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Academia: Frequentadores apoiam exigência do cartão de vacina

A medida está em estudo; Saúde continua a fazer uma busca ativa pelas pessoas que ainda não iniciaram o esquema vacinal contra a Covid

Elisa Costa
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A apresentação do cartão de vacina pode ser obrigatória para frequentar as academias do DF a partir das próximas semanas. A informação foi dada ao Jornal de Brasília pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). De acordo com o mandatário, a questão está em avaliação. Atualmente, o comprovante de imunização já é solicitado para a entrada de eventos, festivais e competições esportivas.

Apesar da declaração do governador, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) informou que ainda não prevê alterações no Decreto nº 42.525, que dispõe sobre as medidas preventivas contra o Covid-19. A pasta continua a fazer uma busca ativa pelas pessoas que ainda não iniciaram o esquema vacinal contra a Covid e por quem não retornou aos postos para a segunda dose.

Alynne de Morais, jovem de 27 anos, faz aulas regulares de Zumba em uma academia da Asa Sul e não têm tido problemas com o cumprimento das medidas de prevenção contra o Covid-19: “Me sinto segura lá. A sala é toda demarcada e todo mundo usa máscara”. Ela acredita que o cartão de vacina pode ser benéfico, pois muitas pessoas que ainda não se vacinaram podem estar circulando pelo local com a possibilidade de estarem portando o vírus.

Lucas Magno, de 26 anos, também declarou ao Jornal de Brasília que se sente seguro no ambiente onde treina, mas que apoia a apresentação do comprovante como mais uma medida preventiva: “Acho justo, porque querendo ou não, todos vamos dividir o espaço, é coletivo. É importante estar num lugar que te passa segurança quanto a isso”.

Segundo o jovem, a academia que ele frequenta segue com a limpeza constante das áreas comuns, utilização de máscaras e álcool em gel. Os banheiros e a lanchonete do local ainda estão fechados para o público.

O cartão de vacina e as flexibilizações

A obrigatoriedade do cartão de vacina veio após alterações no Decreto nº 42.525 publicadas no Diário Oficial da União (DOU) no último dia 24. Ficou determinado a apresentação do comprovante com as duas doses ou dose única para ingressar em shows, festas e eventos em geral no Distrito Federal. Anteriormente, era necessário somente o teste negativo de PCR. Também chegou ao fim a limitação de 50% da capacidade de público e as pistas de dança estão liberadas.

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Um outro decreto publicado no dia 25 acabou com a obrigatoriedade do distanciamento social em estabelecimentos como bares e restaurantes e revogou o limite de seis pessoas por grupo. Porém, continuam valendo as seguintes regras: Uso de máscaras em ambientes fechados; Utilização de álcool em gel e higienização dos espaços.

A variante Ômicron

De acordo com Ibaneis Rocha, ainda não há necessidade de restrições no DF devido à variante Ômicron, que começou a aparecer na África do Sul. Em conversa com a reportagem, o subsecretário de Vigilância à Saúde, Divino Valero, afirmou que ainda é cedo para estabelecer novas medidas sanitárias, pois as ações dependem do comportamento do vírus e da nova variante dentro do contexto da vacinação na capital federal.

O que dizem os especialistas?

O infectologista Dr. Hemerson Luz acredita que o enfrentamento à pandemia deve se basear sempre num conjunto de medidas para prevenir a transmissão. Em entrevista, ele destacou a vacinação como o “carro-chefe”: “Sabemos que a vacinação leva à imunização da população e quanto maior a parcela da população vacinada, mais fácil será conter a disseminação. Por ora, o uso de máscara em locais fechados, a higienização constante das mãos e evitar aglomeração também fazem parte das medidas que devem ser tomadas”.

Na opinião do especialista, o incentivo à adesão da vacina é essencial, uma vez que as pessoas não-vacinadas tendem a contribuir com a cadeia de transmissão, facilitando a passagem do vírus de uma pessoa para outra por contato ou por quebra de distanciamento. Por este motivo, também é preciso manter as medidas de prevenção pré-estabelecidas.

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A respeito das novas flexibilizações e das festas de fim de ano, Hemerson Luz comentou como podem ser realizadas de maneira segura: “Temos que considerar que os eventos sejam de duração menor que o usual. As atividades devem acontecer em lugares ventilados e de preferência com grupos de pessoas que já tenham os mesmo hábitos de prevenção”. Neste caso, o cartão de vacina pode ser mais uma estratégia para garantir a imunização dos brasilienses e retomar as atividades com segurança.

“Não recomendo a presença de pessoas que não tenham sido vacinadas, pois elas podem estar portando o Covid-19 e mesmo num grupo de pessoas imunizadas, pode ter risco de contaminação”, alertou Hemerson. O doutor ainda destacou que o ideal é que as retomadas ocorram sob protocolos específicos, levando em conta o número de pessoas de acordo com a área disponível, a ventilação e a preferência às pessoas que tenham os cuidados certos em relação à Covid-19.

De acordo com o infectologista, o risco para a população deve ser avaliado pelos números: taxa de ocupação de UTIs, taxa e transmissão R(t) e a média móvel. Estes que são considerados os “termômetros” da pandemia, de como ela está se comportando. “Todas as medidas restritivas ou de liberdade e liberação tem um reflexo de pelo menos 15 dias depois que são tomadas. Por isso que os números devem ser acompanhados. Quando consideramos a possibilidade de uma nova onda, como está ocorrendo na Europa, temos sempre que pensar na adesão à vacina”, finalizou.

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