Menu
Brasília

Adolescente morto em parque foi atraído para emboscada por dívida de drogas, diz polícia

Arquivo Geral

31/10/2018 11h26

Reprodução

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Charles de Souza Bezerra, 13 anos, foi brutalmente assassinado no dia 23 de agosto por conta de dívida de drogas. Ele foi morto a pauladas, esfaqueado, asfixiado e teve o corpo queimado em uma mata próxima ao Hospital Veterinário Público do Distrito Federal, em Taguatinga. A Polícia Civil prendeu Klinger Chagas Mineiro Júnior, homem de 19 anos que seria líder do grupo de nove adolescentes que participaram do crime.

As investigações concluíram que o menino foi morto por uma dívida de R$ 200 adquirida em venda de drogas. À época, Klinger disse aos nove adolescentes que perdoaria dívidas de compras de entorpecentes caso ajudassem a matar Charles. “A vítima adquiriu a dívida e estava enrolando para pagar”, conta o delegado Joás Rosa de Souza, da 17ª Delegacia de Polícia, que investigou o caso junto à Delegacia da Criança e do Adolescente II.

Os envolvidos teriam atraído o jovem para uma emboscada. No local, a vítima foi violentamente espancada, por cerca de uma hora, com murros, pedradas, pauladas e facadas. O laudo pericial do Instituto de Criminalística da PCDF confirmou que a morte do adolescente ocorreu por asfixia. A vítima ainda estava viva quando teve o corpo incendiado, demonstrando, para os investigadores, “a barbárie do crime”.

“Agentes nunca se depararam com uma situação tão cruel quando o assassinato desse adolescente. O preso confessou o crime, disse que a atuação foi maior dos adolescentes, mas temos provas de que ele tenha liderado por ele”, diz o delegado.

O único adulto envolvido é conhecido como China e é traficante, segundo a polícia. O acusado nega o mando do crime e diz que não trafica mais. “Eu agredi o jovem porque ele disse que roubaria da própria mãe e pai. Eu tive minha participação e colaborei com as investigações”, afirmou.

Klinger nega o crime e diz que não trafica mais. Foto: Raiane Cordeiro/Jornal de Brasília

Prisão

Foram 30 dias para Klinger ser algemado após a expedição do mandado de prisão. Segundo o delegado, foi necessário esperar o fim das limitações do período eleitoral para prendê-lo. “A equipe estava toda a postos aguardando dar 17h para que pudéssemos pegá-lo em uma casa em Ceilândia”. Agora, todos os dez envolvidos estão detidos. Os nove adolescentes devem responder por infração análoga ao crime de homicídio qualificado e o adulto pode ficar até 30 anos recluso, se condenado.

“A prisão não traz conforto porque não vai trazer meu sobrinho de volta”, lamenta Maria Oliveira, tia da vítima. “Ele é muito cruel. Meu menino era uma criança, tinha problemas psicológicos, tomava três tipos de remédios, não podia usar drogas. Espero que as Justiças da terra e do céu sejam feitas porque o que ele fez não tem perdão. Ele juntou dez crianças para torturar.. Isso não se faz”, desabafa a frentista de 33 anos.

De acordo com ela, a mãe foi para Santa Rosa, na Bahia, para passar o dia de Finados no local onde o filho foi enterrado. “Ela está apodrecida por dentro”, revela.

Detalhes do crime

Diagnosticado com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, Charles de Souza Bezerra era estudante do Centro de Ensino Fundamental 27 de Taguatinga e filho de dois feirantes. Na época do crime, a família contou ao Jornal de Brasília que ele sofria ameaças de morte por dois colegas há pelo menos um mês, mas a escola só notificou os pais após a morte do garoto.

Chefe da DCA II, o delegado Juvenal dos Santos Júnior detalhou o que teria ocorrido naquela tarde, com base no depoimento de um dos envolvidos no crime: “Um deles levou cocaína ao local do crime. A vítima pode ter usado e surtado, ou ter se recusado, pela índole e pelo comportamento mais infantilizado”, imagina. “Pode ter achado errado e dito que ia contar para alguém”, emenda.

Local o corpo de Charles foi encontrado. Foto:Francisco Nero

“A prisão não traz conforto porque não vai trazer meu sobrinho de volta”, lamenta Maria Oliveira, tia da vítima. “Ele é muito cruel. Meu menino era uma criança, tinha problemas psicológicos, tomava três tipos de remédios, não podia usar drogas. Espero que as Justiças da terra e do céu sejam feitas porque o que ele fez não tem perdão. Ele juntou dez crianças para torturar.. Isso não se faz”, desabafa a frentista de 33 anos.

De acordo com ela, a mãe foi para Santa Rosa, na Bahia, para passar o dia de Finados no local onde o filho foi enterrado. “Ela está apodrecida por dentro”, revela.

Fuga da escola no dia do crime

No dia do crime, Charles acordou cedo e foi à escola. Por volta das 10h30, a família recebeu um telefonema da direção, informando que ele havia fugido. A família decidiu esperar pelo garoto, porque um primo disse tê-lo visto no portão do colégio brincando de carteado.

Por volta das 13h, ele ainda não tinha chegado em casa. A mãe foi à escola e não o encontrou. Esperou até 19h30, quando foi com a irmã à 17ª DP registrar o desaparecimento. Na mesma tarde, Charles retornou para casa, tomou banho e saiu na companhia do grupo e não foi mais visto. A família soube do fato no dia seguinte.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado