Juliana Leão
Juliana.borbalins@jornaldebrasilia.com.br
Há nove anos, moradores do Gama, no Distrito Federal, convivem com inundações dentro de suas casas durante o período de chuvas, ou poeira nos tempos de seca, sem falar na criminalidade. Isso tudo em uma só quadra: 38/40, bloco A, do Setor Leste da região administrativa. A professora Gracy Ramos Bezerra, 38 anos, não aguenta mais reclamar sempre dos mesmos problemas e nunca ver uma solução chegar ao lugar onde mora.
“Em dezembro de 2010, eu tive que fazer uma barreira de um metro de contenção, nos fundos da minha casa, porque toda vez que chove a água inunda minha residência”, reclama. O problema ocorre porque no quadradão da 38/40, área de respiro da entrequadra, não existe boca de lobo e não há pavimentação. No lugar predomina a terra e o mato alto.
“Eu já quis vender minha casa porque eu não aguento mais esta situação”, conta Gracy, que ainda aponta outro perigo. “O mato toma conta da área e à noite sempre vem usuários de drogas para aqui”, denuncia. Vários moradores tiveram de levantar obstáculos e muros, tomar providências particulares contra a inundação, que poderia ser resolvida com simples pavimentação e instalação de uma boca de lobo, para a água ter por onde escorrer.
Maria Lenita Alves, 58 anos, mora desde 1976 na localidade e revela que a situação do lugar nunca mudou. “Apesar das modificações de gestão na cidade do Gama, os representantes nunca olham para a vizinhança da quadra 38/40”, diz. Francisco Vicente Camargo, 64 anos, há anos mantém um escritório de contabilidade na área, e comenta que sua sala vive cheio de poeira. “É muita terra que chega até aqui”, reclama.
A professora Gracy chegou a fazer um abaixo assinado em 2007 e levou para a Administração Regional. A resposta que obteve do então administrador foi, segundo ela, de ele não poderia fazer nada, pois na planta da cidade constava que no lugar que ela pedia para ser pavimentado, havia um parquinho.
Porém, como explica a moradora, o parquinho ficou só na planta. Gracy conta que todos os quadradões das entrequadras do Setor Leste do Gama são pavimentados. Somente o de onde fica sua residência não é.
A reportagem do Clicabrasilia visitou as entrequadras e verificou a existência da pavimentação nos quadradões. No ano passado, Gracy voltou a reclamar com outro administrador, que encimentou o lugar, porém, hoje já não há mais qualquer resquício de urbanismo. “O material usado não era bom, o asfalto foi levado pela chuva”, diz.
Procurado pela reportagem, o atual administrador Regional de Gama, Adaltu Rodrigues, disse que ainda não tinha conhecimento sobre a situação da quadra 38/40, mas este é um dos problemas da área que ele promete começar a resolver ainda neste sexta-feira (6). “Podemos já visitar o lugar e providenciar esta questão do mato alto”, garantiu Rodrigues.
Quanto à pavimentação da quadra, ele explica que irá ser feito uma avaliação, e se o lugar realmente for área pública, poderá ser construída até mesmo a pracinha apontada na planta da cidade pela outra gestão.
Rock Lane, responsável pela direção de obras do setor, explica que neste momento é feito um mapeamento de todo o Gama para identificar os problemas e necessidades da região. “Às vezes o morador acha que o problema é em um lugar, sendo que a causa está em outro”, diz. Quanto à boca-de-lobo, ele esclarece que é uma obra cara, porém, a partir do segundo semestre deste ano, será construída no local.
Saiba +
O administrador Adaltu Rodrigues acrescenta que o projeto do Orçamento Participativo, do governado de Agnelo Queiroz, irá permitir à comunidade indicar as prioridades de ação do GDF na cidade.
O plano é eleger pessoas da comunidade de cada região administrativa para ajudar a decidir sobre as questões que precisam ser sanados nas cidades.
Neste sábado, será justamente a vez do Setor Leste do Gama votar em seus representantes. A reunião será às 14h, no Centro de Ensino I do Gama. Os moradores estão convidados a aparecer para a votação.
Cada dez pessoas podem escolher um delegado e cada 50 delegados podem eleger um conselheiro. Depois, todos os moradores eleitos conselheiros de todas as cidade irão se reunir para fazerem projetos que serão enviados para a Câmara Legislativa.
As propostas aprovadas começaram a serem postas em prática com o orçamento de 2012.