Ana Paula Andreolla
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Quem esperava que o depoimento do ex-porteiro Leonardo Campos, 44 anos, que confessou a autoria do triplo homicídio na 113 Sul, fosse esclarecer os pontos de interrogação que estiveram na mente da polícia e da população por mais de um ano, se surpreendeu com a aparição de um novo mistério. Acontece que o homem que confessou o crime negou ter deixado o apartamento do jeito que foi encontrado pela polícia no dia em que acharam os corpos do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, José Guilherme Villela, de sua mulher, a advogada Maria Carvalho Mendes Villela e da principal empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, em 31 de agosto do ano passado.
Apartamento limpo
De acordo com a ex-delegada-chefe da 1ª Delegacia de Polícia, Martha Vargas, que à época conduzia o inquérito, o apartamento foi encontrado pela polícia impecavelmente limpo, mas o suposto autor das 73 facadas que tiraram a vida dos três moradores do apartamento diz não ter se preocupado em apagar os vestígios do crime. “Nunca tinha roubado, nunca tinha matado, e nem tinha a intenção de matar. A partir do momento em que entrei naquele apartamento, sabia que estava fazendo coisa errada e acabei matando por medo e desespero. Larguei a faca, o sangue, tudo na cena do crime e sequer usei luvas. Eu não faço ideia de quem limpou o apartamento. Não faço ideia de quem seja a pessoa que se preocupou em apagar os vestígios do crime”, disse o ex-porteiro, assim que desembarcou em Brasília, no início da tarde de ontem.
Leonardo falou por quase uma hora sobre os acontecimentos do dia do triplo homicídio. Logo em seguida, o diretor-geral da Polícia Civil do DF, delegado Pedro Cardoso, comentou o desenrolar das investigações. Mesmo reconhecendo que houve diversas “falhas técnicas na condução do inquérito”, o diretor se mostrou esperançoso com a elucidação do crime. “Em mais de um ano de investigação, houve equívocos e várias falhas técnicas por parte da polícia. Falhas na apuração dos fatos, falhas nas técnicas de investigação. Mas acredito que agora, se fundirmos as investigações da 8ª Delegacia de Polícia com as da Coordenação de Crimes Contra a Vida (Corvida), estaremos a um passo de elucidar um crime que, até o momento, foi mais falado do que investigado”.
Novos depoimentos
Leonardo Campos chegou em Brasília às 13h05 de ontem, em um jato fretado que o trouxe de Montes Claros (MG), local onde foi preso e confessou o crime para o delegado da Delegacia de Plantão Policial da cidade, Aluízio Mesquita, na última terça-feira. O ex-porteiro chegou algemado na direção da Polícia Civil e seguiu escoltado por quatro agentes armados da Divisão de Operações Especiais (DOE). Depois de prestar depoimento, o réu confesso foi encaminhado para a 8ª Delegacia de Polícia, onde também foi ouvido pela delegada titular, Deborah Menezes.
Em entrevista concedida por telefone, o delegado Julião Ribeiro, responsável pela Corvida, diz que seus policiais não estão envolvidos nos novos indícios porque a coordenação não foi chamada, mas que continua mantendo a acusação contra Adriana Villela, filha do casal assassinado. “Nós já a indiciamos. O material que nós temos a apontam como culpada. Por enquanto, a Corvida não pretende ouvir o ex-porteiro, mas se a direção da polícia nos convidar, vamos entrar nas investigações da 8ª Delegacia de Polícia. Caso contrário, cada um faz o seu indiciamento e caberá à Justiça e ao Ministério Público decidir”, informou o delegado.
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