Menu
Brasília

Ação da Agfis derrubou 11 casas em uma invasão do SOF Sul

Arquivo Geral

04/07/2017 7h57

Breno Esaki/Jornal de Brasília

Douglas Lemos
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Uma operação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), na manhã de ontem, derrubou 11 casas em uma invasão no Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Setor de Oficinas Sul. A área é de proteção ambiental e faz parte do Guará. Ao todo, 66 famílias construíram no local e 55 obras devem ser derrubadas até o fim da desocupação.

Segundo o GDF, em abril deste ano, as famílias foram notificadas da retomada. Elas recorreram da decisão e tiveram o recurso negado na semana passada. Apenas 11 ocupantes conseguiram liminar e não tiveram as obras derrubadas.

Moradores protestaram e tentaram fazer um cordão de isolamento para impedir a entrada das máquinas no local. Os policiais conseguiram retirar os ocupantes do caminho. Uma quadra esportiva, ao lado do local, serviu para que os moradores pudessem colocar móveis e eletrodomésticos retirados das casas. Segundo a Agefis, a operação deve durar mais um mês.

José Júnior, estudante, de 25 anos, é um dos moradores do local e reclamou de violência. “Eles jogaram gás de pimenta e nos agrediram. A gente esperava que uma hora tivesse que sair, só não esperávamos essa violência”.

Edvânia Gomes, grávida de nove meses, mora há 20 anos no local. Ela mostrou escoriações no pulso e disse ter sido agredida. Uma mulher chegou a sentar na pá de uma retroescavadeira da Agefis para tentar impedir a ação. Ela foi detida por resistência. O filho dela, ao tentar defender a mãe, foi contido, algemado e detido pelos policiais por desacato.

A Agefis e a PM negaram qualquer tipo de agressão durante a ação. Segundo o GDF, a Polícia Militar teve que utilizar spray de pimenta para conter o tumulto.

Saiba mais

  • O Jornal de Brasília publicou na última semana uma série de matérias sobre as invasões de áreas públicas no DF.
  • O crescimento de invasão no Setor de Inflamáveis e de Cargas foi um dos temas.
  • O problema tem grande impacto no funcionamento da atividade empresarial na região. Pequenas e grandes empresas instaladas regularmente estão incomodadas com a vizinhança.
  • Desde que a ocupação alcançou os setores de Inflamáveis e de Cargas, os administradores tiveram que se adequar ao novo cenário e investir em segurança.

Auxílio

Os moradores reclamam que não houve assistência do governo, mas a Secretaria do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) afirma que catalogou quem tem direito a benefícios como o auxílio aluguel. Servidores estiveram no local para cadastrar outros moradores que terão direito ao benefício, que pode chegar a até R$ 600.

Elza Araújo, autônoma, mora na invasão na área de proteção há 13 anos. Ela é uma dos 11 ocupantes que conseguiram liminar para ficar no local e se mostrou preocupada. “Não tenho para onde ir. Se for despejada, vou ter que acampar”.
Segundo o governo, trata-se de uma área de proteção ambiental de fundamental importância para a conservação do ecossistema.

Ao todo, 250 servidores da PM, Agefis, da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), do Corpo de Bombeiros, do Departamento de Trânsito (Detran), da Subchefia da Ordem Pública e Social e da Casa Militar participaram da operação.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado