI. Meu filho também estava lá. Então, poder fazer um bebê e a mãe dele felizes é maravilhoso”, afirma.
Emocionada, ela lembra do que sentiu ao ter o filho nos braços. “Meu primeiro contato com ele foi apenas no segundo dia. Após o nascimento, fiquei só na expectativa. Quando ele finalmente foi liberado para mamar no peito, a minha ficha caiu, me senti mãe de verdade. A sensação é inexplicável”, conclui, ao lado do marido, Eduardo.