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Abrindo as portas de novas fronteira

Iniciativa começou a ser pensada em 2020, mas só foi efetivada em 2021, quando realizaram o primeiro ciclo de mentorias

Por Mayra Dias 21/01/2022 5h12
Foto: Reprodução

“Queríamos criar um projeto que, além de democratizar o aprendizado de novas línguas, mostrasse aos jovens as inúmeras oportunidades possíveis de obter por meio deles”, comenta Leonardo Neto. O jovem de 18 anos é o idealizador do projeto Wanderlust, uma iniciativa cujo objetivo é democratizar o acesso ao aprendizado de novos idiomas. “A Wanderlust é uma organização sem fins lucrativos que visa despertar o interesse no aprendizado de outras línguas em jovens desfavorecidos socioeconomicamente”, explica o rapaz.

Lançada sem fins lucrativos, a iniciativa começou a ser pensada em 2020, mas só foi efetivada em 2021, quando realizaram o primeiro ciclo de mentorias. “Nós sempre observamos como os idiomas nos ajudaram a conseguir novas oportunidades, principalmente o inglês”, conta Leonardo. Ele, que também é estudante, acrescenta ainda que a ideia surgiu ao observar a necessidade, latente, desse tipo de trabalho no país. “Aprender um novo idioma, no Brasil, era algo inacessível para jovens sem condições financeiras. Por isso, nós focamos em jovens de 14 a 20 anos que não possuem recursos para arcar com um curso de idiomas”, completou.

Como explica o criador da Wanderlust, a escolha pela faixa etária foi feita ao analisar o cenário de possibilidades. “Vimos que grande parte das oportunidades são direcionadas a esse público”, pontua. No entanto, o rapaz revela que, para o futuro, os planos envolvem desenvolver um programa exclusivamente para adultos. “Com a democratização do idioma, acreditamos em um Brasil mais horizontal, com oportunidades para pessoas que são constantemente marginalizadas pela sociedade por questões socioeconômicas e demográficas”, defende Leo.

Aluno do projeto, Erykson Dyego Santos relata que decidiu procurar as aulas, primeiro, por serem ofertadas gratuitamente, e ele não tinha condições de custear um curso privado. “No ano passado, então, eu escolhi estudar japonês, pois eu queria um idioma que não tivesse origem do latim e porque um dos meus sonhos é conhecer o Japão”, compartilha o morador de Santa Maria. O rapaz de 17 anos, pretende, no futuro, se formar em Relações Internacionais, e acredita que essa oportunidade trazida pelo programa lhe ajudará muito. “Ser fluente em outros idiomas é muito importante para a minha carreira profissional. O curso de japonês vai me ajudar muito, além de ser um diferencial, já que as pessoas se preocupam mais em estudar o inglês e o espanhol”, avalia.

Erykson soube da Wanderlust através das redes sociais, e logo se interessou pelo projeto de Leonardo. “Para mim, aprender um novo idioma é muito satisfatório. Além de poder me comunicar com pessoas de outros países e aprender culturas e tradições, eu consigo fortalecer meu currículo e conseguir oportunidades incríveis”, declarou o estudante.

Fruto de experiência internacional

Conforme conta Leonardo Neto, o projeto é fruto de uma parceria que começou a muitos quilômetros daqui, no México. “Eu e a Thayná Luize, de São Paulo, nos conhecemos em um treinamento de liderança oferecido pela Latin American Leadership Academy (LALA). Quando voltamos para o Brasil, decidimos criar uma iniciativa juntos, com o apoio de outras duas jovens brasilienses. Foram meses intensos de reunião e design-thinking, mas conseguimos”, relembra, orgulhoso.

Leo ficou uma semana na LALA, assim como outros jovens brasileiros. “Lá, nós tivemos a oportunidade de aprender com mentores formados em universidades renomadas. Os temas variaram entre habilidades de liderança, inteligência sócio-emocional e empreendedorismo social”, compartilhou o jovem. “Durante esse processo, nós tivemos que pensar em um problema que queríamos resolver no mundo, e eu logo pensei na desigualdade sobre o aprendizado de línguas”, continuou Leonardo.

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Sobre o curso

Quem se interessar em compor o corpo de alunos da Wanderlust, precisará passar por um processo seletivo composto por duas etapas: O preenchimento de um formulário e uma entrevista com a equipe. “Após o processo seletivo, selecionaremos, da forma mais justa possível, em torno de 100 alunos para aprenderem um dos idiomas que oferecemos”, explica o idealizador. “É importante ressaltar que as aulas terão duração de um semestre e ocorrerão uma vez por semana por meio de uma plataforma virtual”, acrescentou.
Atualmente os idiomas oferecidos são Inglês, francês, espanhol, alemão e japonês. Com inscrições podendo ser feitas até o dia 30 de janeiro, a Wanderlust contou, no seu primeiro ciclo, com mais de 600 interessados em todo o país.








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