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A volta por cima na pandemia

Muitos não se deixaram abater na crise sanitária e criaram ou ampliaram os seus negócios com muita força e fé

Elisa Costa
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Com a crise econômica decorrente da pandemia, muitas pessoas optaram por abrir um negócio para tentar ganhar dinheiro por conta própria. Mesmo em tempos difíceis, em 2019, no Distrito Federal, 21,7% dos ocupados organizaram negócios ou empreendimentos naquele momento, ou cerca de 297 mil pessoas. Essa era a segunda maior força de trabalho na capital e esse número ficou atrás somente dos assalariados do setor privado, que registraram 42,2% de ocupação.

De acordo com os números da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Distrito Federal (Jucis-DF), em 2020 o DF registrou 62.064 aberturas de empresas, sendo que 20.063 encerraram as atividades posteriormente, o que indica que a cada empresa fechada, três novas abriram. Em 2021, 23.713 empresas foram registradas até o mês de maio.

A Secretaria de Desenvolvimento Economico (SDE-DF) surgiu durante a pandemia, com o intuito estimular o empreendedorismo nos setores de indústria, comércio e serviço, estruturar políticas de incentivo, incentivar a cultura empreendedora, praticar o desenvolvimento sustentável, entre outros motivos. São colocados em prática programas de inclusão de micro e pequenas empresas nas compras públicas, com o objetivo principal de movimentar o setor produtivo local através da circulação interna de renda. Em nota, a secretaria explicou: “Essa medida ajuda na retomada da economia do Distrito Federal, gerando mais oportunidades para a criação de novos empregos e aumento da renda da população”.

A SED-DF atua junto aos empresários locais, com ações de capacitação e orientação a respeito da regularização de empreendedores autônomos. Um exemplo é a parceria de trabalho com o BRB, onde foram movimentados mais de R$4 bilhões para o programa Supera DF. Em 2020, 191.265 novos MEIs foram registrados na capital, uma alta de 13% nas aberturas em comparação com o ano anterior.

A consultora e especialista em concepção e gestão de empresas, Juliana Guimarães, explicou porquê os números vêm crescendo mesmo durante a pandemia da covid-19: “Grande parte desse aumento foi motivado pela falta de oferta de emprego, então as pessoas entenderam o empreendedorismo como uma alternativa para a geração de renda”.

Sebastião Fernandes, de 50 anos, morador de Planaltina de Goiás, atua com a limpeza e manutenção de piscinas no DF há 25 anos. Ele trabalhou em uma empresa privada durante muito tempo, até que decidiu sair e fazer o mesmo trabalho por conta própria. Há mais ou menos um ano, contratou 2 funcionários que hoje trabalham com ele.

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Necessidade

Sebastião relatou que a sua quantidade de trabalho aumentou durante a pandemia e isso foi positivo para ele: “Sempre tive trabalho a fazer, mas com a chegada da pandemia, como as pessoas passaram a ficar mais em casa, o número de manutenções aumentou, porque muitos preferem usar a piscina de casa ao invés de ir para um clube ou algo similar”. Hoje, Sebastião atende cerca de 54 casas por semana e afirmou que os resultados estão bem melhores do que antes da chegada da pandemia: “Acredito que esse ritmo vai continuar daqui para frente, porque os clientes acabam acostumando comigo e com o meu trabalho, porque a limpeza e manutenção têm que ser feita de forma recorrente, então a chance de manter o cliente por mais tempo é maior”.

Em âmbito nacional, a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) realizada em conjunto com o Sebrae, Faculdade Getúlio Vargas (FGV) e o Instituto Brasileiro de Produtividade e Qualidade (IBQP), mostrou que o número de empreendedores motivados por necessidade passou de 37,5% em 2019 para 50,4% em 2020.

Os dados de uma pesquisa feita pelo Serasa Experian apontaram que só em janeiro de 2021, foram abertos 312.462 registros de microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil.

Internet, a saída para ampliar as vendas

Quem já possuía um negócio, optou por investir nos métodos de vendas pela internet. Com a chegada da pandemia no Brasil, empreendedores e empresários no geral tiveram que se adaptar a uma nova realidade, com novas práticas de trabalho, novos métodos de venda e negociação e novas formas de entrega de serviço.

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Rayane Carvalho, de 25 anos e Herison Coimbra, de 24 anos, são sócios e proprietários da loja Amor de Peça, e inauguraram o e-commerce da loja em 2019, com a ajuda do programa Simplifica PJ, da Secretaria de Empreendedorismo do DF (SEMP-DF). A ideia veio pois ambos já enxergavam um futuro promissor no mercado de vendas online por conta da praticidade. O programa o qual Rayane recorreu, visa fomentar o empreendedorismo e melhorar o ambiente de negócios, de forma integrada com outros órgãos do Governo Distrital, Federal e entidades.

A empresária brasiliense explicou porque decidiram abrir a loja online: “Sempre gostei de moda e de consumir esse ramo, e como consumidora, sentia falta e necessidade de uma compra mais facilitada aqui em Brasília, muitas lojas de roupa existem apenas no Instagram e às vezes dificulta a compra, com falta de informações como cores, tamanhos e preços, por isso alinhei o meu sonho com esse problema existente na época, e criamos nosso e-commerce”.

Rayane contou que com a chegada da pandemia em 2020, as vendas online alavancaram devido a escolha de muitos em ficar em casa por conta das medidas de prevenção à covid-19: “Começamos a ter ainda mais visibilidade e agora estamos expandindo para o Brasil todo. Apesar das dificuldades, foi uma grande oportunidade para nós e agarramos isso”. A loja já fazia o serviço de entrega dos produtos na casa do cliente, e com a pandemia, essa prática se potencializou, gerando mais proximidade entre empresa e cliente. Rayane destaca que as vendas da loja aumentaram cerca de 300%, motivadas também pelo aumento de visibilidade e credibilidade.

Com o avanço da empresa, veio a divulgação, os objetos personalizados e o atendimento humanizado, mas Rayane reiterou que se não houvesse planejamento, teriam sofrido com problemas técnicos: “Antes de colocar o nosso e-commerce no ar, estudamos todos os detalhes para deixá-lo ainda mais profissional, então contamos com uma boa estratégia de pagamento e de plataforma, para não corremos alguns riscos, como não aprovação de pagamento e fraudes”.

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Saiba quais são seus objetivos

Segundo o economista e presidente do Corecon-DF, César Bergo, para fazer um negócio crescer e se manter ativo, mesmo em tempos de crise, é preciso monitorar constantemente os progressos, analisar a concorrência e se adaptar às mudanças do mercado. “É fundamental saber com clareza seus objetivos e ambições. Para isso, é necessário criar um planejamento cuidadoso antes de atender o primeiro cliente e fazer cálculos de ponto de equilíbrio, para evitar problemas de fluxo de caixa.”

A consultora Juliana Guimarães também aconselhou aqueles que querem manter seu empreendimento: “Qualquer negócio precisa de um tempo de maturação até que tenha condições para gerar lucros e para isso, precisa fazer reserva de capital de giro, reserva de emergência e uma gestão, na ponta do lápis, para saber quais produtos e serviços demandam recursos para serem mantidos e que poderiam ser descontinuados para o dinheiro ser aplicado onde dá mais retorno. No mercado, a única certeza que temos, é que as crises vão acontecer”, lembra.

O sócio-proprietário da Rafaela Brandão Doceria, Caio Alcântara, é outro exemplo de sucesso na pandemia. Ele fechou sua loja física em 2020 por problemas financeiros e administrativos, entretanto, as vendas continuaram a acontecer virtualmente através do serviços de delivery e trouxe resultados positivos: “As metas que prevemos para um ano foram concluídas em apenas uma semana. Depois que as pessoas se tornaram mais receptivas com o sistema de entregas à domicílio, em um ano de trabalho, todo desenvolvimento previsto para sete anos de empresa foi alcançado”, contou Caio. De acordo com o empresário, a doceria vendeu mais de 1.500 panetones em 2020, apenas através do serviço de entrega.

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As pequenas e médias empresas representam 27% de todo o PIB brasileiro, e são responsáveis por mais da metade dos empregos formais e informais no Brasil, sendo que Comércio e Serviços são os setores com maior número. Os dados são de um estudo feito pela Faculdade Getúlio Vargas (FGV) em conjunto com o Sebrae.

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